Crise do rublo atinge setor de esportes

Rússia deve sete meses de salário a treinador da seleção Fabio Capello Foto: Aleksêi Filipov/RIA Nóvosti

Rússia deve sete meses de salário a treinador da seleção Fabio Capello Foto: Aleksêi Filipov/RIA Nóvosti

Desvalorização da moeda gera atraso de salários e descontentamento entre profissionais do ramo.

Diante da queda do rublo, cada vez mais clubes declaram ser incapazes de pagar salários jogadores e treinadores em tempo. O maior escândalo dos últimos tempos tem como protagonista o treinador da seleção russa, Fabio Capello, que não recebe o salário previsto no contrato há sete meses.

De acordo com site bettingexpert.com, tanto os clubes de futebol “pobres”, do gênero do Rostov e do Amkar, como os mais ricos, que possuem jogadores estrangeiros com salários são fixados em moeda estrangeira, estão enfrentando problemas financeiros.

Exemplo disso é o jogador mais caro do Campeonato Russo, o brasileiro Hulk, que recebe 7 milhões de euros por ano para integrar a equipe do Zenit. A conversão deste valor em rublo está tornando o salário do atacante impraticável, afirmam os dirigentes do clube.

Até mesmo os presidentes dos dois maiores clubes russos de futebol, o Spartak e o CSKA, concordam que “ficou mais difícil viver sob as novas condições”.

Os comentaristas esportivos acreditam que não convém esperar grandes resultados esportivos das equipes atingidas pela crise e alertam: alguns clubes simplesmente não conseguirão sobreviver ao inverno de 2015.

Crise dupla

No mês passado, o treinador do FC Rostov, Miodrag Božović, abandonou o clube. Mas, embora a equipe não recebesse salário há cinco meses, essa não foi a única razão para a saída repentina.

Por fazer fronteira com a Ucrânia, a região de Rostov acolhe muitos refugiados, e o governo local vem canalizando gastos significativos não planejados. Assim, o futebol passou para segundo plano na distribuição das finanças locais.

Não é de se admirar, portanto, que o lanterna FC Rostov seja o principal candidato a rebaixamento para a segunda divisão.

Atraso geral

Os especialistas garantem, contudo, que o futebol não é a única modalidade esportiva vítima da crise financeira. Devido a dificuldades econômicas, o time de basquete Ural saiu da Copa da Rússia, e o jogador norte-americano Michael Snaer rescindiu o contrato com o clube.

A participação do Ural na Super Liga, onde a equipe ocupa atualmente a terceira posição, ainda permanece uma incógnita.

Enquanto isso, os jogadores de hóquei do Dínamo de Riga foram avisados, em agosto do ano passado, que receberiam o primeiro salário da temporada 2014-2015 apenas em outubro. Com os atrasados pagos, a equipe obteve uma série de vitórias em meados de novembro, mas continua ainda fora da zona dos playoffs.

 

Publicado originalmente no bettingexpert.com

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