Russos criam “Pokémon GO” que une diversão e consciência ecológica; saiba como participar

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Projeto fomenta consciência ambiental de forma divertida. Pessoas de mais de 24 países já aderiram à iniciativa, que poderá ser implantada também no Brasil.

Ganhar um prêmio ou enfrentar seus amigos em uma gincana pode ser apenas o empurrão necessário para que algumas pessoas comecem a se preocupar com o meio ambiente. Os Clean Games são uma competição entre várias equipes, na qual todos os participantes devem coletar e separar o lixo encontrado em alguma área e ainda ganhar prêmios por isso.

No dia do jogo, os participantes usam um aplicativo móvel especial, uma espécie de “Pokémon GO”, que mostra o mapa do território e os locais com o lixo que precisa ser coletado. A ideia é correr para as áreas sinalizadas, recolher os resíduos e entregá-los a voluntários; quem coleta mais lixo, ganha mais pontos. No placar on-line, é possível acompanhar a pontuação das equipes em tempo real.

“Os Clean Games são um programa divertido para toda a cidade, um festival, um jogo emocionante com prêmios, no qual os participantes procuram artefatos, resolvem enigmas ecológicos, coletam e separam o lixo e ganham pontos”, conta o idealizador Dmítri Ioffe. 

Pontos por lixo coletado

O projeto Clean Games começou em 2014, quando Dmítri trabalhava no mundo das startups de TI. Na época, ele estava desenvolvendo simultaneamente RPGs de ação tanto em áreas urbanas como em espaços ao ar livre. Certo dia, o desenvolvedor e seus amigos fizeram uma caminhada até o Lago Vuoksa, na Carélia, e ali se depararam com montes de lixo. Para ele, era óbvio que ninguém iria limpar as ilhas e as montanhas de lixo continuariam a crescer.

Foi então que Dmítri teve a ideia de criar um jogo em que o lixo fosse ouro, com a concessão de pontos e prêmios por recolhê-lo. “Queríamos que a limpeza fosse vista como um passatempo interessante e que não apenas as pessoas que já se dedicassem à proteção ambiental se juntassem a nós, mas também aquelas que ainda estão bastante distantes do assunto. Então, percebemos que seria mais fácil atrair gente se o jogo não fosse um RPG, mas sim um esporte, com regras claras para todos”, explica o fundador do Clean Games.

Todas as competições, que duram cerca de 1,5 a 2 horas, são gratuitas e podem ser realizadas em qualquer parte da Rússia e no exterior. O jogo em si requer uma hora e, no restante do tempo, há um piquenique e cerimônia de premiação para os vencedores.

Em geral, entre 30 e 1.500 pessoas costumam participar das atividades. Mas este ano, para o orgulho de Dmítri, a Spring Cup of Cleanliness, realizada nos dias 24 e 25 de abril, reuniu quase 4.000 participantes em uma região da Udmúrtia - cerca de 40% da população da área.

Para os promotores do jogo, esta é uma forma de ensinar aos jovens como separar e reciclar o lixo e os princípios básicos do consumo consciente de forma divertida. As crianças e adolescentes, por exemplo, podem consolidar conhecimentos teóricos adquiridos na escola.

Atualmente, há oito pessoas trabalhando em tempo integral no projeto, mas os Clean Games estão sendo organizados e executados por 250 a 500 coordenadores em muitas cidades e países diferentes, após receberem treinamento especial da equipe principal. Os coordenadores regionais dos jogos organizam equipes de ativistas e voluntários e, até agora, pessoas de 24 países em três continentes já adotaram a iniciativa. 

Jogadores conscientes

Nikita Rubtsov, um estudante de ecologia de 20 anos da Universidade Estatal Pedagógica Russa A.I. Herzen, soube do Clean Games por meio de seus colegas de curso. “Gostei do conceito, porque se pode usar o espírito de competição para entrar em times de todas as idades e ajudar a limpar a natureza e até ganhar um prêmio por isso. Queria participar dos jogos e contribuir para melhorar a situação ambiental da minha região”, conta Nikita.

“No final do jogo, é bom ver o progresso, especialmente nas fotos de antes e depois. Há um sentimento de orgulho e a constatação de que todos estamos aqui reunidos por um motivo maior”, acrescenta o estudante. Em abril passado, Nikita e sua namorada, Sofia, venceram não apenas o jogo daquele dia, mas a Spring Cup of Cleanliness.

Cidades menores da Rússia também já entraram no jogo. #GarbageMan, um super-herói da internet que sai em incursões contra o lixo duas vezes por semana e promove outros hábitos ecológicos úteis na cidade de Kostromá, foi um dos que se juntou à ação.

Os primeiros Clean Games de sua cidade aconteceram no final do verão de 2020 e, apesar do mau tempo, cerca de 50 pessoas marcaram presença. 

“O mais importante para mim é que os jogos não têm como objetivo apenas a limpeza, mas também a educação ambiental. É uma forma importante e eficaz de transmitir às massas a ideia de ter uma atitude responsável para com o meio ambiente, a importância da coleta seletiva de lixo e do consumo consciente”, destaca #GarbageMan.

Ao redor do mundo

Não demorou muito para a popularidade dos jogos se espalhar para outros cantos do mundo. O primeiro Clean Games fora da Rússia foi realizado na Índia em 2017. Em 2018, os jogos também foram realizados no Japão graças a uma jovem de São Petersburgo que conhecia a iniciativa e é casada com um cidadão japonês.

Na Dinamarca, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Ucrânia e Bielorrússia, os jogos foram realizados no âmbito do primeiro e do segundo Clean Games da Copa do Báltico. Em 2020, a Copa Intercontinental Rússia-EUA aconteceu como parte do programa Russo-Americano “Compartilhando Experiência Social e Conhecimento”, da Fundação Eurasia. Na ocasião, os jogos foram realizados simultaneamente em 11 cidades russas e nove norte-americanas.

“Eu quis participar da organização dos jogos porque, embora fosse uma forma única de limpar nossa comunidade, também era uma maneira incrível de se conectar com a Rússia por meio de iniciativas de diplomacia cidadã. Encarei como uma forma divertida de conectar nossas comunidades para o belo objetivo de limpar nosso planeta. Além disso, adorei a oportunidade de falar russo ocasionalmente no projeto”, explica Albert ‘A.J.’ Ulwelling, um aluno do segundo ano de Estudos Globais e Russo na Universidade Lawrence.

Segundo ele, seus colegas acharam “incrivelmente empolgante” o fato de também estarem competindo com times da Rússia. “Embora eu ame a língua russa [A.J. passou um verão na Moldávia aprendendo a língua e a cultura russa], para muitos dos meus amigos, esta foi uma maneira nova e empolgante de aprender mais sobre a Rússia. Sem política ou assuntos governamentais confusos, apenas comunidades, aprendizado e diversão”, acrescenta.

Você gostaria que os jogos acontecessem também no Brasil ou em seu país de residência? É muito simples! Escreva para os coordenadores dos Clean Games pelo e-mail hello@cleangames.org, assine um acordo não comercial (um documento que explica os termos da colaboração) e eles darão todo o apoio necessário aos organizadores locais.

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