O resgate do camarada Lênin: como o famoso cadáver foi salvo dos alemães

Sergey Guneev/Sputnik
Durante a Grande Guerra Patriótica, corpo de líder da Revolução foi secretamente transferido de Moscou para o remoto deserto siberiano.

Muitos pensam que o corpo do líder revolucionário Vladímir Lênin está repousando no mausoléu construído para esse propósito na Praça Vermelha desde a sua morte, em 1924. Quase isso, mas não completamente. Por quase quatro anos, enquanto a Segunda Guerra atingia a Rússia europeia, o corpo foi transferido para a Sibéria. Depois do envio secreto, foi mantido na região por quase toda a guerra.

Evacuação de emergência

As primeiras semanas da guerra contra a Alemanha nazista foram uma calamidade para a URSS. A Wehrmacht destruiu a Frente Ocidental Soviética em pouco tempo, ocupando a maior parte da região báltica, bem como a Bielorrússia e a Ucrânia ocidental. Embora Moscou não tenha sido imediatamente ameaçada, a liderança soviética começou a pensar em mudar os objetos de valor da capital, um dos quais era, sem dúvida, o corpo do “líder da Revolução Russa”.

Uma comissão especial criada para avaliar o potencial dano que os ataques aéreos alemães poderiam causar ao mausoléu concluiu que mesmo pequenas bombas seriam irreversíveis para o edifício e seu conteúdo.

Decidiu-se então transferir o corpo, e, uma ordem foi emitida em 3 de julho pelo Comissariado do Povo para a Segurança do Estado (NKGB), que mais tarde abandonou sua primeira letra para se tornar a KGB. De acordo com o documento, o corpo de Lênin deveria ser enviado por um trem especial para a Sibéria, para a cidadezinha de Tiumen. O local foi escolhido por Stalin porque não era um centro estratégico e, portanto, também não era um alvo primordial para os invasores.

A evacuação ocorreu em tempo: em questão de semanas, em 22 de julho de 1941, as primeiras bombas alemãs começaram a cair na capital soviética.

Trem secreto

O vagão de trem que levou o corpo de Lênin para a viagem estava equipado com amortecedores especiais e instalações para garantir o microclima necessário, tudo supervisionado por uma equipe de especialistas.

A segurança foi fornecida pelos oficiais da NKGB, tanto a bordo do trem quanto nas paradas ao longo do caminho, e a via ferroviária foi checada com antecedência.

A viagem até Tiumen, que teria sido de 1.500 km se o trem tivesse seguido diretamente para leste, foi prolongada por um grande desvio a norte via Iaroslavl. Os territórios desabitados da região de Iaroslavl foram escolhidos para evitar problemas.

O trem chegou com segurança a Tiumen em 7 de julho e foi recebido por líderes locais que só então descobriram a natureza do “pacote secreto”.

Exílio siberiano

O sarcófago contendo o corpo de Vladímir Lênin foi colocado no prédio desocupado de uma antiga escola. A equipe de especialistas em embalsamamento vivia nas salas vizinhas. A área externa era protegida pelo ramo da NKGB em Tiumen, e as internas eram guardadas por oficiais de segurança do Kremlin vindos de Moscou.

Apesar do novo cenário, a troca da guarda de honra continuou. A tradição era também reproduzida em Moscou para que ninguém suspeitasse que o mausoléu estava vazio.

O corpo de Lênin permaneceu em Tiumen por três anos e nove meses, até que, no início de 1945, a liderança soviética decidiu levá-lo de volta à capital.

Desta vez, porém, não houve pressa – o planejamento da operação de retorno demorou um mês. Em 26 de março, o corpo do líder bolchevique foi devolvido ao seu sarcófago de vidro dentro do mausoléu, onde permanece até hoje.

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