Neste dia, em 1944, faleceu o artista Vassíli Kandínski

AFP
Pintor foi o primeiro a criar obras puramente abstratas – e é um dos russos mais universais.

Nascido em Moscou em 4 de dezembro de 1866, Vassíli Kandínski foi um dos fundadores da arte abstrata. Mas poucos sabem que ele começou a carreira de pintor apenas aos 30 anos. Antes de se dedicar inteiramente à pintura, Kandínski formou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Moscou para agradar aos pais. Em 1893, depois de terminar o curso, manteve-se na universidade como professor. 

Três anos depois, viajou para a Alemanha e ingressou na Academia de Belas Artes de Munique, onde começou a experimentar o fauvismo e o pós-impressionismo. Entre 1910 e 1911 Kandínski finalizou suas primeiras obras e escreveu o livro Do espiritual na arte, uma teoria sobre o abstracionismo. Em 1911, juntamente com os expressionistas alemães, fundou o sindicato O Cavaleiro Azul. Nesse mesmo ano, realizou a sua primeira exposição.

No entanto, seus interesses artísticos não se limitavam à pintura e à música. Ele também projetou interiores, criava esboços para pinturas murais de porcelana, para roupas e móveis, e explorou outras disciplinas como fotografia e cinema.

Um elemento-chave do trabalho de Kandínski é a importância da cor. Ele a considerava autônoma, sem relação com a cena da imagem. Referia-se às pinturas como seres vivos e acreditava que elas tinham a capacidade de influenciar diretamente a alma de quem as olhava. Com base nisso, e a partir de uma teoria de Goethe, estabeleceu suas próprias relações: o amarelo lembra o som da flauta, simboliza o terreno, acentua o movimento em direção ao observador e corresponde ao triângulo; o azul estaria relacionado à paz celestial, à tristeza, ao movimento do observador, ao círculo e ao som do violoncelo; já o vermelho é ebulição interna e a forma do quadrado; e o verde seria quietude e antiemocionalidade. 

Como pintor, Kandínski não se adaptou ao realismo socialista – tanto é que suas pinturas nem eram consideradas na URSS. Na Alemanha, os nazistas os consideravam um artista degenerado.

Dedicou os últimos anos de sua vida à criação de obras realistas e semiabstratas. Morreu em Neuilly-sur-Seine, na França, em 1944, deixando uma profunda marca e influência em outros artistas do século 20. Neste mesmo ano, a famosa casa Sotheby’s leiloou duas das suas obras, Murnau – uma paisagem com casa verde e Pintura com linhas brancas, que acabaram sendo vendidas por 26,4 e 41,6 milhões de dólares, respectivamente.

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