Kremlin se mostra satisfeito com mensagem de Obama

Lavrov (esq.) e Donilon conversaram sobre impacto negativo dos últimos eventos para as relações bilaterais Foto: Eduard Pesov/RIA Nóvosti

Lavrov (esq.) e Donilon conversaram sobre impacto negativo dos últimos eventos para as relações bilaterais Foto: Eduard Pesov/RIA Nóvosti

Presidente russo Vladímir Pútin se reuniu na última segunda-feira (15) com um conselheiro de segurança nacional do presidente americano Barack Obama, que lhe transmitiu uma mensagem da Casa Branca. O encontro aconteceu poucos dias depois da publicação da lista Magnístki.

O conselheiro de segurança nacional do presidente norte-americano, Tom Donilon, transmitiu uma mensagem ao líder russo durante um breve encontro em Moscou. Além de levar propostas de Barack Obama na área econômica e comercial, a mensagem abordava a problemática político-militar, incluindo a questão do escudo antimíssil e arsenais nucleares.

De acordo com o jornal “Kommersant”, o presidente russo, por sua vez, reiterou sua intenção de promover uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos durante a próxima cúpula do G8, na Irlanda do Norte.

A visita de Donilon a Moscou havia sido adiada várias vezes. Em um primeiro momento, estava programada para os últimos dias de fevereiro e depois remarcada para o início de março. Mas a data da visita só foi acertada no final do mês passado.

Em Moscou, o enviado norte-americano deveria se reunir com o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Patruchev, o chanceler russo, Serguêi Lavrov, e o conselheiro do Kremlin para política exterior, Iúri Uchakov. A parte americana havia solicitado também uma audiência com Vladímir Pútin mas, até recentemente, não se sabia se o presidente russo iria conseguir conciliar sua agenda para receber Donilon.

Após a reunião, Uchakov disse que a mensagem do líder norte-americano usa um tom construtivo e traz algumas propostas de aprofundar o diálogo e cooperação bilaterais. “Algumas iniciativas contidas na mensagem já foram avançadas anteriormente, outras são novas e serão estudadas cuidadosamente pela Rússia”, declarou.

“No plano econômico e comercial, a mensagem traz propostas concretas que desenvolvem a iniciativa formulada por Pútin em uma reunião com Obama em Los Cabos no sentido de criar uma rede de proteção para situações em que, nas relações entre os dois países, surgem problemas de natureza política”, acrescentou Uchakov.

Ainda segundo o conselheiro do Kremlin, as partes combinaram que Pútin e Obama se reunirão durante a cúpula do G8, que será realizada na Irlanda do Norte em junho, e darão sequência às discussões na próxima cúpula do G20, em São Petersburgo, no mês de setembro.

Donilon foi também recebido pelo chanceler russo Serguêi Lavrov, para quem o fim da tensão nas relações com os EUA é uma prioridade. “Ouvimos de Tom Donilon, bem como do secretário de Estado, John Kerry, com o qual havia me encontrado há alguns dias, que eles estão bem conscientes do impacto negativo de diversos fatores sobre as relações bilaterais”, disse o ministro russo. “Entre esses fatores, estão a lista Magníski, a adoção de crianças russas nos EUA e violação de direitos”, acrescentou.

Lista negra

 O cenário para a visita do enviado norte-americano estava longe de ser ideal: no fim de semana anterior, Washington havia publicado a lista Magnítski, com 18 autoridades russas proibidas de entrar nos EUA.

O presidente da comissão da Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo) para os assuntos internacionais, Aleksêi Puchkov, chegou inclusive a dizer que Tom Donilon seria o primeiro a sentir os efeitos negativos da publicação da lista Magnítski.

Mesmo assim, Uchakov garantiu aos jornalistas que o ambiente do encontro entre Pútin e Donilon foi positivo, “assim como os sinais que a administração Obama está nos enviando”. A comunidade de observadores também não viu razões para atribuir grande importância à divulgação das listas e sua influência sobre os resultados dos encontros de Donilon em Moscou.

“Acho que elas não tiveram grande impacto negativo sobre o cenário geral. Talvez, o ambiente tivesse sido mais favorável se as listas não tivessem sido publicadas. Mas, apesar da publicação, nada de significativo aconteceu”, disse Aleksêi Arbatov, membro do conselho científico do Centro Carnegie de Moscou, citado pelo Gazeta.ru. Para ele, a visita de Donilon a Moscou poderia ser vista como um passo simbólico para manter ativo o diálogo entre os dois países.



Com materiais dos veículos Kommersant e Gazeta.ru

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