Sanatórios soviéticos que valem umas férias

Natalia Kupriyanova, Kliazma, Rússia, 2016

Natalia Kupriyanova, Kliazma, Rússia, 2016

Museu de Arte Multimídia, Moscou
Com arquitetura construtivista e mobiliário retrô, locais de tratamento e descanso são hoje hotéis e spas charmosos à beira do mar Negro.

Dmitry Lukyanov, sanatório “Alians”, Rússia, 2016

Nos últimos anos, o interesse pelo passado soviético, sobretudo a produção cultural, tem atraído cada vez mais pessoas. Marcas de moda se inspiram em estilos da época, e seu legado arquitetônico atrai pesquisadores e fotógrafos. Essa nostalgia soviética acaba, assim, se estendendo para as redes sociais.

Michal Solarski, sanatório “Aurora”, Quirguistão, 2016

O que explica o encanto pelo período? Provavelmente porque, durante décadas, o país esteve isolado da influência ocidental e tinha estética verdadeiramente única.

Michal Solarski, Khoja Obi Garm, Tadjiquistão, 2016

Em viagem à Rússia contemporânea, a fotógrafa britânica Maryam Omidi visitou um sanatório da época soviética, onde os cidadãos iam para descansar ou se tratar de alguma enfermidade. Enquanto relaxava no espaço retrô, que hoje funciona como um spa, Omidi teve a ideia de convidar amigos da Rússia, Polônia e Alemanha a viajar pelas repúblicas da ex-União Soviética e capturar imagens desses locais históricos.

Chuveiro Charcot, sanatório “Tselebni kliutch”, Iessentuki, Rússia, 2016

O resultado foi o livro “Férias nos Sanatórios Soviéticos”, publicado pela FUEL, editoria fundada por britânicos fascinados pelo passado soviético. Entre outros livros fotográficos que se tornaram campeões de vendas, a FUEL lançou uma obra sobre pontos de ônibus soviéticos, e outra sobre tatuagens de criminosos pelo mundo.

Dmitry Lukyanov, sanatório “Alians”, Jeleznovodsk, Rússia, 2016

Os fotógrafos visitaram sanatórios onde hoje funcionam vários tipos de estabelecimentos. Alguns foram convertidos em spas, com piscinas e onde são oferecidos diversos procedimentos estéticos.

Michal Solarski, sanatório “Aurora”, Quirguistão, 2016

Outros oferecem serviços de saúde, mas trabalham sobretudo como hotéis. As pessoas não se hospedam neles para receber cuidados médicos, mas para descansar. Muitas vezes, hóspedes mais velhos querem relembrar a infância na URSS.

Dmitry Lukianov, sanatório “Amra International”, Abecásia, 2016

Alguns sanatórios não mudaram absolutamente nada desde os tempos soviéticos: basta olhar para as cortinas vermelhas e a estátua de Lênin.

Michal Solarski, sanatório “Aurora”, Quirguistão, 2016

Para deixar o povo soviético “orgulhoso”, a maioria dos sanatórios dava especial atenção à arquitetura; vários deles foram construídos com tendências construtivistas.

Michal Solarski, costa do mar Negro, 2016

A região do mar Negro concentrava diversos sanatórios, e a maioria dos cidadãos soviéticos sonhava em obter o encaminhamento de um médico para se tratar na região. Com o ar embalado pelo aroma dos pinheiros e do mar, Sochi, Abecásia e Crimeia estavam entre os destinos mais populares.

Michal Solarski, sanatório “Miskhor”, Crimeia, Rússia, 2016

O resort de “Mineralni Vodi” (literalmente “água mineral”, em português) é uma espécie de “Poços de Caldas soviética”, onde as pessoas bebem água mineral, caminham por quilômetros ao longo de trilhas nas montanhas e fazem amizades. Aliás, este local é popular desde o século 19, antes mesmo da União Soviética, e é descrito no romance “Um herói de nosso tempo? (1840), de Mikhail Liérmontov.

A exposição “Férias nos Sanatórios Soviéticos”, dedicado ao livro da FUEL, acontece até 27 de maio no salão de exposição central Manege, em Moscou.

Da pose de gato à massagem facial, veja aqui como os soviéticos mantinham a forma. 

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