Lutadores do Cáucaso conquistam espaço nos torneios de MMA

Conheça o segredo do sucesso de esportistas oriundos do montanhoso sul da Rússia.

Existe uma nova força crescendo vertiginosamente no mundo das artes marciais mistas (MMA, na sigla em inglês). Os lutadores russos invadiram os principais campeonatos do mundo, como  Bellator e UFC, e a maior parte desses esportistas são oriundos do Cáucaso, no sul do país.

Os caucasianos Rustam Khabilov, Khabib Nurmagomedov, Ali Bagautinov e Adlan Amagov são alguns dos nomes que vêm se destacando nos torneios internacionais. O fenômeno não causa surpresa, entretanto. A região montanhosa no sul da Rússia é há muito tempo berço de talentos das artes marciais, sobretudo luta livre e muay thai – as bases de combate de MMA.

Para os comentaristas locais, a razão de os caucasianos se manterem no topo das competições é a educação patriarcal dos povos do Cáucaso: desde a mais infância, os meninos locais escutam dizer são “guerreiros”, criados acima de tudo para proteger a si mesmo e a seus entes queridos.

Barras e ursos

Lutador profissional e um dos finalistas do reality show ‘M-1 Fighter’, Imin Gasanbekov conta que, durante o recreio escolar, as crianças do Cáucaso não correm para se esconder em um canto e fazer algo proibido. Ao contrário da maioria dos jovens russos, elas seguem para as barras fixas e paralelas. “Ali mesmo começa a competição: quem consegue fazer o maior número de elevações na barra fixa e os melhores truques”, relembra. No caso do lutador Khabib Nurmagomedov, o estímulo inicial foi um pouco diferente: seu pai lhe propôs treinar os primeiros golpes contra um urso.

Se algum deles preferir ser o mais inteligente, em vez de ser o mais forte, o campeão mundial de taekwondo, Arbi Ordachev, adverte: “Ele terá que aguentar muita coisa. Aqui não se pode, em caso algum, mostrar sinais de fraqueza”.

Recentemente, o lutador tchetcheno entrou no ringue do combate final do Campeonato da Rússia com uma ruptura nos ligamentos do tornozelo. “Não dá nem para dizer que entrei, o correto é dizer que pulei para dentro do ringue apoiado em um só pé”, conta. Apesar de 90% dos golpes de taekwondo serem executados com os pés, o atleta seguiu até o fim. “Se o meu pai souber que eu não vim para o combate, isso será uma vergonha.”

Vencer no braço

O campeonato de luta livre da República do Daguestão não fica atrás do torneio nacional em termos de nível de atletas. Mesmo porque em uma só categoria entram no tapete os quatro melhores lutadores da seleção nacional. A enorme concorrência faz com que muitos lutadores se vejam obrigados a seguir para outras regiões ou até países.

No entanto, para muitos atletas da região, entrar para a seleção nacional é, provavelmente, uma das poucas chances de vencer na vida.  Os lutadores do Daguestão ficam tão focados nos resultados que existem casos de brigas durante o treinamento, como já ocorreu entre Ali Bagautinov e Rustam Khabilov.

Voando alto

Khabib Nurmagomedov é um dos lutadores caucasianos que mais se sobressai nos eventos de UFC. O esportista é conhecido por levar ao público norte-americano um pouco do colorido de sua região de origem: conhecido como Águia, Khabib enfrenta os adversários com uma papakha (tipo de gorro de lã tradicional do Cáucaso) na cabeça.

“Eles têm uma atitude fantástica em relação ao trabalho, estão sempre prontos para treinar duro. Às vezes, até fazem os americanos se sentirem preguiçosos”, diz o campeão de UFC Jon Jones. A estrela japonesa do MMA Yasubey Enomoto também reconhece a força e técnica dos lutadores do Daguestão, destacando a excelência de Chamil Zavurov.

Em outubro de 2013, a capital daguestanesa Makhatchkalá inaugurou a Academia de Artes Marciais. O produtor-geral da organização Fight Nights e vencedor da taça do mundo de jiu-jitsu, Kamil Gadjiev, parabenizou a iniciativa e disse que o novo espaço no Daguestão ajudará a Rússia a “ter ainda mais campeões locais”.

 

Melhores momentos de Khabib Nurmagomedov Fonte: YouTube

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