Quem foram os mais pacíficos governantes russos?

‘Aleksandr 3° recebendo idosos de distritos rurais no jardim do Palácio Petróvski em Moscou’, Iliá Répin (1885-1886).

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Estes imperadores russos tentaram alcançar seus objetivos principalmente por meios pacíficos. Onde eles chegaram com isto?

Mikhaíl 1°

Primeiro governante da dinastia Romanov,  Mikhaíl (1613-1645) foi um dos mais serenos tsares a se sentar no trono russo. Segundo seus contemporâneos, ele era refinado e gentil.

Dizem que Mikhaíl era fissurado por flores e foi o primeiro a decretar que se cultivassem jardins de rosas na Rússia. Ele também era muito jovem quando subiu ao trono, com apenas 17 anos de idade.

 Retrato de Mikhaíl 1°.

“Escolheremos Mikhaíl. Ele é jovem e tem uma mente fraca”, teria dito então uma das figuras-chaves na escolha do imperador no conselho eleitoral, em 1613, o nobre Fiódor Ivanovitch Sheremetiev.

O jovem tsar não era um candidato hereditário ao trono, mas foi escolhido pelo Ziêmski Sobôr, órgão que antecedeu os parlamentos modernos. A assembleia se reunia quase anualmente durante o governo de Mikhaíl.

Mas Mikhaíl não governou sozinho. Em primeiro lugar, sua mãe, Marfa, era regente. Depois, seu pai, Filaret (mais sobre esta figura impressionante aqui), passou a governante em conjunto com o filho.

Seu poder também era limitado pela assembleia. Tudo isso teve reflexos na política de Mikhaíl, que se tornou mais conservadora e cautelosa.

Sob seu governo, ocorreu uma "paz eterna" com a Suécia, assim como um armistício com a Polônia. Em 1631, porém, isto tudo caiu por terra, já que Moscou quis revanche com Varsóvia e retomar Smolensk, que havia sido perdida.

A tentativa, que se transformou em uma guerra de dois anos, falhou, e acabou-se alcançando uma "paz eterna" com a Polônia. Esta foi a única campanha militar em grande escala de verdade nos mais de 30 anos de poder de Mikhaíl.

Aleksêi 1°

O filho de Mikhaíl, Aleksêi 1° (1645-1676) foi o pai do reformador Pedro, o Grande. Ele ganhou o apelido de Tichaishi – em português, “o mais quieto” ou “o mais pacífico”.

Aleksêi 1° era um homem religioso, participava de rituais ortodoxos e lia textos religiosos.

Ao mesmo tempo, ele entendeu a necessidade de manter a casa em ordem e empreendeu esforços para modernizar o exército. Como o pai, Aleksêi 1° tentou reorganizar o exército juntamente às tropas ocidentais.

Aleksêi 1°.

Ele resolveu criar regimentos militares permanentes chefiados por comandantes profissionais ocidentais. Isto representou uma grande ruptura com o passado, quando unidades de milícia da nobreza eram a principal força de combate.

Seu reinado foi semelhante ao do pai: Aleksêi não gostava de grandes atividades militares. Seu maior conflito foi, de novo, com a Polônia, apesar de desta vez as apostas terem sido maiores.

Aleksêi se empenhou em não apenas em retomar Smolensk, uma cidade estrategicamente importante, mas também em conseguir controle de parte considerável da Ucrânia.

O líder militar cossaco Bohdan Khmelnitski se revoltou contra a Polônia e pediu proteção russa diversas vezes, mas o tsar Aleksêi relutou em apoiá-lo, já que isto significaria, automaticamente, outra guerra contra Varsóvia.

Em 1653, no entanto, a assembleia nacional aconselhou o tsar a “colocar o ‘hetman’ Bohdan Khmelnitski [com o exército de cossacos e suas terras] sob sua proteção para salvar a fé ortodoxa [já que os poloneses eram católicos] e as igrejas sagradas de Deus”.

No ano seguinte, o tsar finalmente decidiu apoiar a causa cossaca. A guerra com a Polônia durou 13 anos e terminou com a reconquista de Smolensk e a tomada do leste da Ucrânia pela Rússia tsarista.

Aleksandr 3°

Aleksandr 3° ganhou o apelido de “pacificador” porque a Rússia não teve guerras sob seu reinado, entre 1881-1895.

"Todo aquele que tem coração não pode desejar a guerra, e todo governante que Deus confiou às pessoas tem que fazer o máximo possível para evitar os horrores da guerra", dizia o tsar.

Retrato de Aleksandr 3° por Ivan Kramskoi.

Ele chegou ao poder em 1881, após o assassinato de seu pai, Aleksandr 2°, reconhecido por seu ímpeto reformador. Mas o filho freou as políticas reformistas do pai e trilhou um caminho mais conservador.

A ameaça de uma grande guerra só surgiu uma vez durante seu reinado, em meados da década de 1880. A Rússia tomou, por meios pacíficos, grandes áreas do Turcomenistão e se aproximou do Afeganistão, onde encontrou os britânicos cuidadosamente observando seu avanço.

A colisão das duas grandes potências levou a uma batalha com as tropas afegãs sob o comando de oficiais britânicos. Os russos venceram e, mais tarde, o governo de Aleksandr conseguiu resolver a questão da fronteira com os britânicos.

Apesar de ser um conservador quando o assunto era política interna, Aleksandr alterou radicalmente a rota da Rússia nas relações internacionais. Ao invés de aliar o país à Alemanha, ele escolheu a amizade com a França. Mais tarde, a Grã Bretanha se tornou parte desta aliança.

Quem foi o padre que fundou a dinastia Romanov, que governou a Rússia por 300 anos? Descubra aqui!

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