Lavrov defende interesses da Rússia na África

Conferência de imprensa conjunta do ministro do Exterior russo Serguêi Lavrov e Ministro dos Negócios Estrangeiros da República da Guiné F.Fal. Foto: mid.ru

Conferência de imprensa conjunta do ministro do Exterior russo Serguêi Lavrov e Ministro dos Negócios Estrangeiros da República da Guiné F.Fal. Foto: mid.ru

Em viagem ao continente africano, ministro dos Negócios Estrangeiros russo sugere medidas para o conflito no Mali e reforça laços com parceiros estratégicos. Insatisfação das autoridades de determinados países africanos com a intervenção do Ocidente nas crises político-militares da região dá a Moscou uma oportunidade de reforçar sua posição e melhorar sua imagem no continente.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguêi Lavrov, iniciou uma turnê pela África na segunda-feira passada (11). Pela primeira vez na Argélia desde maio de 2011, Lavrov afirmou que o país “goza de considerável prestígio e influência no mundo árabe, África, Mediterrâneo e na cena internacional como um todo”.

A ideia era promover conversações sobre a cooperação econômica entre ambos os países, assim como estabelecer medidas resolutivas para o conflito no vizinho Mali.

“As autoridades argelinas estão há muitos anos envolvidas na luta contra o extremismo dentro do país e, por isso, têm interesse na derrota dos islamitas no Mali”, disse o representante especial do presidente russo para a cooperação com a África, Mikhail Marguelov.

Segundo ele, a resolução do conflito no Mali também é do interesse de Moscou, já que, após as duas guerras na Tchetchênia, “tememos um maior extremismo islâmico em todos os lugares. Essa praga se dissemina com facilidade, podendo atacar territórios relativamente remotos, como a própria Ásia Central e as fronteiras do sul da Rússia”.

“O despertar das atividades dos islamitas pode transformar o território africano do Sahel ao Chifre da África”, acrescentou Marguelov.

Embora Lavrov tenha debatido com os interlocutores argelinos maneiras de evitar esse cenário, a agenda do dia não se restringiu a questões políticas.

A Argélia está entre os principais parceiros econômicos da Rússia na África, especialmente na área da produção de hidrocarbonetos. Tanto a petrolífera Gazprom como a Rosneft estão presentes no mercado argelino há vários anos e, na metade de 2012, a empresa Russneft anunciou a intenção de explorar jazidas locais.

Além disso, a Rússia fornece grãos, metais, máquinas e equipamento militar para o país africano, que já manifestou interesse na participação russo em um projeto estatal para a construção de 10,5 milhões de metros quadrados em habitações, estimado em US$ 60 bilhões.

Expansão russa

A promoção dos interesses econômicos de Moscou está pautando toda a turnê de Lavrov pelo continente africano. O ministro, que também visitou a África do Sul e Moçambique, confirmou a importância de se aliar a tais países na construção de uma nova ordem mundial.

Exemplo disso foi o tema central das conversações entre Lavrov e a sua homóloga da África do Sul, Maite Nkoana-Mashabane. “O Brics desempenha um papel muito importante na garantia dos interesses dos Estados que o integram, assim como de outras economias emergentes no quadro do processo de reforma do sistema monetário-financeiro”, disse o ministro russo após encontro.

O especialista do Instituto de Estudos sobre a África, Aleksandr Jukov, acredita que a Rússia deve seguir o exemplo da China, que ganha posições econômicas no Continente Negro “de maneira focada e muito metódica”. “Especialistas tarimbados e programas em grande escala trabalham para isso, mas há poucos esforços da parte de Moscou”, completa Jukov.

Entretanto, segundo o especialista, a Rússia tem um número de vantagens em comparação com o Ocidente, que vão desde fatos passados quanto ao presente, já que muitos representantes da elite política e militar dos países africanos receberam seus diplomas de ensino superior na ex-URSS.

“É crescente a insatisfação com a posição dos países ocidentais em relação às recentes crises políticas e militares na África. Ao se abster de intervenções, Moscou parece muito mais respeitável”, afirma Jukov. “A Rússia tem agora uma oportunidade única para avançar na política e melhorar radicalmente sua imagem na África.”

Com informações do jornal Kommersant e da rádio Voz da Rússia

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