As joias dos tsares russos (FOTOS)

Hermitage; Museus do Kremlin de Moscou
As mulheres da corte russa literalmente brilhavam: diademas, pulseiras e colares feitos de pedras preciosas criados pelos melhores joalheiros do mundo sempre passeavam pelos palácios reais. Mas os homens também podiam causar furor com suas preciosidades.

Aleixo da Rússia

Retrato de Aleixo.

Muito antes de Fabergé chegar à corte russa, as joias dos monarcas locais eram feitas por mestres gregos. Foram eles que criaram, por exemplo, joias especiais para o tsar Aleixo da Rússia: o “barmi”, espécie de ornamento largo que cobria o colo e que era usado em ocasiões solenes e coroações. Nesta peça, estavam presos a um colarinho largo que cobria o peito e os ombros, sete medalhões com imagens da Virgem Maria, do Menino Jesus e dos santos, de milagres e de apóstolos em pedras preciosas — entre elas, 248 diamantes.

No dia a dia, os reis não usavam “barmi”, mas podiam se adornar com uma variedade de anéis com desenhos esculpidos, marcas e águias de duas cabeças (o símbolo do império russo).

Pedro 1°

Pedro, o Grande.

Este tsar reformista usava seus muitos anéis de maneira prática: por exemplo, para selar documentos e assinalar marcos importantes.

Um deles, por exemplo, o retrata como um carpinteiro com ferramentas de navio. Outro, de esmeralda, foi adornado com uma imagem esculpida de Pedro com um cetro e uma esfera rodeada pela inscrição "Tsar e Grão-Duque Pedro Alexeievich de Toda a Rússia". Em outra inscrição do anel se lê: "Onde há verdade e fé haverá força" – era o tipo de declarações que o autocrata costumava fazer.

Cruz peitoral de Pedro, o Grande.

A cruz que ele carregava no peito também não era apenas um símbolo religioso, mas também uma verdadeira obra de arte. No centro, na parte da frent, o joalheiro colocou outra cruz coberta por esmeraldas, enquanto na parte de trás havia uma imagem do santo padroeiro do monarca, o apóstolo Pedro, no céu.

Paulo 1°

A coroa de Grão-Mestre da Ordem da Soberania Militar de Malta.

Filho de Catarina 2°, Paulo recebeu, em 1798 uma coroa especial de Grão Mestre da Ordem de Malta. Não havia joias nela, apenas oito arcos dourados convergindo na parte superior, segurando uma maçã, e ascendendo a partir dela a cruz hospitaleira de esmalte branco.

Espada de Paulo.

Junto com a coroa, Paulo 1° ganhou um anel de diamante. Havia folha de metal sob a pedra preciosa, o que lhe conferia uma cor muito vermelha.  O imperador também tinha uma espada militar que foi feita para ele por artesãos de São Petersburgo. O punho era cravejado de rubis, diamantes e safiras. Já o capacete era um lembrete de que Paulo 1° era o chefe da Ordem dos Cavaleiros Hospitaleiros.

Alexandre 2°

Alexandre 2°.

Em 1834, uma joia extravagante foi encontrada em uma mina esmeralda nas proximidades de Ekaterinburgo. Sua cor variava de verde a roxo, passando até mesmo por um vermelho intenso, dependendo da luz.

A descoberta foi batizada em homenagem ao tsarevich Alexandre Nikolaievitch, que estava celebrando sua maioria naquele ano: “alexandrita”. A pedra era rara e bastante cara, e somente os aristocratas podiam pagar um presente tão exclusivo.

Alexandrita.

Mas o principal possuidor da pedra anel era, claro, Alexandre 2°: ele o usava o tempo todo. Somente uma vez o imperador se esqueceu de colocar o anel – e foi justamente o dia em que ele foi assassinado.

Alexandre 3°

M.Zichy. Casamento do Grão-Duque Alexandre Alexandrovitch e Maria Fioodorovna.

O filho mais velho de Alexandre 2°, tsarevich Nicolau Alexandrovitch se preparava para o casamento com a princesa dinamarquesa Dagmar e as alianças de casamento, com enormes diamantes, já haviam sido encomendadas.

Mas o casório não aconteceu: o herdeiro do trono morreu de meningite tuberculosa. No entanto, a aliança com a casa governamental dinamarquesa foi concluída e Dagmar casou-se com o tsarevich Alexandre Alexandrovitch.

No casamento, eles decidiram usar aquelas mesmas alianças — e estabeleceram uma nova tradição, pois as joias seriam utilizadas nos casamentos subsequentes dos herdeiros do trono. Assim, o casamento de Nicolau 2° e Alexandra Fiodorovna foi celebrado com esses mesmos anéis. O último imperador russo nunca se separou deste anel até sua morte.

Nicolau 2°

Álbum de joias de Nicolau 2°.

O presente mais comum para os homens, adequado para todas as ocasiões, eram os abotoaduras. A empresa de Carl Fabergé, entre outras, fornecia estes acessórios à corte russa, criando pequenas obras-primas ligadas a datas importantes da vida da família Romanov.

Álbum de joias do tsar Nicolau 2°.

Por exemplo, para Alexandre 3°, eles criaram um par com as iniciais em diamantes em esmalte azul, e outro, mais extravagante, em rodonita com um monograma em relevo. Nicolau 2° também ganhou abotoaduras com nomes, temáticas e decoradas com joias e entalhes.

Como seus predecessores, o tsar mantinha um álbum especial em que eram listados todos os presentes ganhados por ele em um quarto de século. Em seu 20º aniversário, ele recebeu as tradicionais abotoaduras com o monograma “XX”, e de sua noiva, a futura imperatriz Alexandra Fiodorovna, ele ganhou abotoaduras em forma de chaves com diamantes e rubis.

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