4 gênios que a Rússia perdeu para a emigração há um século

Estes quatro ilustres tiveram que deixar a Rússia para sempre há um século - mas houve centenas de milhares mais entre aqueles que amavam seu país mas precisaram fugir dos horrores da guerra civil.

Estes quatro ilustres tiveram que deixar a Rússia para sempre há um século - mas houve centenas de milhares mais entre aqueles que amavam seu país mas precisaram fugir dos horrores da guerra civil.

Georgi Trunov/Wikipedia; Karl Bulla/Wikipedia; Global Look Press; Sputnik
Há cem anos, durante um ínterim de apenas alguns anos, centenas de milhares de pessoas fugiram da Rússia, destruída pelas revoluções e pela Guerra Civil de 1917-1923. A maioria delas nunca retornou, e sua terra natal perdeu vários vencedores do Prêmio Nobel, gênios da música e escritores talentosos. Eles acabaram passando a vida no exílio, desejando retornar à pátria.

Centenas de homens e mulheres excepcionais estavam entre os que fugiram da Rússia entre 1917 e 1923 (os anos da sangrenta Guerra Civil). Apesar de deixarem o país e de criticarem duramente os soviéticos, eles continuavam a glorificar a Rússia no exterior por meio de trabalho árduo e realizações impressionantes. O Russia Beyond compilou uma lista com quatro dessas figuras:

1. Ivan Búnin (1870–1953)

Ivan Búnin, russo premiado com o Nobel e que odiava o bolchevismo e esperou pelo retorno da velha russa até o fim da vida.

Búnin, um escritor aristocrático russo que adorava a velha Rússia com suas propriedades e fazendas, não suportou a revolução de outubro.

Ele a viu, como observou o crítico literário Ígor Sukhikh, como "a cacofonia do tumulto" e odiava a coragem dos bolcheviques. Em 1920, ele deixou Odessa (hoje, território da Ucrânia) com a mulher e partiu para Istambul e depois para Paris.

"De repente entendi: estou no Mar Negro, em algum navio estrangeiro... A Rússia acabou, e assim o fez minha vida antiga", escreveu em suas memórias.

A família Búnin se estabeleceu na França, o autor continuou a escrever e permanecia a principal estrela da literatura emigrante (pelo menos antes de Vladímir Nabôkov ganhar popularidade), mas a família mal conseguia sobreviver.

Em 1933, Búnin ganhou o Prêmio Nobel de literatura. Então, perguntaram sobre sua cidadania, e ele respondeu: "exiliado russo".

Ele morreu em Paris, em 1953.

2. Serguêi Rachmaninoff (1873–1943)

Serguêi Rachmaninoff ficou famoso por seu trabalho como compositor e por suas performances extraordinárias como pianista. Após a revolução, ele continuava a ser um excelente músico, mas apenas no exterior.

Em 1917, Rachmaninoff já era compositor e pianista de fama mundial. Cético quanto às ideias comunistas, ele usou a primeira oportunidade que teve para fugir para a Europa através da Suécia e da Dinamarca, em 1918.

Ali, realizando concertos frequentes, dentro de um ano ganhou dinheiro suficiente para se mudar para os EUA, onde se dedicou a turnês como pianista e logo se tornou uma estrela.

Ele realizou, por exemplo 92 concertos no renomado Carnegie Hall, em Nova York, entre 1918 e 1943. Porém, escreveu apenas seis obras musicais durante esse período. Como compositor, foi-lhe difícil ficar longe de casa.

"Quando perdi minha pátria, também me perdi... Não tenho vontade de criar sem tradições e solo russo sob meus pés", dizia.

Durante a Segunda Guerra Mundial, ele se preocupou muito com a Rússia e chegou até a enviar dinheiro que recebeu por diversos concertos para o fundo do Exército Vermelho.

Infelizmente, porém, Rachmaninoff não viveu o suficiente para ver a vitória da Rússia. Morreu em 1943, em Beverley Hills.

3. Nikolai Berdiaev (1874–1948)

Filósofo profundo, Nikolai Berdiaev entrou em sérias contradições com os bolcheviques. Por isso, teve que escapar do país, já que aqueles duros com os que desafiassem seus ideais.

Filósofo que criou a concepção de "existencialismo religioso russo" e promoveu ideias libertárias em suas obras, Berdiaev não queria deixar a URSS. Mas sua crítica aos bolcheviques, que ele considerava muito racionais e rigorosos, não lhe deixarou escolha.

"[Após a prisão em 1922] as autoridades disseram que havia sido expulso iriam me executar se eu tentasse voltar", relembrou em suas memórias.

Junto a outros opositores do bolchevismo, Berdiaev foi forçado a abandonar a Rússia no chamado "navio filosófico".

Ele viveu na Alemanha e na França, nunca parou de escrever e se tornou bastante famoso no Ocidente, principalmente por seu livro "A Nova Idade Média". Ele próprio, porém, permaneceu sombrio e tinha saudades de seu país.

"Sou muito conhecido na Europa e na América, meus trabalhos são traduzidos para muitos idiomas. O único país que não conhece quase nada sobre mim é a minha Rússia", escreveu com tristeza.

4. Ígor Sikorski (1889–1972)

Independentemente do país onde vivesse, Ígor Sikorski era bom no que fazia, ou seja, projetar aeronaves. Mas ele manteve a Rússia no coração.

Antes da revolução, a posição de Sikorski na Rússia era mais que de alto nível: ele estava, literalmente, acima das nuvens. Projetista e aviador de aeronaves talentoso, ele criou o primeiro avião pesado do mundo com quatro motores e foi premiado com diversas ordens condecoradas pelo próprio tsar.

Como chefe de sua própria empresa, Sikorski produziu aviões para o exército russo durante a Primeira Guerra Mundial, mas perdeu tudo em 1917.

Leal a Nikolai II, ele fugiu da Rússia através da fronteira do norte, mudou-se para a França e depois para os EUA, onde começou tudo novamente.

A empresa Sikorsky Aircraft Corporation foi extremamente bem-sucedida nas décadas de 1940 e 1950, principalmente por seus helicópteros tecnologicamente sofisticados. Em 2015, a Sikorsky Aircraft foi adquirida pela empresa aeroespacial norte-americana Lockheed Martin.

O próprio Sikorsky foi fiel seguidor da Igreja Ortodoxa e patriota russo durante toda a vida, apesar de todo o sucesso que alcançou nos Estados Unidos.

"Deveríamos trabalhar e aprender todas as coisas que nos ajudarão a reconstruir nossa pátria quando ela exigir isso de nós", ele costumava dizer.

Leia mais sobre o “navio filosófico” em “Por que Lênin expulsou dezenas de intelectuais da URSS?”.

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