Moscou manifesta preocupação com notícia de ataque aéreo à Síria

Foto: PhotoXpress

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Governo de Damasco acusa Israel de um ataque aéreo contra um de seu centros de pesquisas, levando duas pessoas à morte. A imprensa não descarta que o alvo tenha sido um depósito de armas químicas. Diante desse cenário, diplomacia russa critica suposta ação israelense e afirma que iniciativa viola estatuto da ONU.

De acordo com um comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia nesta quinta-feira (31), as autoridades de Moscou estão preocupadas com as informações sobre um bombardeio da aviação israelense perto de Damasco, capital da Síria.

“Caso a informação seja confirmada, isso significa que aconteceu um ataque sem nenhuma justificativa no território de um Estado soberano, o que viola grosseiramente a carta da ONU e é inaceitável, independente do motivo”, continua o documento publicado no site oficial da diplomacia russa.

“Estamos adotando medidas de urgência para esclarecer a situação nos mínimos detalhes.”

A notícia de um ataque aéreo israelense entrou em circulação nesta quarta-feira (30) e foi confirmada pelo comando libanês. Primeiro foi divulgado o ataque a uma fileira de automóveis perto da fronteira sírio-libanesa. Mais tarde, porém, fontes do exército sírio disseram que a aviação israelense destruiu um centro de pesquisa militar perto de Damasco.

Segundo os militares sírios, aeronaves israelenses entraram no espaço aéreo da Síria a baixa altitude no início da manhã da quarta-feira, mas não foram detectadas pelos radares. O comunicado do exército síria desmente as notícias divulgadas pela imprensa internacional de que os aviões israelenses teriam atacado os automóveis que seguiam da Síria para o Líbano.

O comunicado divulgado pelo comando militar sírio relata, contudo, que “o ataque [ao centro de pesquisa] causou grandes danos materiais e matou duas pessoas, deixando outras cinco feridas. A destruição do centro de Jemrai é  uma violação gritante da soberania da Síria. O novo ato de agressão irá completar a lista dos crimes de Israel contra os árabes e muçulmanos, mas não enfraquecerá a Síria nem forçará o povo sírio a deixar de apoiar os movimentos de libertação e a justa causa dos árabes e palestinos.”

Por enquanto, a ONU não confirmou a notícia sobre a incursão aérea israelense. Mesmo assim, o porta-voz adjunto do secretário-geral das Nações Unidas, Eduardo Del Buey, reconhece que a força de paz da ONU posicionada no sul do Líbano relatou a intensificação das atividades da Força Aérea israelense. “As forças da ONU registraram muitos casos de violação do espaço aéreo do país. Essa é toda a informação que temos”, afirma Del Buey.

Depósito de armas

A agência Reuters informou ainda que, segundo fontes diplomáticas, o alvo da incursão israelense poderia ter sido um depósito de armas químicas. “No centro de Djamrai estão supostamente armazenadas armas químicas. Possivelmente, a fileira de automóveis estava perto do centro atacado na última quarta-feira (30)”, publicou a agência.

No entanto, enquanto uma fonte diplomática do Ocidente havia dito à Reuters que o alvo do ataque foi um caminhão com armas que seguia para o Líbano, outras fontes nos EUA confirmaram em entrevista à agência Associated Press que o ataque havia sido realmente direcionado aos automóveis que, na opinião de Israel, poderiam estar transportando armas para o combate aos alvos aéreos.

De qualquer modo, o Ocidente expressou repetidas vezes sua preocupação com a possibilidade de a Síria possuir armas químicas e, há duas semanas, Israel pediu ao Conselho de Segurança da ONU para tomar medidas urgentes para impedir que as armas químicas sírias caiam nas mãos do Hezbollah.

No último domingo (27), o vice-primeiro-ministro de Israel, Silvan Shalom, disse inclusive que o país poderia usar sua força militar para impedir que armas de destruição em massa caíssem nas mãos de militantes envolvidos no conflito armado na Síria.

 

Publicado originalmente pelo Vzgliad

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