Brasil e Rússia negociam participação na AIE

Segundo a diretora-executiva da AIE, Maria van der Hoeven, país devem se unir por "objetivo comum" Foto: Reuters

Segundo a diretora-executiva da AIE, Maria van der Hoeven, país devem se unir por "objetivo comum" Foto: Reuters

Em 40 anos de existência, é a primeira vez a Agência Internacional de Energia (AIE) deu início a procedimentos para ampliar a relação de membros associados e convidou sete países emergentes (China, Índia, Rússia, Brasil, África do Sul, México e Indonésia) a aderir à organização. Iniciativa foi motivada pela atual importância dessas nações nos mercados de commodities.

Em entrevista ao jornal “Financial Times”, a diretora-executiva da AIE, Maria van der Hoeven, declarou que a geografia do consumo de recursos energéticos mudou e o centro de gravidade se deslocou para o leste. “Não podemos fechar os olhos para isso”, disse a executiva. Por esse motivo, a AIE convidou essas nações emergentes a participar como membros associados pela primeira vez na história.

“De qualquer modo, todos nós temos o interesse comum de garantir a segurança energética", disse diretora-executiva da AIE.

A condição de membro associado pressupõe a troca de informações e coordenação de ações em caso de crise. No entanto, ao contrário dos membros titulares, os países membros associados não serão obrigados a manter um nível mínimo de reservas de petróleo equivalente a 90 dias de consumo interno.

Contando com os membros titulares e associados, a AIE irá representar seis dos 10 maiores produtores mundiais de petróleo. Os países emergentes têm, há muito tempo, um peso relevante nos mercados de commodities. Enquanto a Rússia é um dos líderes na produção de petróleo, a China é uma das grandes produtoras mundiais de carvão e o Brasil se destaca pela produção de biocombustível.

Além disso, a China poderá se tornar o maior importador mundial de petróleo em 2014. Isso porque, até o final deste ano, as importações de petróleo chinesas devem crescer 10% para seis bilhões de barris por dia enquanto os EUA diminuirão suas importações para menos de seis milhões de barris diários, segundo a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

Ainda assim, as conversas com os sete países estão em fase inicial e levarão muitos anos para chegar em um acordo, adiantou a responsável.

Mudança de foco

 A AIE foi criada pelos principais países industrializados como reação à crise do petróleo em 1973 e 1974. Na época, o mundo presenciou a disparada dos preços no mercado global em consequência do embargo imposto pelos países árabes produtores de petróleo à exportação de petróleo bruto para o Ocidente. A medida foi tomada em retaliação à ajuda dos EUA a Israel na Guerra do Yom Kippur contra o Egito e Síria.

Inicialmente, a agência tinha como função ajudar os países membros a coordenar suas ações para evitar problemas com os fornecimentos de petróleo, bem como criar reservas estratégicas. Atualmente, o foco da AIE está na segurança energética, desenvolvimento econômico, monitoramento ambiental e mudanças do clima. Por esse motivo, a organização publica relatórios periódicos ​​sobre a situação nos mercados de recursos energéticos.

Entre os 28 países desenvolvidos que compõem o grupo, estão os EUA, Reino Unido, Alemanha, Noruega, Japão, Austrália, Coreia do Sul e Polônia, entre outros.

 

Publicado originalmente pelo Vedomosti

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