Ucrânia protesta contra inclusão de clubes da Crimeia no futebol russo

Ao fim da Copa do Mundo no Brasil, a RFS estabeleceu uma nova data para anunciar a decisão sobre os clubes da Crimeia, 31 de julho Foto: Vassíli Batalov/RIA Nóvosti

Ao fim da Copa do Mundo no Brasil, a RFS estabeleceu uma nova data para anunciar a decisão sobre os clubes da Crimeia, 31 de julho Foto: Vassíli Batalov/RIA Nóvosti

UEFA anunciou que não vai reconhecer os jogos de times da península disputados como membros da União de Futebol da Rússia.

Em agosto de 2014, três clubes de futebol da Crimeia – que foi incorporada à Rússia - estrearam no campeonato nacional russo. Em resposta ao ato, a União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) anunciou que não vai reconhecer os jogos dos clubes da Crimeia disputados sob os auspícios da União de Futebol da Rússia (RFS), mas ao mesmo tempo não impôs sanções contra o país.

Para escapar da legislação ucraniana e evitar possíveis sanções da FIFA e da UEFA, foram formados cinco novos clubes com novas entidades jurídicas. O clube de futebol Sevastopol mudou seu nome para Clube de Futebol SKCHF (Clube Esportivo da Frota do Mar Negro), e o clube Tavria passou a se chamar Clube de Futebol TSK (Tavriya-Simferopol-Crimeia). As outras três equipes foram chamadas de   Zhemchuzhina (Pérola), da cidade Yalta, Ahtiar, de Sevastopol, e Okean (Oceano), da cidade de Kerch.

“É muito provável que a FIFA faça uma declaração forte e ameace a Rússia de exclusão das Copas da Europa e da Copa do Mundo de 2018”, acredita o advogado do esporte Iúri Zaitsev. No entanto, de acordo com o presidente honorário da União de Futebol da Rússia e vice-presidente da FIFA, Viatcheslav Koloskov, "a União de Futebol da Rússia cumpriu com todas as obrigações da FIFA e da UEFA”. “Cartas foram enviadas para ambas as organizações dizendo que aqueles clubes que estão autorizados a competir sob os auspícios da União de Futebol da Rússia nunca competiram sob a jurisdição da União de Futebol da Ucrânia”, continuou. De acordo com Koloskov, uma vez que os clubes da Crimeia foram criados sob a jurisdição da RFS, nenhuma sanção deveria ser aplicada.

História difícil

A questão sobre a integração do futebol da Crimeia na Rússia começou a ser discutida antes do referendo sobre o estatuto da península. Em fevereiro de 2014, a Duma Estatal (Câmara dos Deputados) da Rússia apelou ao presidente da União de Futebol da Rússia, Nikolai Tolstikh,  para considerar o pedido, devido à renúncia do então presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, mas a questão foi adiada.

A Conferência da RFS dedicada ao destino dos clubes da Crimeia  foi organizada no dia 7 de junho. No entanto, naquela época a RFS adiou a decisão, pois na véspera tinha recebido carta de recomendação do secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, que se referia ao artigo 84 do estatuto da entidade, de acordo com o qual as ligas e os clubes afiliados a um membro da FIFA podem afiliar-se a outro membro apenas em circunstâncias excepcionais. Além disso, em cada caso se requer a permissão das duas federações envolvidas. Considerando o fato de que a União de Futebol da Rússia não pôde chegar a um acordo com a Federação de Futebol da Ucrânia (FFU) sobre a transição tranquila das equipes da Crimeia para o futebol russo, os advogados sentiram a necessidade de adiar a integração.

Ao fim da Copa do Mundo no Brasil, a RFS estabeleceu uma nova data para anunciar a decisão sobre os clubes da Crimeia, 31 de julho. O Comitê Executivo da União de Futebol da Rússia decidiu adotar apenas três dos cinco clubes da Crimeia e integrá-los à zona sul da segunda divisão do Campeonato da Rússia. Os outros dois clubes, Ahtiar e Okean, não foram integrados por não conseguirem apresentar as garantias financeiras necessárias.

Como resultado, em 12 de agosto três Clubes da Crimeia realizaram  as primeiras partidas como membros da RFS na Copa da Rússia.  Em  Simferopol, o TSC  perdeu para o SKCHF (0x2), e em Yalta o Zhemchuzgina perdeu para o Sôtchi (0x2).

Dado que a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução em apoio à integridade territorial da Ucrânia e não reconheceu o referendo sobre a Crimeia, autoridades ucranianas esperam que a UEFA e a FIFA não permitam que os times de futebol da península se juntem à União de Futebol da Rússia. "Estamos pedindo para  que sejam aplicadas sanções à RFS, que violou as regras e ignorou os princípios básicos das instâncias superiores do futebol. Nossa posição em relação aos clubes e membros coletivos do território da península da Crimeia não mudará", disse o presidente da Federação de Futebol da Ucrânia, Anatoliy Konkov, em um comunicado divulgado por sua assessoria de imprensa.

Para o ministro do esporte da Rússia, Vitáli Mutko, as declarações de Konkov são infundadas. "Isso é uma conversa sem fundamento. Para nós, hoje a Crimeia e Sevastopol são duas regiões da Federação da Rússia, assim como a região de São Petersburgo. As pessoas lá são cidadãs russas”, disse o ministro às agências de notícias russas.

 

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