Nos Urais pós-industriais, Neviansk se tornou o paraíso dos velhos crentes

Serguêi Poteriaev
Neviansk é uma cidade na região de Sverdlovsk, às margens do rio Neiva, a 100 km de Iekaterimburgo. Foi fundada em 1701 por decreto de Pedro, o Grande, com a missão de abrigar uma fábrica de ferro e fundição.

Um ano depois, em 1702, a propriedade da recém-criada fábrica de Neviansk passou às mãos da dinastia Demidov. Devido às condições específicas de trabalho, Neviansk atraiu um grande número de velhos crentes. Eles se sentiram atraídos para a fábrica porque lhes oferecia um refúgio de longo prazo da perseguição pelas autoridades e a oportunidade de encontrar um emprego e praticar livremente sua “verdadeira fé”.

Os velhos crentes de Neviansk foram os primeiros de qualquer fábrica dos Urais a serem registrados no primeiro censo de pesquisa de 1721: 29 pessoas ao todo. Nos séculos 18 e 19, os velhos crentes representavam uma grande parte da população de Neviansk.

Por decreto da imperatriz Anna Ivanovna de 12 de novembro de 1735, os velhos crentes  deveriam ser expulsos das áreas florestais e instalados e colocados para trabalhar em instalações industriais. Desta forma, Demidov podia usar a força de trabalho dos velhos crentes, enquanto estes podiam ter a certeza de que não seriam expulsos das fábricas ou obrigados a retornar ao seu local de residência original.

Em 1715, Nikita Demidov ordenou que se “fabricasse ferro para o Almirantado”. Um decreto emitido pelo Berg Collegium [Faculdade de Mineração] em 1726 assinalava: “Esse tipo de usina não se encontra em nenhum lugar da Europa, muito menos na Suécia”. A fábrica era cercada por uma fortaleza em três lados. No interior dessa fortaleza havia prédios fabris, uma casa senhorial e uma igreja de madeira.

Um decreto de 2 de novembro de 1736 ordenava que todos os recém-chegados, independentemente de crenças religiosas, “deveriam permanecer nas fábricas de Demidov para sempre”. Os afetados pelo decreto eram conhecidos como “eternamente rendidos”.

Os produtos da fábrica levavam a marca “Velho Sabre”, considerada uma das melhores da Rússia.

Os velhos crentes realizavam os trabalhos de fábrica mais qualificados (e, portanto, mais bem pagos). Também faziam tarefas auxiliares e fora da fábrica, como a colheita de carvão. Como carpinteiros profissionais, ferreiros, etc., podiam combinar o trabalho na fábrica com a fabricação e venda de produtos para uso industrial, ganhando assim um dinheiro extra.

Os comerciantes dos velhos crentes não apenas abasteciam as fábricas com todos os suprimentos necessários, mas também comercializavam os produtos da fábrica, atuando como compradores e revendedores atacadistas. Em 1763, o comerciante moscovita Jeremias Kharitonov, morador de Neviansk desde 1755, comprou vários utensílios e artigos de ferro por mais de 3.500 rublos, e outro comerciante, Afanasi Ryabov, fez o mesmo por 5.000 rublos, vendendo posteriormente o metal na região dos Trans-Urais.

Monumento na tumba de homem falecido em 1837

Na parte sudeste da cidade de Neviansk há um cemitério que ocupa uma área de 91 hectares. Os locais de sepultamento ficam perto da Igreja Ortodoxa da Ascensão e da capela dos velhos crentes da Exaltação da Cruz.

A igreja de madeira da Ascensão da Padroeira foi reconstruída a partir da capela erguida em 1866 e consagrada em 22 de outubro de 1871 em homenagem à Ascensão do Senhor. Ainda funciona como capela e é hoje um dos mais famosos santuários de velhos crentes nos Urais.

Devido à sua singularidade, o cemitério de Neviansk atrai todos anos um número crescente de turistas. O local é um terreno fértil para estudar a história dos Urais e do desenvolvimento industrial da região.

De acordo com dados de 2010, a população de Neviansk é de 25.000 habitantes.

A inscrição na pedra diz: “Eu amo Neviansk. P.S. Tiumên”. A cidade é famosa pela Torre Inclinada de Neviansk, que possui 57,5 ​​metros de altura e sua base, 9,5 metros quadrados. Com um desvio da vertical de aproximadamente 1,85 metro, a torre fica mais inclinada no nível inferior (3°16'). A data exata de sua construção é desconhecida, embora fontes diversas sugiram que tenha sido erguida entre 1721 e 1745.

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