Fotógrafo de São Petersburgo produz álbum com imagens pitorescas da cidade; veja

Toda cidade tem seu próprio artista. Nova York tem Woody Allen. Dublin se orgulha de James Joyce, e o Rio, de Tom Jobim. O fotógrafo Aleksandr Petrosian, de São Petersburgo, capturou instantes únicos na chamada capital cultural da Rússia e está pronto para compartilhar registros de “São Pete” com os leitores do Russia Beyond.

Aleksandr Petrosian vem registrando sua amada cidade há 15 anos, desde que assumiu a fotografia como trabalho em 2000.

“Muitas vezes, tudo parece rotineiro: transeuntes desanimados com pressa, nada extraordinário acontecendo. Mas isso torna os momentos de alegria, excitação ou qualquer emoção pura ainda mais valiosos”, diz o fotógrafo.

“O clima aqui é bastante severo; por isso, não há vida vibrante nas ruas. São Petersburgo não é Índia ou Cuba, aqui as pessoas simplesmente se movem de a para b”, acrescenta Petrosian.

Em seu ofício, Petrosian se compara a um pescador.

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“Se você apenas captura a realidade como ela é, ela se torna interessante somente depois de muitos anos, mas de um ponto de vista puramente etnográfico”, explica.

O inverno, que nessa parte da Rússia pode durar até o começo de abril, não o abala: “A melhor hora é quando você sente a harmonia, então tudo funciona”.

“Todas as minhas melhores fotos foram tiradas aleatoriamente: às vezes, você está trabalhando o dia inteiro e não obtém nada de bom; mas, às vezes, você está apenas andando com uma câmera na mão e de repente registra o momento.”

Para os interessados em fotojornalismo, o russo recomenda o livro “O Momento Decisivo”, de Henri Cartier-Bresson. “Abrange o básico. Anos depois, aprendi muitos aspectos técnicos e truques psicológicos, é claro.”

“Eu viajo muito, mas geralmente não compartilho fotos das minhas viagens”, diz Aleksandr. Isso porque, segundo ele, “o olhar de um turista é menos pensativo, menos preciso. Registra apenas impressões fragmentárias e fugazes”.

O melhor lugar para vivenciar São Pete é, sem dúvidas, o seu centro histórico. “Eu não sinto a cidade quando estou nos subúrbios. Eles são tão uniformes e monótonos que você poderia estar em Moscou ou em Novosibirsk”, explica.

O centro, que tem apenas algumas dezenas de quilômetros quadrados, é familiar ao fotógrafo. “Sinto-me em casa. Conheço todos os cantos”, diz ele.

“Às vezes, é difícil porque o olho se acostuma com o ambiente, mas, em momentos de desespero, surgem sempre surpresas.”

Esse pedaço da cidade também o faz viajar no tempo. “Com a minha experiência, seria interessante voltar a Leningrado nos anos 1970 e 80, onde eu me lembro de ter crescido. Mas, desta vez, com a minha câmera.”

O álbum de fotos de Petrosian será lançado em breve. A obra irá se chamar “Kunstkamera” (Gabinete de Curiosidades), em referência ao famoso museu de São Petersburgo, com sua coleção de anomalias colecionadas por Pedro, o Grande.

O objetivo do fotógrafo é mostrar São Petersburgo e seus moradores em todas as suas cores: gentis e ingênuos, maus e assustadores. “É uma coleção de paradoxos. Alguns tendem a ser grotescos e absurdos, não há como fugir disso”, conclui.

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