Rússia nunca teve intenção de boicotar Rio-2016, diz Kremlin

Por enquanto, Klichina será a única representante do atletismo russo nas Olimpíadas do Rio

Por enquanto, Klichina será a única representante do atletismo russo nas Olimpíadas do Rio

EPA / Vostock-photo
Oficiais e atletas acusam Iaaf de assumir ‘dois pesos e duas medidas’ em decisões relativas à proibição do atletismo russo. Veredito final será anunciado no próximo dia 27.

A Rússia jamais apoiou o boicote dos Jogos Olímpicos de 2016, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmítri Peskov, a jornalistas nesta segunda-feira (11). “A Rússia sempre condenou as ideias de boicote [às Olimpíadas] e nunca foi a favor de tais ideias”, disse Peskov, ao comentar a recente decisão da Associação Internacional de Federações de Atletismo (Iaaf) de rejeitar os pedidos individuais de atletas russos para competir nos Jogos Olímpicos.

No sábado passado (9), a Iaaf anunciou que apenas um único pedido, o de Daria Klíchina, dentre os 136 atletas russos envolvidos no processo, teria cumprido os critérios da associação internacional. A saltadora em distância de 25 anos, que vive atualmente nos Estados Unidos, realizou todos os exames de doping fora da Rússia.

Apesar da decisão, Peskov prometeu que os atletas russos continuarão tomando as medidas cabíveis para defender seu direito de participar dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro.

“Não é hora de termos reações emocionais, este é o momento para formalidades jurídicas, que estão em curso”, afirmou o porta-voz. “Claro que, recorrendo a todos os tipos de instrumentos judiciais, os atletas russos e aqueles que defendem os interesses dos atletas russos usarão todos os mecanismos e irão até o fim”, completou.

Reações e esperança

Após a nova decisão da Iaaf, resta apenas uma esperança aos atletas russos. No próximo dia 21 de julho, o Tribunal de Arbitragem do Esporte (CAS), em Lausanne, irá anunciar o veredito de uma ação impetrada pelo Comitê Olímpico Russo (COR) em nome da equipe nacional de atletismo.

“Não há motivo para pânico. Estamos esperando a audiência e nos preparando para isso com ainda mais energia”, disse a chefe do departamento jurídico do COR, Aleksandra Brilliántova, à agência TASS.

O ministro dos Esportes russo, Vitáli Mutko, porém, lamentou a decisão tomada no sábado e apelou para a dissolução da Iaaf, que, segundo ele, estaria atuando de forma “ilegal”.

Em sua página no Facebook, o campeão mundial nos 110 metros com barreiras Serguêi Chubenkov, acusou a associação internacional de utilizar “dois pesos e duas medidas”. Desde agosto de 2015, o atleta enviou 10 amostras de urina para um laboratório da Iaaf na Suécia, mas os testes realizados em território russo não foram considerados confiáveis.

“Não tenho nada a ver com qualquer Rodtchenkov ou Stepanova, ou outros escândalos, intrigas e investigações. E ninguém está dizendo que eu tenho. Só que eu, ao contrário do resto do mundo, tenho que provar minha inocência só porque tenho cidadania russa”, disparou Chubenkov.

A bicampeã olímpica em salto com vara Elena Isinbaieva também manifestou posicionamento semelhante. “Não há nenhuma presunção de inocência por parte deles [da Iaaf]. Eles não conseguem provar quem na Rússia é honesto, e quem não é”, disse à TASS.

Ataque a Klíchina

Diversos internautas imediatamente acusaram Daria Klíchina, que agradeceu à Iaaf pela decisão a seu favor, de falta de patriotismo e solidariedade com seus companheiros de equipe.

Diante da enxurrada de críticas, a atleta se viu obrigada a esclarecer a sua posição. “Não comecei a treinar nos EUA com um treinador norte-americano um mês antes desta situação. Eu já vivo lá há três anos. É por isso que eu não acho certo me repreenderem e me chamarem de traidor da pátria. (...) Até o último momento, eu estarei na esperança não ir sozinha ao Rio. Nós todos queremos competir lá como uma equipe”, disse Klíchina, citada no site da Araf (Federação Russa de Atletismo).

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