Zonas de exclusão humana nos Urais inspiram exploradores urbanos estrangeiros; veja fotos

Estudantes internacionais que visitaram alguns dos terrenos industriais mais inóspitos da Rússia explicam por que querem voltar para novas experiências.

Jovens pesquisadores de 16 países participaram recentemente de uma expedição a áreas industriais na região de Tcheliabinsk, incluindo a fábrica de magnesita em Satka, as pedreiras surrealistas de Karabach, e uma estufa gigante em Tchurilovo. Após a viagem, os exploradores filmaram uma série de documentários e contaram ao Russia Beyond o que mais os impressionou.

Segundo o croata Igor Sladoljev, de 30 anos, o grupo foi levado em torno de alguns “lugares poderosos e surpreendentes”, como a pedreira e a fábrica de magnesita em Satka, e as fábricas em Miass e Tcheliabinsk. Mas a cena mais marcante durante a viagem foi a da mina de cobre em Karabach.

“Com seu longo sistema de transporte por teleférico, (a mina) se estende pela paisagem como um resort de esqui.”

“Toda vez que paramos à beira da estrada, observamos a paisagem ou a cidade de uma forma muito mais forte, mais próxima – e mais cinematográfica”, disse Igor. “Uma dessas paradas foi em um posto de gasolina na fronteira da Eurásia, perto de Zlatoust, com seu icônico mastro Europa-Ásia.”

A arquiteta de 27 anos Nashin Mahtani, da Indonésia, disse ter ficado impressionada com a diversidade da paisagem nos Urais. “Seria ótimo passar mais tempo nos locais de mineração e conversar com quem vive nessa área para entender melhor a transformação da paisagem ao longo do tempo e, especialmente, como essa mudança é vivenciada pelas pessoas em seu dia a dia.”

A pesquisadora urbana dos EUA Sofia Pia Belenky, de 29 anos, está familiarizada com o conceito de “monocidade”, pois cresceu em uma cidadezinha dominada pela produção de queijo, e disse que várias localidades que visitaram durante a viagem poderiam ser chamadas assim – dominadas por uma só indústria.

Segundo Sofia, tudo isso a fazer recordar de seus grandes centros americanos como o Google, “não tecnicamente cidades, mas esse campus oferece casas, estabelecimentos educacionais, academias e restaurantes. De certa forma, muitos desses complexos de tecnologia tornaram-se cidades de novas empresas, dando suporte e sustento à força de trabalho para maximizar sua participação e produção”, disse ela.

A estufa gigante de Tchurlovo foi a favorita do arquiteto e geógrafo grego George Papamatthaiakis, de 27 anos. “Visitamos esta ‘fábrica de legumes’ duas vezes no mesmo dia; uma vez no início da manhã, e outra vez tarde da noite”, contou.

“De manhã, nos levaram pelos diferentes setores de produção. Mas a experiência noturna foi tão impressionante, quando conseguimos ver milhares de lâmpadas iluminando o céu acima e a vizinhança ao redor do complexo agrícola.”

Sofia concorda com o colega de expedição. “À noite, o brilho da estufa se espalha pelo céu, em um nascer químico do sol. Também nos contaram que a vizinhança ao redor do complexo agrícola fica tão iluminada que as pessoas nos prédios dessa região não precisam acender as luzes em seus apartamentos.”

Durante a viagem, os pesquisadores presenciaram os dois lados diferentes da região dos Urais: além fábricas e minas, estiveram também em reservas naturais. Para o urbanista uzbeque Nabi Agzamov, de 29 anos, o contraste mais memorável foi entre a poluída cidade de Karabach e Turgoiak, o segundo lago mais limpo da Rússia. O lago coberto de neve o impressionou tanto que ele espera visitá-lo novamente.

Para os estudantes, visitar esses locais permitiu compreender o quanto os seres humanos são afastados dessas paisagens. “Ficamos do outro lado de janelas de vidro, em passarelas olhando para os canos sendo cortados, longe das faíscas voadoras em nossos jalecos e capacetes”, lembra Sofia.

“As máquinas moldavam as paisagens enquanto os humanos observavam monitores do conforto da sala de controle.”

A vontade de voltar à Rússia também é unânime. Além de outras cidades grandes como Perm, Irkutsk e Vladivostok, muitos sonham em visitar o norte do país, como Kamtchatka, e passar uma semana a bordo da Transiberiana.

Esta iniciativa foi parte do programa de pós-graduação “The New Normal”, do Instituto Strelka de Mídia, Arquitetura e Design, que explora as Zonas de Exclusão Humana. Durante a viagem, os estudantes internacionais produziram uma série de curtas-metragens experimentais cobrindo o tema proposto.

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