2014, o ano da bola fora no futebol russo

Momento da partida que marcou a derrota do CSKA Moscou para o Bayern de Munique Foto: AP

Momento da partida que marcou a derrota do CSKA Moscou para o Bayern de Munique Foto: AP

As recentes eliminações do CSKA Moscou e do Zenit São Petersburgo na Liga dos Campeões encerraram um ano decepcionante para o futebol russo. A saída da Copa do Mundo no Brasil ainda na fase de grupos, o desempenho fraco das equipes russas nas eliminatórias do Campeonato Europeu e os diversos escândalos envolvendo atos racistas indicam que a Rússia tem um grande trabalho a fazer, dentro e fora de campo, antes de 2018, quando o país receberá a próxima edição da Copa do Mundo.

O sonho da Liga dos Campeões foi adiado por mais um ano. Depois da derrota do CSKA Moscou para o Bayern de Munique por 3-0, a última chance de participação da Rússia no campeonato foi por água abaixo. Um dia antes, o líder do campeonato russo Zenit São Petersburgo havia sido eliminado da Liga dos Campeões, após perder para o Mônaco por 2-0. Ainda assim, não se pode menosprezar a pressão exercida pelas equipes sobre seus adversários.

O mesmo não pode ser dito sobre a seleção russa na Copa do Mundo do Brasil, em meados deste ano. O que era para ser uma oportunidade para a Rússia de mostrar sua força, antes de sediar o torneio em 2018, revelou-se como um grande fiasco. A equipe nacional não conseguiu vencer as seleções da Bélgica, da Argélia ou da Coreia do Sul – das quais nenhuma pode ser considerada uma superpotência do futebol.

Depois do Mundial, a equipe sofreu uma avalanche de críticas. Os políticos jogaram toda a culpa no bem-remunerado técnico Fabio Capello, cujo acordo de 11 milhões de dólares por ano faz dele o treinador de seleção mais bem pago do mundo.

Mas o pior estava para vir com a performance da Rússia nas qualificatórias para a Euro 2016. Logo de cara, a seleção perdeu para a Áustria e não conseguiu superar a insignificante equipe da Moldova, ficando em terceiro lugar no grupo e perdendo uma vaga automática para o torneio. A equipe de Capello termina este ano com uma única vitória em seus últimos oito jogos oficiais, na partida contra Liechtenstein – o que é praticamente uma “vitória garantida” no mundo do futebol.

Assim, Capello tem muitos problemas pela frente. Considerando sua permanência à frente da seleção russa, ele terá que, em breve, começar a construir a equipe para a Copa do Mundo de 2018 – o que não vai ser fácil. Muitos dos principais jogadores russos da atualidade estarão velhos demais em 2018, e há uma verdadeira falta de jovens talentos – em parte, como consequência da turbulência e da pobreza da sociedade russa na década de 1990, quando os jovens estariam começando a mostrar seu potencial e entrando nas academias dos clubes nacionais.

Assim como a equipe nacional, os problemas fora de campo se sobrepõem às conquistas em campo. Repetidos casos de racismo por torcedores russos do CSKA levaram a sanções da Uefa, que obrigou o clube a jogar todos os seus jogos em casa da Liga dos Campeões com estádio vazio. Também foram muitos os casos de torcedores entoando cânticos racistas e gritos de “macaco” dirigidos a jogadores negros durante jogos do campeonato russo.

A derrocada do rublo também vem causando problemas para os clubes russos, que costumam pagar seus jogadores em euros. Como esses atletas continuam ganhando a mesma quantia, a enorme diferença na taxa de câmbio está sendo compensada pelos próprios clubes.

Com a Copa do Mundo à porta, o futebol russo tem a promessa de um futuro brilhante, mas, este ano, o futuro, por vezes, pareceu bem mais distante do que a realidade. Alguns problemas se referem a aflições temporárias, porém, outros, especialmente a postura racista nas arquibancadas, exigirão um grande esforço por parte das autoridades. As mudanças necessárias estão longe de serem impossíveis, mas obrigam os dirigentes do futebol russo a deixar as diferenças de lado.

 

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