Rússia e América Latina se unem por ‘ordem policêntrica’

Foto: ITAR-TASS

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No início de março, o ministro das Relações Exteriores russo, Serguêi Lavrov, reuniu-se em Moscou com os chefes das missões diplomáticas dos países da América Latina e Caribe acreditadas na Rússia. Os participantes trocaram opiniões sobre questões internacionais, a evolução do diálogo político e a cooperação econômica entre as partes.

A reunião na sede da diplomacia russa aconteceu na esteira da nova dinâmica de relações da Rússia com os países da América Latina e Caribe, tanto no âmbito da ONU quanto em outros órgãos internacionais, como o G20 e a APEC (Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico). No caso do Brasil, ambos os países fazem parte ainda do chamado Brics.

“Somos aliados naturais no desenvolvimento dessas tendências”, disse Lavrov durante o encontro, ao ressaltar que os países latino-americanos representam um importante polo de crescimento e um dos pilares de uma nova ordem mundial policêntrica defendida pela Rússia. Nos últimos dois anos, aconteceram 10 cúpulas e mais de 30 reuniões de alto nível entre países latino-americanos e as autoridades russas.

Nesse contexto, Moscou continua apoiando o levantamento do bloqueio econômico a Cuba imposto pelos EUA, qualificado por Lavrov como um “vestígio da Guerra Fria”. Outro assunto político constantemente abordado pela Rússia é a necessidade de Argentina e Reino Unido retomarem as negociações para solucionar a disputa pela soberania sobre as Ilhas Malvinas.

Um dos principais desafios da atualidade é, contudo, reforçar o diálogo político entre a Rússia e os países da América Latina e desenvolver suas relações comerciais. Mesmo com a crise econômica e financeira mundial, o intercâmbio comercial entre a Rússia e os países da América Latina e Caribe se mantém em um nível recorde de US$ 16,2 bilhões.

A cooperação na área de investimento também ganhou força com a intensificação dos investimentos nos setores de energia, metalurgia e transporte, sem falar no desenvolvimento de projetos conjuntos nas áreas de alta tecnologia, como energia nuclear, exploração do espaço e telecomunicações.

Cresce ainda o interesse de associações regionais pela cooperação com a Rússia. O país vem apertando seus laços não só com a Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos (CELAC), mas também com o Mercosul. De acordo com uma fonte da diplomacia russa consultada pela Gazeta Russa, em setembro deste ano, a União Aduaneira (composta por Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão) e o Mercosul poderão, inclusive, assinar um memorando de cooperação que servirá de base para o reforço das relações entre as duas associações regionais.

Para complementar o pacote, o embaixador da República Dominicana na Rússia, Jorge Luís Pérez Alvarado, que é também decano dos diplomatas latino-americanos em Moscou, apontou que 11 países latino-americanos têm acordos de isenção de visto com a Rússia, abrindo um largo canal de desenvolvimento das relações culturais e de turismo. Só no ano passado, a República Dominicana recebeu 180 mil russos, Cuba, 87 mil, e o México, mais de 50 mil.

Apesar de o diplomata dominicano destacar o declínio do intercâmbio cultural e de estudantes em comparação aos tempos soviéticos, os participantes do encontro se mostraram convencidos de que a tradicional afinidade existente entre os povos latino-americanos e o russo permite ter esperança no reforço dessa cooperação no futuro. 

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