Membro russo do COI desmente possibilidade de cancelar Olimpíadas no Rio

Quanto à possibilidade de não haver tempo suficiente para resolver uma série de problemas de infraestrutura, sociais e ambientais, o membro do COI demonstrou otimismo Foto: Photoshot/Vostock Photo

Quanto à possibilidade de não haver tempo suficiente para resolver uma série de problemas de infraestrutura, sociais e ambientais, o membro do COI demonstrou otimismo Foto: Photoshot/Vostock Photo

Boatos sugeriram transferência dos Jogos de 2016 para Londres ou Moscou.

Na semana passada, o jornal britânico “Evening Standard” publicou uma notícia sobre a eventual transferência das Olimpíadas 2016 do Rio de Janeiro para outra cidade. De acordo com as informações publicadas, o Comitê Olímpico Internacional (COI) teria tido conversações secretas com as autoridades de Londres para sondar se a cidade seria capaz de sediar os Jogos Olímpicos pela segunda vez consecutiva.

Poucos dias depois, surgiu na imprensa internacional boatos de que, entre as cidades capazes de abrigar o evento, Moscou também estaria sendo considerada. “A questão de saber se Moscou poderia sediar os Jogos Olímpicos foi de fato levantada”, disse à agência R-Sport uma fonte anônima do COI. “Mas, em Moscou, a questão é complicada em relação a instalações esportivas para vela, equitação, ciclismo e corrida de estrada. Além disso, a cidade não tem campo de tiro.”

 

O representante disse também que a decisão de transferir os jogos para outro local será tomada pelo Comitê Olímpico Internacional após a Copa do Mundo no Brasil. “O COI vai aguardar para ver o resultado da Copa do Mundo. Depois disso, tomará então uma decisão caso não haja nenhum progresso”, acrescentou.

No entanto, essa informação não foi oficialmente confirmada, apesar de diversos representantes do COI terem criticado duramente o Brasil pelo ritmo dos preparativos para os Jogos de 2016. O vice-presidente do COI, o australiano John Coates, que recuou das críticas após criar a polêmica internacional, havia dito que os preparativos para os Jogos são os “piores já vistos em 40 anos de carreira”. Outras 18 federações esportivas internacionais demonstraram insatisfação com os trabalhos realizados na cidade.

Fofoca apurada

Em entrevista ao portal russo Gazeta.ru, o presidente emérito do Comitê Olímpico da Rússia (ROC) e membro do Comitê Olímpico Internacional, Vitáli Smirnov, desmentiu novamente os boatos espalhados pela imprensa internacional. “A informação sobre a transferência dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio para outra cidade é falsa”, declarou.

Segundo ele, os membros do COI teriam recebido um comunicado do diretor de comunicações do comitê, Mark Adams, informando que todos os relatos sobre a transferência dos Jogos para outra cidade não têm qualquer fundamento.

“O COI, juntamente com o governo brasileiro, vários especialistas e com a participação do diretor-geral do departamento dos programas olímpicos, Gilbert Felli, pretende continuar os preparativos para as Olimpíadas”, continuou Smirnov.

Os comentários surgiram, segundo o membro russo do COI, em conversas hipotéticas sobre a sua realização do evento. “Acho que a pergunta foi feita da seguinte forma: ‘Seria possível outra cidade sediar as Olimpíadas de verão e haveria tempo suficiente para as preparar?’”, disse.

Cabe lembrar que casos semelhantes já ocorreram na história dos Jogos Olímpicos. Por exemplo, os Jogos Olímpicos de inverno de 1976 deveriam ter sido realizados em Denver, mas, devido à recusa da cidade americana dois anos antes do evento, os Jogos foram transferido para Innsbruck, que havia sediado a mesma competição em 1964.

Exemplo de Sôtchi

Smirnov aproveitou para tecer comentários sobre os “problemas graves” que existem na organização das Olimpíadas no Rio. “Claro que existem alguns problemas que, na minha opinião, têm a ver com o fato de ser difícil realizar dois eventos esportivos dessa envergadura com um intervalo de apenas dois anos entre eles. A palavra final cabe ao COI, e ele não manifestou quaisquer dúvidas”, afirmou.

Quanto à possibilidade de não haver tempo suficiente para resolver uma série de problemas de infraestrutura, sociais e ambientais, o membro do COI demonstrou otimismo. “Com base na minha própria experiência na organização dos Jogos Olímpicos de Moscou e de Sôtchi, acredito que os problemas podem ser resolvidos. O Brasil tem recursos econômicos suficientes para superar essas dificuldades”, arrematou.

 

Publicado originalmente pela Gazeta.ru
 

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