Capello deverá prestar contas à Duma por fracasso na Copa

A controvérsia sobre o papel de Fabio Capello na derrota da seleção tomou conta das redes sociais Foto: RIA Nóvosti

A controvérsia sobre o papel de Fabio Capello na derrota da seleção tomou conta das redes sociais Foto: RIA Nóvosti

Técnico da seleção russa, Fabio Capello, se tornou objeto de crítica de torcedores e políticos russos. Na fase de grupos da Copa do Mundo, a equipe liderada pelo treinador italiano perdeu um e empatou nos outros jogos, não conseguindo se classificar para as oitavas de final. Capello prometeu dar uma coletiva de imprensa dentro de um mês, mas em outubro terá que prestar contas perante o Parlamento russo.

De acordo com o contrato assinado até 2018, o salário de Fabio Capello é de 9 milhões de euros por ano. A multa a pagar em caso de rescisão antecipada do contrato por iniciativa da parte russa é, segundo a agência Itar-Tass, de US$ 25 milhões – comparável ao valor que Capello deve receber caso continue a trabalhar sob o contrato assinado até a próxima Copa do Mundo em 2018, que será realizada na Rússia.

O diretor da União Russa de Futebol, Nikolai Tolstikh, disse, em entrevista à agência de notícias R-Sport, que, apesar do fracasso da equipe nacional, Capello deve continuar no comando da equipe. Já o ministro dos Esportes, Vitáli Mutko, em entrevista concedida à RIA Nóvosti no último dia 30, foi menos categórico. “Se tivermos certeza de que o problema está no treinador, podem apostar que ele não ficará nesse posto”, declarou.

A controvérsia sobre o papel de Fabio Capello na derrota da seleção também tomou conta das redes sociais. “Foi uma vergonha o que fizeram em torno do contrato de Capello, eles próprios o escolheram e agora choram para ele devolver o dinheiro. Para quê envergonhar o país?”, escreveu em seu Twitter o dono do clube de futebol Krasnodar, Serguêi Galitski.

“Eu não quero mais ver Capello como técnico do meu país. Go home [Vá para casa]!”, escreveu o apresentador de TV Iona Andronov, em meio a outras mensagens de protesto nas principais redes sociais. Durante a participação na Copa, o treinador da seleção chegou a proibir os jogadores russos de acessarem o Twitter.

Capello bolado

O comentarista de futebol Váleri Vinokurov acredita que o próprio Capello fez muito para virar a opinião pública contra ele. “Os treinadores estrangeiros rapidamente se tornam iguais aos russos nos piores defeitos”, diz o crítico. “Logo aprendem a botar a culpa por tudo nos árbitros. Tem muito dinheiro por trás disso e eles percebem que podem se comportar como quiserem com a imprensa.”

O holandês Guus Hiddink, que levou a seleção até à semifinal do campeonato da Europa em 2008, surge como uma feliz exceção nesse contexto, segundo o também comentarista Vladímir Gueskin. “Já com Capelo na seleção aquilo parece um quartel”, diz Gueskin. “Eu não entendo por que proibir o Twitter.”

No dia 3 de outubro, Capello irá provavelmente prestar contas perante a Duma (câmara dos deputados da Rússia). Antes disso, no dia 8 de setembro, a seleção terá a sua primeira partida das eliminatórias para o Campeonato Europeu contra Liechtenstein, de quem jamais perdeu.

“Como um homem decente, é claro que Capello deve pedir demissão, como fizeram antes dele treinadores que foram até mais bem-sucedidos mas que acabaram eliminados na Copa do Mundo”, continua Gueskin, confessando, contudo, que a probabilidade de se encontrar um técnico que consiga consertar a situação é mínima. “Entre os técnicos russos não há opção; quanto aos estrangeiros, a gente os escolhe pelos nomes.”

Os comentaristas concordam que  problema não é apenas Capello, apesar de seu estilo de jogo não corresponder à tradição futebolística russa. “Para ele também é difícil porque, na verdade, não temos jogadores fortes. E o que vamos nós mostrar no torneio de qualificação para o Campeonato da Europa?”, questiona Gueskin.

 

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