Problemática africana terá destaque na 5ª cúpula dos Brics

Os preparativos para a cúpula dos Brics foram assunto principal do encontro entre o chanceler russo Serguêi Lavrov e sua homóloga sul-africana, Maite Nkoana-Mashabane, no último final de semana em Pretória. Foto: mid.ru

Os preparativos para a cúpula dos Brics foram assunto principal do encontro entre o chanceler russo Serguêi Lavrov e sua homóloga sul-africana, Maite Nkoana-Mashabane, no último final de semana em Pretória. Foto: mid.ru

Criação de um banco de desenvolvimento comum e de um secretariado virtual também irá dominar a pauta da 5ª cúpula dos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que será realizada em 26 e 27 de março na cidade sul-africana de Durban.

Os preparativos para a cúpula foram assunto principal do encontro entre o chanceler russo Serguêi Lavrov e sua homóloga sul-africana, Maite Nkoana-Mashabane, no último final de semana em Pretória.

Além de a criação de um banco de desenvolvimento “estar sendo intensamente discutida no âmbito dos preparativos para a cúpula”, conforme declarou Lavrov no último dia 12, a reunião deverá abordar a criação de um conselho empresarial permanente e um centro de pesquisa dos Brics.

Adeus, O'Neill

Em meio à preparação para a cúpula na África do Sul, o banco Goldman Sachs anunciou que o economista Jim O'Neill, 55, conhecido por cunhar o termo Bric, iria deixar o cargo de chefe da divisão de ativos que ocupava no banco desde 2010. O jornal inglês “Financial Times” atribuiu a demissão de O'Neill ao mau desempenho demonstrado por sua divisão.

 

Também será discutida a criação de um secretariado virtual para a publicação dos materiais sobre as atividades dos Brics e a troca de correspondências entre as autoridades competentes dos países membros.

“Os Brics têm um papel muito importante na garantia dos interesses dos países que o compõem e de outras economias emergentes no processo de reforma do sistema monetário e financeiro internacional”, declarou o chanceler russo. “Espero que os documentos e entendimentos que estão sendo preparados para a cúpula de Durban nos permitam avançar significativamente nessa direção.”

Por ser a primeira vez que o grupo que se reúne no continente africano, os anfitriões pretendem também levar ao conhecimento dos membros do Brics alguns problemas específicos da região.

Lavrov disse que a Rússia é solidária ao desejo da África do Sul de "inteirar os países do Brics da problemática africana” e declarou que o presidente russo, Vladímir Pútin, também vai participar da cúpula de Durban.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguêi Riabkov, falou à Gazeta Russa que a decisão de realizar a quinta reunião dos líderes dos países membros do Brics na África do Sul foi tomada na reunião do grupo no ano passado, em Nova Déli.

“A Declaração de Nova Déli [aprovada naquela ocasião – nota do Editor] tem 50 itens e fala sobre a estabilidade global, segurança e prosperidade”, disse Riabkov. Segundo ele, todas as disposições do documento reforçam por que as cinco economias emergentes se uniram e quais são suas ambições.

União à prova

No ano passado, os observadores políticos comentaram muito sobre a intenção dos países do Brics de promover o comércio em moedas nacionais. No entanto, Riabkov disse que, atualmente, não é possível abandonar o dólar. “O atual desafio é começar aos poucos a usar as moedas nacionais em transações comercias”, esclareceu o vice-chanceler russo.

O diretor do Instituto de América Latina da Academia de Ciências da Rússia, Vladímir Davídov, acha prematuro falar sobre a hipótese de grandes projetos de cooperação entre os cinco países.

“Os países do Brics fizeram tudo o que pode ser considerado necessário na primeira fase, mas não podemos dizer que conseguiram definir modelo institucional, assim como não está clara a posição dos Brics entre as principais instituições da governança global”, disse o especialista.

Davídov completou também que “ainda não há mecanismos que permitam estabelecer entre os países membros uma cooperação multilateral eficiente nos domínios econômico, tecnológico e científico”.

Além dos fatores citados, os países do Brics parecem nutrir interesses diferentes. Enquanto alguns países estão propensos a discutir a reforma do Conselho de Segurança da ONU, outros priorizam a problemática da criação de um banco de desenvolvimento do Brics.

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