7 curiosidades sobre Mológa, cidade submersa na era stalinista

Domínio público
Outrora uma cidade próspera, ela foi inundada em 1941 durante a construção do Reservatório Ribinsk, um dos maiores do mundo.

1. Mológa era uma cidade rica e próspera

Acredita-se que Mológa tenha existido desde pelo menos o ano de 1149, quando foi mencionada pela primeira vez em crônicas históricas. O povoado ficava entre dois rios, o Volga e o Mológa. Nessa área, havia esturjão, esterlina e peixe branco, e os pescadores locais os forneciam à mesa do tsar.

Do final do século 14 ao início do 16, uma das maiores feiras da Rússia era realizada ali e bastante frequentada por comerciantes da Europa e da Ásia.

Em 1777, por decreto de Catarina, a Grande, Mológa ganhou status de centro distrital. A rota comercial do Volga e a expansão ativa de São Petersburgo contribuíram para o crescimento da cidade. Todos os anos, centenas de navios passavam por Mológa, onde eram carregados de mercadorias e recebiam diversos serviços portuários.

2. Mológa foi famosa por sua arquitetura medieval e clássica

O Convento de Santo Atanásio.

O Convento de Santo Atanásio, fundado no século 15, foi um dos principais conjuntos de edificações nos arredores da cidade. No final do século 19, o mosteiro tinha quatro igrejas.

Corpo de bombeiros projetado pelo irmão de Fiódor Dostoiévski.

A Catedral da Epifania, construída em 1882 no estilo russo bizantino, destacava-se entre as igrejas da cidade. Os moradores locais também se orgulhavam de seu corpo de bombeiros de pedra com uma torre de vigia projetada por Andrêi Dostoiévski, irmão do grande escritor Fiódor Dostoiévski.

3. A cidade não deveria ter sido submergida

O projeto inicial para o reservatório de Ribinsk não previa a inundação de Mológa: a cidade devia permanecer em uma espécie de ilha. No entanto, durante a construção da barragem, decidiu-se elevar o nível do reservatório em vários metros, a fim de aumentar a capacidade da usina hidrelétrica. A decisão levou a um aumento significativo da área do reservatório e à submersão da cidade.

4. Mais de 6 mil pessoas viviam ali antes da inundação

Um total de 6.100 residentes viviam em Mológa em 1940. A cidade tinha 900 edifícios, dos quais cerca de 100 eram feitos de pedra. A praça do mercado tinha quase 200 lojas, grandes e pequenas. Havia 11 fábricas e plantas industriais ali, que produziam bebidas alcoólicas, tijolos, cola, extratos de bagas e outros produtos.

5. Habitantes afogados

Quando o destino da cidade foi finalmente decidido, iniciou-se a evacuação dos residentes para a vizinha, Ribinsk. As casas de madeira foram desmontadas e transportadas pelo Volga e foi paga uma compensação pelas moradias de pedra perdidas. Enquanto isso, grandes edifícios eram implodidos. Reza a lenda, porém, que nem todos os moradores quiseram abandonar a cidade.

De acordo com um relatório secreto escrito por Skliarov, um oficial do NKVD (órgão que precedeu a KGB), 294 pessoas se recusaram a ser evacuadas e decidiram permanecer na cidade. Eles se acorrentaram a objetos pesados ​​e morreram na inundação.

Alguns historiadores, entretanto, colocam sob suspeita a veracidade do documento. A verdade é que o reservatório foi preenchido gradualmente, ao longo de um período de seis anos. Isto torna o relato das mortes na inundação um tanto improvável. O destino dos residentes que se recusaram a ser evacuados permanece um mistério.

6. A predestinação à água foi anunciada meio século antes

Em 1881, a prioresa de um mosteiro perto de Mológa, madre superiora Taissia, teve um sonho profético. Ao acordar, ela escreveu um relato detalhado sobre ele.

No sonho, ela caminhava por um campo de centeio que ficou submerso na água. Ela sentiu que ele apareceu ali devido a ações humanas e entrou na água e continuou andando até que a água lhe alcançou o pescoço. Nesse momento, alguém vindo de cima lhe entregou um bastão. Taissia se apoiou nele e o nível da água começou a descer. As paredes de pedra branca do mosteiro se ergueram de sob a água.

Algumas pessoas ainda acreditam que a segunda parte da profecia se tornará realidade e que as áreas submersas se tornarão terra seca novamente.

7. A cidade reaparece de anos em anos

O nível do reservatório de Ribinsk às vezes diminui e Mológa ressurge. Atualmente, os descendentes dos ex-residentes de Mológa às vezes se reúnem, vindos de todas as partes do país, para visitar a cidade.

Hoje, ela está quase totalmente destruída. Em quase 80 anos, a água arruinou tudo o que não tinha sido implodido previamente e o que resta agora são apenas ruas pavimentadas e as fundações dos edifícios.

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