Fabio Capello permanece no comando da seleção russa e discute futuro do futebol no país

Capello disse que o principal objetivo de seu trabalho na Rússia é fazer com que a seleção tenha um bom desempenho na Copa do Mundo em casa Foto: Reuters

Capello disse que o principal objetivo de seu trabalho na Rússia é fazer com que a seleção tenha um bom desempenho na Copa do Mundo em casa Foto: Reuters

Para o técnico italiano, falta de jogadores jovens foi um dos motivos da fraca atuação do time nacional na Copa do Mundo de 2014.

O técnico da seleção de futebol da Rússia, Fabio Capello, declarou que a principal causa do fracasso do time na Copa do Mundo foi a quantidade insuficiente de jogadores jovens e pediu que o limite para o número de estrangeiros no campeonato da Rússia fosse estabelecido com maior rigor.  No entanto, especialistas não consideram que essa decisão seja a solução para todos os problemas do futebol do país e acreditam que o treinador deve procurar entender melhor os desafios do futebol local.
Apesar do fracasso na Copa do Mundo de 2014, da qual a seleção russa foi excluída ainda na fase de grupos, sem obter nenhuma vitória, o italiano Capello permanece no cargo de treinador do time nacional. "Se estou na Rússia, é evidente que vou continuar a trabalhar com a seleção nacional. Isso já foi confirmado", disse o técnico, após se reunir com a liderança da União Russa de Futebol (RFS, na sigla em russo).

Capello declarou que a RFS e o Ministério do Esporte confiam nele, e que ele estaria disposto a se demitir caso percebesse que havia perdido essa confiança. Nikolai Tolstikh, presidente da RFS, disse que o Comitê Executivo, principal órgão responsável pelo futebol do país, não discutiu a possibilidade de despedir o técnico de 68 anos, apesar de os funcionários do órgão terem avaliado o desempenho da seleção na última Copa como "insatisfatório".

Em janeiro, Capello prolongou o seu contrato com a seleção da Rússia e irá dirigir o time até o final da Copa do Mundo de 2018. Um pré-requisito obrigatório para a prorrogação era que o contrato fosse firmado antes do início da Copa do Mundo de 2014.  

Falta de jogadores russos

Em uma entrevista coletiva após o término da Copa do Mundo, Capello identificou as duas causas mais importantes do fracasso da Rússia no torneio. Em primeiro lugar, no campeonato russo há poucos jogadores nascidos no país. Jogadores jovens capazes de reforçar a seleção, como Maksim Beliaev, Maksim Grigoriev, Aleksêi Mirantchuk (todos do Lokomotiv) e Aleksandr Riazantsev (do Zenit), estão sentados no banco de reservas de seus clubes. Desse modo, o técnico não consegue vê-los em ação e não pode convocá-los para a seleção. Na opinião de Capello seria bom aumentar o número de jogadores russos em campo nas partidas do campeonato nacional, passando do atual limite de jogadores estrangeiros, no esquema 7+4 (condição obrigatória de quatro jogadores russos em campo) para 6+5. 

Como segunda causa para a derrota da seleção na Copa, Capello citou o fato de nenhum dos jogadores do país atuar em clubes do exterior, o que permitiria aos atletas acumular mais experiência no futebol.

As contradições de Capello

De acordo com Anatoli Bishovets, ex-treinador da seleção da Rússia, Capello está se contradizendo. "Esses dois motivos não podem ser enumerados com a ajuda de uma vírgula, pois eles se contradizem. É justamente devido ao fato de que todos os clubes são obrigados a escalar para o jogo pelo menos quatro russos que ninguém vai para o exterior. Essa situação cria um déficit de jogadores com passaporte russo e os clubes são obrigados a pagar-lhes duas ou três vezes mais do que eles receberiam nos clubes europeus. Há muito tempo isso se tornou óbvio para todos", explicou Bishovets.

Capello disse que o principal objetivo de seu trabalho na Rússia é fazer com que a seleção tenha um bom desempenho na Copa do Mundo em casa. Além disso, o treinador destacou que o seu objetivo imediato é que a seleção seja bem sucedida no grupo de qualificação do Campeonato Europeu de 2016.

“Capello tem chance de preparar uma boa seleção para a Copa do Mundo em casa. No entanto, para isso ele não deve exigir mais rigor, e sim a revogação dos limites para o número de jogadores estrangeiros. Nesse caso, os clubes começarão a investir dinheiro no futebol infanto-juvenil e não em salários absurdos. Somente esse tipo de abordagem nos trará sucesso no futuro”, resumiu Aleksandr Tarkhanov, ex-jogador, comentarista de futebol e atual treinador do Ural.

 

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