Quatro atletas ‘limpos’ que têm chance de competir no Rio

Antes de decisão da Iaaf, Isinbaieva já teria se recusado a competir sob bandeira olímpica

Antes de decisão da Iaaf, Isinbaieva já teria se recusado a competir sob bandeira olímpica

Reuters
Decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) abre precedente para reavaliação de esportistas russos e possível participação de não envolvidos em polêmica de doping.

Uma nova esperança para alguns esportistas competirem sob a bandeira russa na Rio-2016, após o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, declarar na terça-feira (21) que a entidade respeitará a decisão da Iaaf (Associação Internacional das Federações de Atletismo) sobre a suspensão da equipe de atletismo russa em torneios internacionais. Segundo ele, a federação ficará responsável por avaliar os casos individuais de atletas com histórico limpo.

“Se houver atletas russos classificados, eles competirão como membros da equipe russa, porque apenas comitês olímpicos podem classificar atletas para os Jogos Olímpicos. Ao contrário da federação russa de atletismo, o Comitê Olímpico Russo não está suspenso”, declarou Bach.

O ministro dos Esportes russo Vitáli Mutko destacou à agência Tass que a Rússia está disposta a cumprir todas as condições do COI para a participação nas Olimpíadas do Rio de atletas não envolvidos em casos de doping. “Estamos prontos para todos os experimentos”, acrescentou.

Segundo o treinador-chefe da equipe nacional Iúri Borzakovski, os atletas russos irão apresentar uma ação judicial coletiva junto ao Tribunal Arbitral do Esporte, em Lausanne, para defender o seu direito de competir nos Jogos Olímpicos no Brasil.

“Uma decisão será tomada em breve, porque os atletas russos vão mover uma ação judicial coletiva no Tribunal para defender o seu direito de competir nos Jogos Olímpicos”, disse o treinador, também na terça-feira. “Os atletas limpos deverão ir para o Rio”, completou.

Confira abaixo quatro destaques do atletismo russo que poderão garantir o direito de participar do evento:

1. Elena Isinbaieva

Yelena Isinbayeva of Russia waits for her turn at the women's pole vault qualifying round during the IAAF World Athletics Championships at the Luzhniki stadium in Moscow August 11, 2013. Foto: ReutersFoto: Reuters

Bicampeã olímpica e com quase 30 recordes mundiais no currículo, a atleta russa Elena Isinbaieva, do salto com vara, retomou sua carreira esportiva após o parto justamente para participar dos Jogos Olímpicos do Rio. Sua última competição antes do torneio seria o campeonato nacional da Rússia, no qual obteve uma vitória na terça-feira (21).

“Eu não penso em outras opções para competir nos Jogos Olímpicos a não ser como parte da equipe nacional russa”, disse Isinbaieva à Gazeta Russa antes mesmo do anúncio de Bach esta semana.

Recentemente, a atleta publicou uma carta aberta no jornal “New York Times” pedindo para que a culpa pelas falhas no sistema nacional e de alguns membros da equipe não seja transferidas para os atletas “limpos”.

2. Serguêi Chubenkov

Russia's Sergey Shubenkov clears a hurdle on his way to place first in his men's 110m hurdles round 1 heat at the London 2012 Olympic Games at the Olympic Stadium August 7, 2012. Foto: ReutersFoto: Reuters

Serguêi Chubenkov se tornou uma sensação no campeonato mundial de 2015, em Pequim, conquistando o ouro nos 110 metros com barreiras, uma disciplina tradicionalmente vista como “desafiadora” entre os atletas nacionais desde a URSS.

A proibição da Iaaf atingiu o atleta no auge da sua carreira esportiva. Mesmo em competições nacionais nesta temporada, Chubenkov vem mostrando melhor tempo (13,24 segundos) do que líder mundial da temporada, o cubano Orlando Ortega.

No início de sua carreira, o russo largou as provas em equipe para ter responsabilidade pessoal por seus próprios resultados. No entanto, por ironia do destino, seu futuro esportivo está sendo agora decidido por outras pessoas.

3. Maria Kutchina

Russia's Maria Kuchina competes during the women's High Jump final of the Beijing 2015 IAAF World Championships at the National Stadium, also known as Bird's Nest, in Beijing, China, 29 August 2015. Foto: EPAFoto: EPA

Assim Chubenkov, Maria Kutchina é uma líder em sua disciplina, o salto em altura. Havia todos os motivos para esperar que, no Rio, ela pudesse repetir o triunfo do Mundial de Atletismo de 2015, quando superou duas ex-campeãs, a croata Blanka Vlasic e a também russa Anna Tchitcherova.

Kutchina treina atualmente em uma base remota no sul da Rússia, não muito longe de sua cidade natal Prokhládni. Apesar do rigoroso controle ao qual a equipe do atletismo tem sido submetida, a atleta nunca esteve entre os suspeitos de violação por doping.

“Funcionários da Wada me visitam uma vez por mês. Uma vez que eles vieram para o ginásio bem no meio de uma sessão de treinamento. Certo dia vieram até em casa. Às seis da manhã, a campainha tocou: ‘Sou um oficial da Wada. Estou aqui para ver Kutchina’, disse. Eu não me incomodo com nada disso. Estou pronto para vê-los todos os dias, se for necessário”, disse Maria em entrevista ao canal de TV Match.

4. Daria Klichina

Darya Klishina of Russia competes in the women's long jump final during the 15th IAAF World Championships at the National Stadium in Beijing, China August 28, 2015. Foto: ReutersFoto: Reuters

Daria Klichina é uma das atletas mais reconhecidas da Rússia. Destaque no salto em distância, foi vista, desde o início da carreira, como uma estrelas russas em ascensão, atraindo a atenção dos paparazzi nas pistas e também em sua vida social.

No último Mundial, porém, a atleta, que é representada pela agência esportiva IMG, mostrou pouco resultado ao terminar no 10º lugar. Nesta temporada, Daria tem se queixado da falta de prática em competições internacionais, uma vez que a proibição da Iaaf permite aos atletas russos competir apenas em eventos nacionais.

A atleta vem insistindo que, assim como o anúncio feito por Bach, cada atleta deva ser considerado individualmente. “Como todo mundo está sendo colocado sob um denominador comum, alguns atletas limpos estão até pensando em encerrar suas carreiras. Está errado. Cada atleta decide por si mesmo como está se preparando para as competições. E todos aqueles que têm reputação ilibada não devem sofrer por causa de alguém que tenha extrapolado o limite”, disse Klichina ao portal Sports.ru.

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