5 talentosos servos russos que ficaram famosos

Russia Beyond (Foto: Museu Central Estatal A.A. Bakhrúchin de Teatro; Vtorou (CC BY-SA 4.0); Museu Faberge)
Essas pessoas não tiveram o privilégio de nascer livres, mas conseguiram se realizar como profissionais e ganhar fama e dinheiro.
  1. Joalheiro Pavel Ovtchinnikov (1830-1888)

Esta é uma incrível história de sucesso do século 19 e um exemplo de uma carreira verdadeiramente brilhante. Ovtchinnikov era um servo de propriedade dos príncipes da família Volkônski. Quando ele ainda era muito jovem, seus mestres perceberam suas habilidades artísticas e o enviaram para Moscou para ser aprendiz de um joalheiro.

Ovtchinnikov não só foi aprendiz de ourives, mas ganhou capital suficiente para comprar sua liberdade e abrir sua própria oficina. Ele revolucionou a joalheria, deu um novo sopro de vida à arte do esmalte, criou uma moda do estilo russo e tornou-se fornecedor da corte imperial.

Com as criações dele, a coleção da família imperial dos Romanov ganhou preciosas cigarreiras, taças, conjuntos, portas-joias e muitos outros itens valiosos feitos pela empresa de Pavel Ovtchinnikov. O joalheiro também foi reconhecido no exterior: foi premiado com uma medalha de prata na Exposição Universal de Paris.

Clique aqui para ler mais sobre Pavel Ovchinnikov.

  1. Atriz Praskóvia Jemtchugova (1768-1803)

Será que uma serva, filha de um ferreiro de Iaroslavl, poderia imaginar que uma rua de Moscou levaria seu nome? Aliás, Jemtchugova era seu nome artístico — seu nome verdadeiro era Praskóvia Kovalióova. Ela se tornou propriedade do conde Cheremétiev, junto com algumas terras que ele recebeu como dote da esposa, e foi criada na propriedade do conde em Moscou, em Kuskovo.

Aos sete anos de idade, Praskóvia demostrava uma aptidão ímpar para a música e o canto: ela aprendeu a tocar cravo e harpa, assim como a falar línguas estrangeiras para que cantar árias de ópera em francês. Na década de 1780, Praskóvia brilhava no palco do teatro privado dos Cheremétiev, apresentando-se em Kuskovo e em outra propriedade da família chamada Ostánkino.

O conde Nikolai Cheremétiev se apaixonou pela bela atriz e até pediu permissão ao imperador Alexandre 1° para se casar com ela. O pedido era algo inédito na época, já que muitos aristocratas tinham relações com os servos, mas nenhum deles cogitava oficializar os laços.

Depois de conceder a liberdade de Praskóvia, Nikolai Cheremétiev se casou com ela e eles tiveram um filho. Mas a moça morreu muito jovem, devido a problemas de saúde.

  1. Família Argunov, uma linhagem de pintores e arquitetos

A história desta talentosa família de servos também está ligada à família Cheremétiev. Ivan Argunov (1729-1802) estudou pintura com o artista alemão Georg Christoph Grooth, e eles chegaram até a trabalhar juntos em ícones para a igreja do palácio em Tsárskoie Selô.

Retrato de Catarina, a Grande, por Ivan Argunov, 1762.

Argunov ficou famoso como retratista e pintou membros da nobreza e até Catarina, a Grande. Uma de suas pinturas mais famosas é “Retrato de uma Mulher Desconhecida em Traje Russo”. Os dois filhos de Argunov, Nikolai e Iákov, também se tornaram artistas e pintaram retratos de personalidades e funcionários famosos.

O conde Cheremétiev concedeu a liberdade a ambos e eles se tornaram membros da Academia de Artes de São Petersburgo. Já o terceiro filho, Pável, tornou-se arquiteto e, mais tarde, foi o arquiteto-chefe do teatro do palácio, na propriedade dos Cheremétev Ostánkino.

Propriedade

Outro membro dessa talentosa família, Fiódor Argunov, também foi arquiteto. Ele construiu metade da pitoresca propriedade Kuskovo, em Moscou, incluindo o pavilhão da Gruta e o Laranjal de Pedra Grande. Fiódor também participou da construção do palácio do conde em São Petersburgo, a Casa da Fonte.

Pavilhão Grotto em Kuskovo.
  1. Ator Mikhaíl Schepkin (1788-1863)
N. Nevrev. Portrait of Mikhail Shchepkin

Hoje, o nome de Schepkin está imortalizado no título oficial da Escola Superior de Teatro em Moscou, onde ele lecionou. Ele nasceu na província de Kursk, descendente de uma família de servos de propriedade do conde Volkenchtein, e já na infância atuava no teatro privado de servos de seu mestre.

Com a permissão dele, Mikhaíl trabalhou como ponto no teatro da cidade, o que o levou a ser convidado por companhias teatrais de outras cidades do interior, onde foi um grande sucesso.

Schepkin desempenhou diversos papéis, incluindo papéis femininos. Ele começou a desenvolver seu próprio método de atuação, com ênfase em transmitir a personalidade e o comportamento dos personagens o mais próximo possível da vida. Mais tarde, suas ideias formaram a base do famoso sistema Stanislávski.

No final das contas, Schepkin foi convidado a se unir ao Teatro Máli, de Moscou, onde atuou nas peças russas mais elegantes da época: “Nedorosl” (em tradução livre, “O Menor”), de Denis Fonvizin, “O infortúnio da razão”, de Aleksandr Griboiédov (A obra não foi publicada em português, mas existe uma dissertação de mestrado da Universidade de São Paulo disponível on-line que traz a tradução da peça por Polyana de Almeida Ramos) e “O Inspetor Geral”, de Nikolai Gógol.

  1. Artista Orest Kiprenski (1782-1836)

Orest Kiprenski, que se tornou popularmente conhecido como o "Antoon van Dyck russo", era filho ilegítimo do proprietário de terras Adam Diakonov com uma serva. Como não podia reconhecer oficialmente a criança, o pai o listou como membro da família de sua mãe serva.

Retrato de Púchkin por Kiprenski, 1827.

Desde a infância, Orest mostrava talento para o desenho, por isso seu pai o matriculou na Academia de Artes de São Petersburgo. A diretoria da academia logo notou o talento do jovem e permitiu que ele morasse na pensão da academia após a formatura, concedendo-lhe uma bolsa para viajar ao exterior.

Na Itália, um retrato que ele pintou passou a ser exposto na Galeria Uffizi, e outra obra dele chegou até mesmo a ser confundida com uma de Rembrandt. Além disso, Kiprenski é o autor do retrato mais conhecido do poeta Aleksandr Púchkin e de outros famosos retratos de contemporâneos seus grandiosos.

Conheça mais pinturas de Kiprenski aqui.

LEIA TAMBÉM: Como a abolição da servidão levou à Revolução Russa?

Caros leitores e leitoras,

Nosso site e nossas contas nas redes sociais estão sob ameaça de restrição ou banimento, devido às atuais circunstâncias. Portanto, para acompanhar o nosso conteúdo mais recente, basta fazer o seguinte:
Inscreva-se em nosso canal no Telegram t.me/russiabeyond_br

Assine a nossa newsletter semanal

Ative as notificações push, quando solicitado(a), em nosso site

Instale um provedor de VPN em seu computador e/ou smartphone para ter acesso ao nosso site, caso esteja bloqueado em seu país.

Autorizamos a reprodução de todos os nossos textos sob a condição de que se publique juntamente o link ativo para o original do Russia Beyond.

Leia mais

Este site utiliza cookies. Clique aqui para saber mais.

Aceitar cookies