Presidente russo comenta prisão de dirigentes da Fifa

Pútin comparou prisões a casos de Edward Snowden e Julian Assange. Foto: Reuters

Pútin comparou prisões a casos de Edward Snowden e Julian Assange. Foto: Reuters

Pútin declarou que prisões são "tentativa dos EUA de difundir sua jurisdição a outros países" e tentam impedir reeleição de Joseph Blatter à federação de futebol. Presidente da Fifa diz que se país não tivesse sido selecionado como sede, organização não enfrentaria os problemas atuais.

Nesta sexta-feira (29), o presidente da Fifa, Joseph Blatter, declarou que problemas atuais que levaram à prisão de dirigentes da federação na última quarta-feira na Suíça não ocorreriam se Rússia e Catar não tivessem sido escolhidos como sedes das Copas de 2018 e 2022, respectivamente.

"Em 2 de dezembro, aqui em Zurique, quando decidimos as duas sedes em uma sessão, se outros países tivessem saído do envelope, acho que não teríamos este problema hoje", disse.

Na quinta-feira, um dia após o ocorrido, o presidente russo Vladímir Pútin disse considerar a prisão de dirigentes, entre eles o vice-presidente da CBF, José Maria Marin, uma tentativa dos EUA de difundir sua jurisdição a outros países e impedir a reeleição de Blatter à presidência da Fifa.

"Esta é mais uma clara tentativa [dos EUA] de difundir sua jurisdição sobre outros países. E certamente, eu não tenho dúvidas sobre isso, é uma tentativa clara de impedir a reeleição do senhor Blatter ao cargo de presidente da Fifa, o que representa uma uma violação flagrante do princípio de funcionamento das organizações internacionais", lê-se no site oficial do presidente russo.

Pútin afirmou ainda que Blatter sofreu pressão quando a Fifa votou pela concessão à Rússia do direito de sediar a Copa de 2018.

"Como sabemos, na sexta-feira deveriam se realizar eleições para a presidência da Fifa, e o senhor Blatter tem todas as chances de ser reeleito. E nós conhecemos a a pressão que foi exercida sobre ele com o objetivo de proibir a realização do campeonato mundial de futebol de 2018 na Rússia", diz Pútin.

Ele ainda comparou o escândalo em torno da federação com os casos do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, e do analista da NSA Edward Snowden.

"Infelizmente, nossos parceiros americanos usam esses métodos para alcançar seus objetivos egoístas, e o fazem de maneira ilegal, perseguem pessoas. Não excluo que o caso da Fifa seja do mesmo tipo", afirmou o líder russo.

Ao contrário, porém, das afirmações de Blatter, Pútin disse acreditar que a prisão dos dirigentes da Fifa não tem relação com a Rússia.

Na última quarta-feira (27), a polícia suíça prendeu diversos dirigentes da Fifa sob a acusação de corrupção. As prisões foram resultado de investigações conduzidas concomitantemente na Suíça e nos EUA, e dizem respeito à escolha, há cinco anos, do Catar e da Rússia como sedes das Copas de 2022 e 2018.

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