Otimismo à moda italiana no futebol

A equipe russa tem alguma chance na Copa, apesar de não ser predileta Foto: ITAR-TASS

A equipe russa tem alguma chance na Copa, apesar de não ser predileta Foto: ITAR-TASS

Pela primeira vez nos últimos 12 anos, a seleção russa de futebol conseguiu garantir um lugar na Copa do Mundo. E, apesar estar na lista dos principais favoritos do campeonato, a equipe recebeu um bom prognóstico graças ao técnico Fábio Capello, sua única estrela internacional.

Embora os russos não considerem pontualidade como característica própria do povo italiano, Fábio Capello conseguiu quebrar o preconceito após assumir o cargo de treinador da seleção da Rússia.

Ao contrário de outros técnicos estrangeiros que assumiram a equipe anteriormente e evitaram passar muito tempo no país, como Guus Hiddink e Dick Advocaat, Fábio Capello marcou presença em três ou quatro jogos de cada etapa dos campeonatos com a participação de seu time e, aos poucos, substituiu a metade de seus jogadores.

Andrêi Archávin, Roman Pavliútchenko e Pável Pogrebniak, os favoritos de Advocaat, foram obrigados a ceder lugares aos zagueiros Aleksêi Kozlov e Andrêi Eschenko, enquanto os papéis mais importantes na equipe foram atribuídos a Víktor Faizúlin e Dmítri Kombarov.

Além disso, no Brasil a equipe russa contará também com alguns jogadores desconhecidos do grande público. O principal objetivo dessa arriscada escolha está na constante motivação dos atletas para que demonstrem resultados cada vez melhores, firmando assim sua posição na equipe.

O esquema de trabalho de Capello baseia-se no em disciplina rígida, com o cumprimento da agenda diária sem atrasos, preparação da equipe de apoio e afastamento da imprensa, que só pode realizar entrevistas com os jogadores em eventos oficiais. 

Composição da equipe

A principal peculiaridade da atual seleção russa é a sua organização. Apesar de não serem badalados internacionalmente, os jogadores estão cientes de seus papéis no campo, e seu forte está no controle da bola e na defesa estruturada. 

"A equipe ficou mais sólida", afirma o ex-técnico chefe da seleção russa Valéri Gazzaev. Outro antigo treinador da equipe, Iúri Sêmin, concorda.  "Sem dúvida, Fábio Capello conseguiu trazer união à equipe. Nossa seleção melhorou a defesa, embora alguns zagueiros não consigam concorrer com os jogadores mais novos que fazem parte de outras seleções."

Sêmin faz referência a Serguêi Ignachevitch, já prestes a completar 35 anos, e Vassíli Berezutski, 32. A falta de jovens a sua altura mantém os dois na seleção em idade considerada avançada para tal.

Os especialistas da renomada casa de apostas “William Hill” não consideram a equipe da Rússia um dos principais favoritos do campeonato, colocando-a no 14o lugar do ranking geral das seleções participantes, com um coeficiente de 1:81 em caso de sua vitória no jogo final do evento. 

Mas não faltam opções para os zagueiros central e lateral, onde se podem escolher de dois a três candidatos.

A principal estratégia da seleção russa consiste na forte defesa de meio-campo, porém sua capacidade ataque gera dúvidas.

O papel do artilheiro da equipe foi atribuído ao melhor atacante russo da atualidade, Aleksandr Kerjakov, o único no time com experiência em uma  Copa do Mundo. Em 2002, Aleksandr marcou esteve no Japão, mas hoje, 12 anos depois já está prestes a se aposentar e passa a maior parte dos jogos do seu clube, o Zenit de São Petersburgo, no banco de reservas.

Outro candidato forte para a vaga de artilheiro é Aleksandr Kokorin que joga no Dinamo. Atleta talentoso, porém inexperiente, às vezes lhe falta estabilidade. Esses fatores tornam o ataque a principal vulnerabilidade da equipe da Rússia.

Em busca de uma saída

A equipe russa tem alguma chance na Copa, apesar de não ser predileta. O principal motivo para isso é seus adversários também não serem prediletos: Coreia do Sul, Bélgica e Argélia.

"Passar para a segunda fase seria uma consequência lógica que não nos surpreenderia. Acredito que a seleção da Rússia seja capaz de ganhar dos adversários na primeira fase da Copa", afirma Viatcheslav Koloskov, presidente honorário da União de Futebol da Rússia.

O comentarista esportivo Vladímir Stognienko tem a mesma opinião: "Tenho toda a certeza de que nossa equipe não deixará de participar das oitavas de final. E se ela conseguir escapar de um encontro com os alemães, avançará ainda mais. De qualquer forma, a entrada na Copa já pode ser considerada uma grande conquista que não comemoramos desde 1986. O novo treinador da equipe, embora não seja perfeito, é considerado o ponto mais forte do time e passa muita segurança".

"A seleção irá participar da Copa do Mundo após uma longa pausa", lembra Fábio Capello. "Um bom desempenho na primeira fase nos colocaria no encontro de oitavas de final contra uma equipe como Alemanha ou Portugal. Mas só pensaremos nisso após cumprirmos nosso primeiro objetivo. Não teremos pressa, vamos passo a passo", arremata.

 

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