País deve reduzir número de sedes para Copa de 2018

A proposta da Fifa é uma maneira de tornar a preparação do campeonato do mundo menos dispendiosa para o país anfitrião Foto: RIA Nóvosti

A proposta da Fifa é uma maneira de tornar a preparação do campeonato do mundo menos dispendiosa para o país anfitrião Foto: RIA Nóvosti

O número de estádios para a Copa do Mundo de 2018 na Rússia poderá ser reduzido de 12 para 10. Segundo os especialistas, o descontentamento dos torcedores com os gastos excessivos para a realização da Copa do Mundo no Brasil, bem como o fato de os estádios construídos para a Copa na África do Sul estarem agora vazios, levantaram alerta vermelho na Rússia.

O número de estádios para a Copa do Mundo de 2018 na Rússia poderá ser reduzido de 12 para 10.Inicialmente, a notícia de que o número de estádios ia ser cortado foi oficialmente dada pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, após uma reunião com Vladímir Pútin, em 16 de julho. Essa solução já está sendo examinada com o Governo russo, anunciou depois o jornal russo “Kommersant”.

A proposta da Fifa é uma maneira de tornar a preparação do campeonato do mundo menos dispendiosa para o país anfitrião, especialmente quando o número de cidades participantes não afeta em nada o número de jogos, explica o vice-decano do departamento de gestão da indústria do esporte da Academia Russa de Economia Nacional e da Administração Pública, Oleg Gadiutchkin. Segundo ele, os estádios que forem aprovados simplesmente receberão mais jogos.

"As duas últimas copas, da África do Sul e do Brasil, mostraram que para um país que cria toda a infraestrutura necessária do zero, este é um prazer caro", diz ele.

Além disso, ele explica que após o campeonato do mundo na África do Sul, três dos estádios "estão às moscas" e não são utilizados porque as cidades não têm equipes profissionais. Por sua vez, o Brasil passou por uma agitação nas ruas que não se via desde a década de 1990 devido aos US$ 13 bilhões gastos na preparação da Copa.

Uma outra razão para a decisão da Fifa são as alterações no regulamento da Copa do Mundo, explica o especialista. Se antes um grupo de quatro equipes ficava baseado em duas cidades e as torcidas se viam assim mais ligadas a elas, agora, cada jogo do grupo é realizado em uma cidade diferente.

"Há quem defenda que algumas destas cidades não se beneficiaram em nada com a realização da Copa, já que os torcedores ficam muitas vezes por meio dia, apenas para ver o jogo, e vão logo embora", diz Oleg Gadiutchkin.

Essa fórmula de realização do campeonato é lucrativa para as empresas de transporte, já que os torcedores viajam muito, mas não traz qualquer vantagem para as cidades em si.

Candidatas a caírem

De acordo com o “Kommersant”, do programa de preparação poderão ser excluídas as arenas de Kaliningrado (a 1.280 km de Moscou), de Volgogrado (970 km) ou de Ecaterimburgo (a 1.800 km de Moscou). Os construtores dos estádios de Kaliningrado e Ecaterimburgo não se encaixam no orçamento da construção, enquanto Volgogrado tem déficit de infraestrutura hoteleira e de transportes, tão necessários nestes eventos.

Vale ressaltar que a construção destes três estádios está nas mãos de grandes empresários russos. A arena de Volgogrado está sendo construída pela empresa do principal beneficiário do Volga Group, Guennadi Timtchenko (fortuna avaliada em US$ 15,3 bilhões, segundo a Forbes). Em Kaliningrado, é a Crocus Group de Aras Agalarov que está construindo a arena (fortuna avaliada em US$ 1,8 bilhão). Já a de Ecaterimburgo está sendo feita pela Sinara Development, de Dmítri Pumpianskii (fortuna de US$ 2 bilhões).

A empresa de Timtchenko é também a empreiteira da colocação do gasoduto do South Stream, que vai da Rússia para a Europa, e Aras Agalarov foi o responsável pela preparação de Vladivostok para a cúpula da Apec em 2012.

Efeito positivo

De acordo com o analista da Investkafe Timur Nigmatullin, "o efeito da realização do campeonato na economia da cidade é geralmente positivo, porque leva ao crescimento do produto regional bruto, reduz o desemprego e reabastece os cofres orçamentais". No entanto, é preciso considerar não só o impacto na economia da cidade, mas também a eficácia dos gastos públicos como um todo.

"Pela atenção que concentra em si, a Copa do Mundo é comparável a uma campanha publicitária muito cara. Isso significa que a cidade constrói um novo aeroporto, repara as estradas, abre mais hotéis modernos etc. Se a cidade pretende, no futuro, continuar a atrair turistas, ser anfitriã de alguns dos jogos do campeonato é muito importante ", diz Oleg Gadiutchkin.

Nesta perspectiva, segundo ele, a eventual exclusão de Volgogrado e Kaliningrado acaba por ser estranha, uma vez que ambas as cidades são centros turísticos. Kaliningrado é um enclave russo no Mar Báltico e um dos principais destinos turísticos do oeste do país. Por sua vez, Volgogrado, que no passado se chamou Stalingrado, foi o palco para a maior batalha terrestre da história da humanidade  –a Batalha de Stalingrado, no decorrer da qual, entre julho de 1942 e fevereiro de 1943, foram mortos cerca de 2 milhões de pessoas. Atualmente, existe no local a escultura "Mãe-Pátria", com 85 metros de altura.

De acordo com Gadiutchkin, a maioria das cidades participantes da Copa do Mundo de 2018 pode ser confrontada com o problema do aproveitamento posterior dos estádios.

"Para aproveitar ao máximo os estádios nessas cidades, elas deverão ter clubes de futebol fortes, mas não é apenas Volgogrado e Kaliningrado que não têm –o mesmo acontece com Sôtchi, Saransk ou Ecaterimburgo", diz o especialista. 

 

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