‘Os russos são o povo mais antigo do mundo’ e outras teorias bizarras

Natalya Nosova
A Academia de Ciência os despreza e os jornais científicos os ignoram, mas, mesmo assim, esses especialistas da Rússia continuam expondo teorias sem pé nem cabeça.

A ‘Nova Cronologia’, de Anatôli Fomenko

Como outras disciplinas de humanas, história é uma ciência em que é difícil falar sobre uma verdade suprema. Muitas pessoas entendem isso – mas o matemático soviético-russo Anatôli Fomenko (nascido em 1945) vê a história oficial com uma espécie de ceticismo apaixonado, levando-o a um outro nível.

Fomenko, que dirige o departamento de geometria diferencial da Universidade Estatal de Moscou, acredita que a história humana é muito mais curta do que geralmente se pensa e remonta apenas até o século 10 d.C.. Segundo ele, muitas crônicas se recontam e utilizam nomes diferentes para as mesmas pessoas ou objetos geográficos.

A ‘Nova Cronologia’ é, em grande medida, uma grande mistureba, acreditam a maioria dos historiadores. O especialista em linguística histórica Andrêi Zalizniak destaca que, “nos livros de Fomenko, a linguagem parece uma substância homogênea espalhada por todos os países e eras”. Suas sugestões são bem radicais: por exemplo, de acordo com a “Nova Cronologia”, Irlanda e Rússia são o mesmo já que as palavras “irlandês” e “russo” possuem as mesmas consoantes (em russo). E isso não é tudo.

Segundo Fomenko, na Idade Média, a Rússia era parte de uma grande Horda Russa, uma mistura de Rússia medieval com o império de Genghis Khan – portanto, não houve invasão da Mongólia, pois russos e mongóis eram os mesmos. Todas as crônicas sobre as guerras entre os eslavos e os mongóis seriam, assim, “fake news” fabricadas pelos Romanovs para reassegurar seu direito de governar.

A Europa também não fica de fora dessa análise: todas as estátuas e artefatos antigos, afirma Fomenko, são falsificações feitas na época do Renascimento. Londres, por sinal, foi construída no Bósforo, pois Tamisa seria apenas outro nome para o estreito.

“Às vezes, parece que todos os trabalhos históricos de Fomenko são somente uma maneira de um matemático zombar dos estudiosos de humanas, cuja ciência é tão frágil que sequer podem fazer o mesmo sobre uma teoria científica”, diz Zalizniak.

Valéri Tchudinov ‘lê a Terra e Marte”

Enquanto Fomenko duvida da história, Valéri Tchudinov (nascido em 1942), um autoproclamado historiador que se formou na Faculdade de Filosofia da Universidade Estatal de Moscou, supõe que a civilização russa é a mais antiga do mundo.

Essa teoria poderia ser explicada pelo método exótico usado por Tchudinov: ele “lê” qualquer objeto, seja uma máscara de ouro, uma pintura de Leonardo da Vinci, ou mesmo um geoglifo, e vê letras eslavas que, segundo Tchudinov, formam palavras como HRAM YARA (Igreja de Yar, um deus pagão que ninguém, exceto o filósofo, conhece) e assim por diante. De acordo com Tchudinov, isso basta para concluir que os russos governam o mundo desde a antiguidade.

Além disso, os russos da antiguidade também seriam extraterrestres que chegaram à Terra, trazendo a civilização com eles – Tchudinov fez essa afirmação depois de “analisar” as superfícies da Lua, do Sol e de Marte. Talvez, não seja surpresa que até mesmo as manchas solares lembrem o ‘historiador’ do alfabeto russo.

Como era de se esperar, os círculos acadêmicos não aprovam teorias tão extravagantes. Para o linguista Vladimir Plunguian, os trabalhos de Tchudinov e Fomenko existem “100% fora dos parâmetros da ciência contemporânea”.

Ernst Muldachev e Sambala

A maioria dos teoristas que apoiam abordagens não acadêmicas não possuem formação histórica específica, e Ernst Muldachev (nascido em 1948) não é uma exceção. Esse cirurgião ocular diz ter realizado um “transplante de olho” bem-sucedido em uma cega usando retina e córnea de um cadáver em 2000. Alguns de seus colegas argumentam que isso é impossível – mas Muldachev bate o pé.

Suas opiniões históricas são igualmente intrigantes. De acordo com os livros e entrevistas de Muldachev, a humanidade originou-se de outras espécies – os atlantes: criaturas meio anfíbias que construíram as pirâmides egípcias há cerca de 75 a 80.000 anos e agora existem no estado de sono suspenso no Sambala, local místico no Tibete. Muldachev afirma que os viu durante suas expedições, mas nunca mostrou provas.

Em uma de suas entrevistas, ele disse ainda que a Terra é vazia “e, no plano em que vivemos, existe o reino dos mortos”.

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