De barman-espião a abertura para gringos, 15 fatos sobre a cultura de bar soviética

Bar no Hotel Intourist, em Moscou, em 1974

Bar no Hotel Intourist, em Moscou, em 1974

Yu. Levyant/Sputnik
Estas e outras curiosidades logo abaixo. 

1. Os primeiros bares da União Soviética apareceram após o 6º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, em 1957, sediado em Moscou. Os convidados acharam os cafés soviéticos insatisfatórios, e os líderes do Estado começaram a fazer reformas para mudar a situação – pelo menos, para os turistas. Casas de câmbio foram abertas em hotéis selecionados para quem chegava à URSS dos países capitalistas. Muitos navios a vapor com passageiros estrangeiros também tinham seus próprios bares. 

2. O estabelecimento de bares foi uma bom medida não só para melhorar a imagem do país, mas também para reforçar o orçamento do Estado. Os bares trouxeram para a URSS grandes rendimentos em moeda estrangeira, já que os estrangeiros gastavam bastante – ao contrário dos russos, que não eram permitidos nesses estabelecimentos.

3. O principal problema para abrir um café de tipo ocidental era a falta de móveis e equipamento adequados. Em São Petersburgo, no hotel Evropa, foi até usado o aparador de carvalho que pertencia a Nicolau 2º. As garrafas eram colocadas na parte superior, e a inferior tornou-se o sofisticado balcão do bar.

4. Não havia literatura profissional para barmen em russo. Por isso, tinham que ler revistas e jornais estrangeiros mantidos apenas em bibliotecas ou encomendar livros do exterior. O primeiro manual de instrução soviético para barmen só apareceu em 1978 e continha mais de 7.000 receitas.

5. Para um homem comum soviético, a palavra “bar” significava todos os vícios do mundo capitalista. A maioria dos barmen evitava falar sobre seu trabalho para escapar de conflitos; apenas os mais próximos sabiam sobre suas ocupações.                                               

6. Todos os barmen eram chamados de bufetchik na URSS, embora fossem cada vez mais comuns na sociedade. Em 1967, uma das maiores figuras da indústria de bebidas russa, Aleksandr Kudriavtsev, escreveu uma carta às autoridades e foi surpreendentemente agraciado. A partir de então, a profissão de barman foi oficialmente reconhecida na União Soviética.

7. Em 1982, Iúri Chadzilovski tornou-se o primeiro barman soviético a participar da competição mundial realizada em Praga. Ele esteve em todas as nomeações possíveis e precisou fazer vários tipos de drinques em 15 minutos. Como resultado, Chadzilovski venceu ouro por short drink e prata em todas as outras categorias.

8. Os bares eram usados pelo governo soviético como um instrumento de propaganda. Em 1965, na pequena cidade de Borisoglebsk, na fronteira entre a URSS e a Noruega, foi aberto um incomum bar onde os escandinavos podiam frequentar sem visto.

“Os estrangeiros podiam beber o máximo que conseguissem e pagavam menos que nos cafés noruegueses”, escreveu o jornal “Pravda”. O bar foi usado para exibições históricas e demonstrações de filmes sobre comunistas. Funcionou apenas por 59 dias e depois foi fechado; a Noruega tinha medo de estragar sua reputação na época da Guerra Fria e passou a proibir que os cidadãos do país fossem lá.                      

9. Todos os barmen que trabalhavam com estrangeiros eram obrigados a cooperar com a KGB e se tornarem membros do Partido Comunista. Eles passava por uma seleção muito rigorosa: era preciso conhecer vários idiomas e ser a personificação das virtudes soviéticas, além de preparar coquetéis para estrangeiros. Os barmen contavam aos agentes sobre os clientes e seus conhecidos soviéticos, especialmente as garotas locais que queriam “estabelecer relações internacionais”.

10. A decisão de colocar frigobares nos quartos de hotéis para estrangeiros em Moscou e São Petersburgo foi feita pelo governo soviético após os Jogos Olímpicos de 1980, quando foram recebidas várias queixas sobre a ausência do serviço. A URSS levou cinco anos para concluir isso. Era necessário encontrar geladeiras pequenas, elegantes e apropriadas, bem como iniciar a produção de garrafas pequenas com álcool de qualidade. Os frigobares da URSS foram equipados pela primeira vez em 1985. 

11. Os soviéticos comuns não tinham permissão para entrar nos bares para estrangeiros; nem mesmo os diplomatas deveriam frequentá-los, pois isso poderia estragar a imagem do país comunista, como se os oficiais aceitassem o estilo de vida ocidental.

Até os anos 1970, os soviéticos podiam beber álcool nos restaurantes e nos chamados “riumotchnaia”, cujo nome pode ser traduzido aproximadamente como “um lugar para tomar shots de vodca”. Mas eles eram diferentes dos bares que se conhece hoje: não havia assentos, e os frequentadores ficam em pé ao redor de uma mesa alta. Também não havia variedade de bebidas e alimentos: apenas sanduíches e vodca.

Quando o primeiro bar para pessoas comuns abriu, a alegria foi geral. O drinque mais caro do local era o coquetel preferido de Ernest Hemingway, daiquiri. Custava 2 rublos e 1 copeque – o mesmo preço que se pagava por 17 kg de cenoura na época.

12. Vodca, suco de seiva de bétula e de cranberry viraram ingredientes importantes de coquetéis russos durante a época soviética. De acordo com a Associação de Barmen de São Petersburgo, eram apreciados por estrangeiros como algo peculiar e exótico.

13. Os primeiros bares do Aeroporto Sheremetyevo-2 começaram a funcionar em 1980, quando os Jogos Olímpicos foram realizados na URSS. Pelas regras, “aqueles que tiveram a honra de servir os convidados tinham de ser simpáticos e atenciosos”. Foi um enorme desafio para o setor de hospitalidade e serviços soviético.  

14. Durante a década de 1970, os bares soviéticos para estrangeiros tornaram-se praticamente o primeiro lugar onde os cartões de banco foram aceitos na URSS. Os barmen eram instruídos sobre como processar pagamentos pelos funcionários do Inturist (organização que regulava o turismo) e do Banco Econômico Externo.

15. A União Soviética é o lar da teoria original da mistura de coquetéis. Para cada um dos 55 grupos de bebidas, os barmen criaram uma fórmula algébrica, que ainda é boa tanto para preparar coquetéis amplamente disseminados quanto para inventar novos. Os ingredientes são indicados com letras, e sua proporção é marcada com números.

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