As 5 piores derrotas militares da história russa

O Socorro à Brigada Ligeira. Richard Caton Woodville Jr., 1897.

O Socorro à Brigada Ligeira. Richard Caton Woodville Jr., 1897.

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Da Suécia à Crimeia, passando pelo Império Otomano, país participou de inúmeros conflitos.

O exército russo alcançou não apenas vitórias gloriosas, mas também derrotas amargas. Algumas delas resultaram na perda de enormes territórios e chegaram a colocar em questão a existência do país. O Russia Beyond compilou uma lista das derrotas mais devastadoras:

Invasão mongol (1237-1240)

Conto da Destruição de Riazan. Manuscrito do século 16.

No início do século 13, soldados mongóis encontraram o Estado russo fragmentado e incapaz de resistir aos unidos invasores asiáticos. Os principados caíam, um por um, sob violento ataque mongol que foi marcado por uma pilhagem tremenda, destruição e aniquilação de parte da população.

Por muitos séculos depois, os principados russos foram dependentes econômica e politicamente do Império Mongol, e foram necessários anos e anos para restaurar as ruínas culturais e econômicas.

A Rússia se debateu contra um grave retrocesso em seu desenvolvimento, ficando muito atrás de outros países europeus.

A invasão reescreveu completamente o mapa político do Estado russo. Kiev, que foi tomada pelos mongóis em 1240, nunca retomou o status de cidade importante que teve na antiga Rus.

Principados eslavos ocidentais como Smolensk, Kursk e os territórios da Ucrânia e Bielorrússia moderna caíram na esfera de influência do Estado lituano, que se fortalecia e acabou absorvendo-os.

Uma bomba-relógio estava a caminho, porém, porque estas terras se tornaram ponto de disputa e razão de diversas guerras entre o Estado russo e a República das Duas Nações, também conhecida como Comunidade Polaco-Lituana.

Mesmo no século 20, as disputas entre a Polônia e a URSS diziam respeito a diversos desses territórios.

Guerra da Livônia (1558-1583)

Cerco de Pskov pelo Rei Polonês Stefan Batori. Karl Briullov, 1843.

Ivan IV, mais conhecido como Ivan, o Terrível, iniciou a guerra contra a decadente Confederação da Livônia para capturar seus principais portos e ganhar uma base de operações para o Grande Duque de Moscóvia na costa do Báltico.

Isto era muito importante para o crescente Estado da Rússia, porque seu acesso ao Mar Báltico havia sido limitado a um pequeno pedaço de terra subdesenvolvido na costa do Golfo da Finlândia.

O primeiro período da guerra foi exitoso para Ivan IV, e suas tropas tomaram parte significativa da Confederação da Livônia – território hoje correspondente ao da Letônia e Estônia.

Outras grandes potências, porém, não ficaram contentes em observar o crescente poder de seu vizinho ocidental. Por muitos anos a Rússia esteve em guerra tanto com a Suécia quanto com o Grande Ducado da Lituânia, qu em 1569 se uniu à Polônia.

A exaustiva guerra continuou por mais de 20 anos e terminou com uma grande derrota do Estado russo. A economia do país estava arrasada e os territórios a noroeste, despovoados.

Todos os territórios tomados originalmente da Livônia foram perdidos e devolvidos. Pior ainda, a Moscóvia perdeu os territórios na Finlândia e a maior parte de suas posses no Golfo da Finlândia. Apenas um pequeno pedaço de terra no estuário do Nievá continuo sob posse da Rússia, mas não provia o devido acesso ao mar.  

Agora, ao invés de uma Confederação da Livônia fraca, a Rússia tinha novos e poderosos inimigos em sua fronteira ocidental: a República das Duas Nações e o Reino da Suécia.

Foram necessários muitos anos e recursos para lidar com esses problemas mais tarde, durante a Grande Guerra do Norte (1700-1721).  

Guerra Russo-Otomana (1710-1713)

“Bataille du Prout”. Ilustração de William Hogarth (1697-1764) para a “Viagens”, de Aubry de la Motraye, 1724.

Pedro, o Grande, teve sucesso onde Ivan IV falhou: ele esmagou a Suécia e anexou suas ilhas ao longo do Báltico ocidental (Estônia, Livônia e Íngria) sob os termos do Tratado de Nystad de 1721.

Em 1711, porém, a guerra estava longe do fim e o tsar se viu em uma situação de vida ou morte que quase terminou com a destruição de seu exército inteiro.

Após a espetacular vitória da Rússia em Poltava em 1709, o rei sueco derrotado Karl XII fugiu para a cidade de Benderi, na Bessarabia, que então estava sob o governo otomano. As difíceis negociações entre o tsar e o sultão Ahmed III sobre o destino do rei sueco terminaram em um impasse.

O sultão estava ansioso por expulsar os russos do forte de Azov, na costa do Mar de Azov, que Pedro o Grande capturou entre 1695 e 1696 para dar à Rússia acesso ao Mar Negro por meio do Estreito de Kerch.

Em 1710, os otomanos traiçoeiramente declararam guerra à Rússia, e esta culminou com a Campanha do Rio Pruth do tsar.

Mas em 1711 um exército russo de 38 mil soldados liderados por Pedro, o Grande foi cercado por 190 mil soldados otomanos e crimeanos na Bessarábia.

Para evitar a destruição, Pedro foi forçado a aceitar as condições humilhantes do sultão, que foram registradas no Tratado de Pruth dois anos depois.

A Rússia concedeu Azov ao Império Otomano, destruindo todos os fortes na costa do Rio Azov e perdendo, assim, acesso ao Mar Negro.

Além disso, a Rússia perdeu controle sobre os cossacos de Zaporoj por quase 20 anos, já que esses passaram a ser controlados pelos otomanos.

Ainda assim, a pior consequência da derrota foi a destruição da primeira marinha russa, a flotilha do Azov.

Centenas de pequenos e grandes navios foram destruídos. Alguns foram vendidos e o destino dos outros continua desconhecido. A Rússia teve que recomeçar do zero suas políticas quanto ao sul.

Guerra da Crimeia (1853-1856)

Litogravura colorida a mão publicada na Itália em 1857 de evento no Dardanelos.

De certa maneira, a Guerra da Crimeia foi similar à da Livônia: a Rússia começou com êxito uma batalha contra um inimigo fraco, mas acabou o conflito sofrendo uma derrota nas mãos de uma coalisão de grandes potências.

De acordo com o Tratado de Paris (1856), a Rússia não perdeu muito território, mas perdeu o direito de ter uma frota no Mar Negro. Além disso, a Rússia abandonou suas alegações de proteger os cristãos no Império Otomano, cedendo este direito à Rússia.

Ela também perdeu a influência na Moldávia, Valáquia e Sérvia. Em geral, a guerra minou duramente a reputação internacional da Rússia.

O sistema financeiro do império foi quem mais sofreu. Com enormes dívidas, ele foi forçado a imprimir valor-moeda além do que podia e isso levou a uma drástica queda do rublo.

Apenas em 1897 o governo conseguiu estabilizar a taxa de câmbio ao adotar o ouro como padrão.

Entretanto, a Guerra da Crimeia forçou o governo a  lançar grandes reformas militares e econômicas, como a abolição da servidão em 1861.

Primeira Guerra Mundial (1914-1918)

Soldados russos durante capitulação (1914-1918).

A Grande Guerra, ou Primeira Guerra Mundial, como é chamada hoje, foi num grande desastre para o Império Russo e levou a seu colapso em outubro de 1917.

As baixas do conflito, que chegaram a 1,7 milhão, foram apenas o começo de um massacre ainda pior.

Apesar de a Rússia ter deixado a guerra com o Tratado de Brest-Litovsk em 3 de março de 1918, o país caiu em uma guerra civil de violência e destruição ainda maior.

Devido a sua paz separada com as Potências Centrais, a Rússia não teve lugar nas negociações de paz, apesar de seu impacto na vitória ter sido significativo, especialmente nos primeiros estágios da guerra.

Ao final, a Rússia perdeu cerca de 842 mil quilômetros quadrados (15,4% de sua área total no pré-guerra), onde viviam 31,5 milhões de pessoas (23,3% da população do império no pré-guerra).

A queda do Império Russo levou ao surgimento de novos Estados. A independência da Polônia foi restabelecida e a Letônia, Estônia, Lituânia e Finlândia ganharam status de Estados pela primeira vez em sua história.

Além disso, a Romênia ganhou a oportunidade de anexar a Bessarábia.

Até hoje, a situação geopolítica do Leste Europeu é caracterizado pelas relações difíceis entre os países que surgiram das cinzas do Império Russo em 1918.

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