Jogador russo troca 2ª divisão em São Petersburgo por clube na Síria

Abdoulfattakh espera renovar contrato com Al-Jaish, que vence em junho

Abdoulfattakh espera renovar contrato com Al-Jaish, que vence em junho

Press Photo
Basel Abdoulfattakh, 26, nasceu e passou a vida inteira na Rússia. Mas, em janeiro de 2016, decidiu se mudar para a terra natal de seu pai, a Síria, onde passou a jogar em um dos principais clubes locais. Em entrevistas à mídia russa, o zagueiro falou sobre sua nova vida em um país dilacerado pela guerra civil.

Em janeiro de 2016, a Rússia presenciou o que, talvez, seja a transferência de futebol mais inusitada dos últimos anos. Não teve nada a ver com contratos milionários com estrelas como Hulk ou Samuel Eto'o. O jogador russo Basel Abdoulfattakh, que atuava pelo clube da segunda divisão Dínamo de São Petersburgo, resolveu mudar-se para Damasco, capital síria, onde passou reforçar a equipe do Al-Jaish.

Segundo Abdoulfattakh, sua principal motivação foi a oferta inicial para jogar pela seleção nacional síria. Apesar de ter se formado na academia juvenil do Zenit de São Petersburgo, um dos principais clubes da Rússia, o zagueiro desistiu de tentar entrar para seleção juvenil russa e jogou em vários times da segunda divisão nos últimos anos.

“A opção da Síria surgiu inicialmente dois ou três anos atrás”, disse Abdoulfattakh ao site de notícias esportivas R-Sport.

“Na época, fui contatado pelo treinador da seleção nacional síria, Anas Makhlouf. Ele me perguntou se me via em alguma seleção. Meu pai e eu discutimos o assunto – por que não dar um giro de 360 graus na minha carreira? A primeira vez que nós dois fomos à Síria foi no verão de 2015, sem saber o que sairia dali.”

O pedido de cidadania ficou, no entanto, parado, e Abdoulfattakh não conseguia encontrar um emprego. Por seis meses, teve de se manter em forma por conta própria. Foi então que, em janeiro de 2016, Abdoulfattakh foi convidado a jogar pelo Al-Jaish, um dos times mais fortes da Síria.

Para os comentaristas, a decisão do jogador pode ser compreensível, já que Abdoulfattakh é filho de imigrante sírio, chegado à Rússia nos anos 1980 para estudar engenharia, com uma russa. Mas, apesar de suas raízes, o jogador se descreve como russo. Nascido em São Petersburgo, cresceu de acordo com as tradicionais do país e quase não fala árabe.

Vida que segue em Damasco

De acordo com o jogador russo, a vida em Damasco mudou para melhor ao longo dos últimos meses.

“Quando voamos para cá pela primeira vez foi um pouco assustador. Um monte de postos de controle, todas as pessoas em uniforme do exército, checagem de documentos em todos os lugares. Não se podia ir a lugar algum sem passaporte. A situação era muito tensa. Aviões de guerra sobrevoavam Damasco a cada 10 minutos, havia disparos, ouvimos explosões”, contou.

Foto: Basel Abdoulfattakh. Source: PhotoXPress Abdoulfattakh Foto: PhotoXPress

No entanto, segundo Abdoulfattakha situação teria mudado desde que a Rússia lançou a sua campanha aérea na Síria. “Não há nem aviões nem tiro agora”, disse. “Silêncio absoluto.”

“Os tempos são difíceis, metade do país está sob lei marcial”, disse ao R-Sport. “Mas duas cidades – Latakia e Damasco - são absolutamente seguras. “Os sírios são pessoas muito positivas, sempre felizes, brincando e sorrindo. O pessoal do clube nos convidou para tomar chá, nos mostrou a cidade.”

Futebol militar

Vinte equipes participam do atual Campeonato Sírio, e as partidas são realizadas apenas em Latekia e Damasco. “Há poucas pessoas nos estádios”, disse o jogador.

“Embora eu tenha visto fotos antes da guerra, e era um espetáculo glorioso: campos excelentes, arquibancadas cheias. Por exemplo, eles construíram um estádio para 75 mil pessoas em Aleppo em 2007; este é o maior estádio no Oriente Médio e o terceiro maior da Ásia. Infelizmente, não dá para jogar lá agora.”

O clube de Abdoulfattakh, o Al-Jaish, é de propriedade do Exército sírio. “Até mesmo o campo de treinamento está localizado em uma base militar. De tempos em tempos, os dirigentes do clube aparecem – oficiais de uniforme, os generais.”

O atual contrato de Abdoulfattakh com o Al-Jaish é válido até junho. O jogador diz não ter planos específicos para o futuro, mas espera continuar jogando pelo time sírio.

“Eu treinei com a equipe em declínio”, disse. “Metade da equipe joga em outros países asiáticos, Emirados Árabes Unidos, Qatar. Os jogadores sírios estão em grande demanda, porque a escola local é vista como a mais forte na Ásia, junto com a do Irã.”

Com base em artigos publicados pelo Sports.ru e R-Sport

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