Estreia russa na Fórmula 1 arranca elogios de espectadores

Pista de 5.853 metros é uma das mais compridas da F1 Foto: Vladímir Anossov/RG

Pista de 5.853 metros é uma das mais compridas da F1 Foto: Vladímir Anossov/RG

Sôtchi, cidade na costa do mar Negro, sediou o primeiro Grand Prix da história do país. Com plateia russa em peso, evento aproveitou experiência adquirida na organização das Olimpíadas de Inverno.

“Nunca pensei que na Rússia as pessoas tivessem tanto interesse e amor pela Fórmula 1. É ótimo ver milhares de pessoas nas arquibancadas”, declarou o piloto inglês Lewis Hamilton, após cruzar a linha de chegada e vencer o 1º Grand Prix de F-1 no país. Mas a popularidade da F-1 em território russo não foi uma surpresa só para Hamilton.

O próprio arquiteto-chefe da pista de Sôtchi, Hermann Tilke, não acreditava que o evento conseguiria atrair tantas pessoas para ocupar os 55 mil lugares disponíveis no autódromo. Ao fim da corrida, Tilke fez questão de se corrigir, acrescentando que “sempre esperou um êxito”.

A pista de 5.853 metros, uma das mais compridas e interessantes da F-1, dividiu elogios com a qualidade da organização e as vistas panorâmicas de dentro do complexo.

“A maior parte da nossa equipe havia trabalhado nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno [em fevereiro deste ano]. O regime de transportes também foi programado com base na experiência olímpica”, disse Serguêi Vorobiov, promotor do Grand Prix da Rússia.

Por sua envergadura e número de assistentes, a corrida de F-1 pôde se comparar às cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos. Assim, não houve necessidade de grandes inovações nas áreas de logística, segurança e alimentação em relação ao padrão assumido durante Sôtchi-2014.

Dinheiro na pista

Apesar da grande aderência ao evento, havia poucos espectadores estrangeiros na plateia. A maioria dos lugares foram ocupados por torcedores russos, que chegaram a Sôtchi de todo o país. Para ver o evento pela primeira vez no país, muitos deles nem ficaram constrangidos com os preços dos bilhetes: de US$ 125, para os lugares livres, que não dispõem sequer de cadeiras, até US$ 5.500, para os setores VIP.

   

Foto: Vladímir Anossov/RG

“Como é possível deixar passar um acontecimento desses?”, disseram Andrêi e Maria, de Magnitogorsk, cidade localizada a mais de 2.500 km de Sôtchi. O casal gastou, que gastou um total de US$ 2.500, passeava pelo Parque Olímpico com bonés autografados por Fernando Alonso e Kimi Kaikkonen. “Há 20 anos que vemos F-1 na televisão, somos torcedores da Ferrari e sonhávamos em ver tudo isso ao vivo no nosso país.”

Um grupo de fãs do esporte que disseram ter assistido a outras etapas europeias, como Monza e Mônaco, não deixaram de comparar a organização do evento: “A nossa é a melhor de todas; tudo aqui é novo e moderno”.

Segunda chance

O comentarista esportivo Aleksêi Popov, que tem mais de 20 anos de carreira e contribuiu para a popularidade do esporte na Rússia, concorda com o grupo de torcedores. “Esta é a melhor etapa dos Grand Prixs”, disse ele, sem titubear. “É a estreia mais impressionante que vi durante os 23 anos que estou trabalhando com F-1. Pode ter quem não acredite quando elogiamos a nós mesmos, mas é a pura verdade.”

A organização do Grand Prix pode comparada com as de Bahrein e Abu Dhabi, “que fizeram certas correções e, depois de 3 ou 4 corridas, atingiram esse nível. O nosso Grand Prix saiu tão bem, logo no primeiro ano, que nem acredito”, acrescentou Popov, que disse ter recebido “palmadinhas nas costas” de vários estrangeiros pelo sucesso do evento. “Esperemos, agora, que nada disso se perca. O segundo ano será o mais difícil, sobretudo para atrair expectadores.”

Em 2015, o êxito do Grand Prix não deve só depender dos organizadores. Há uma semana foi anunciada a transferência de Daniil Kviat, piloto russo da Toro Rosso, para o lugar de Sebastian Vettel, tetracampeão mundial da Red Bull. Isso significa que os torcedores podem depositar esperanças em um título mundial ou até na conquista de um Grand Prix – uma chance que pode atrair mais gente do que qualquer publicidade.

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