Anfitriã encerra Sôtchi-2014 em 1° lugar no quadro geral de medalhas

Resultado final contrariou as previsões pessimistas para o desempenho da seleção russa Foto: flickr.com/sochi2014

Resultado final contrariou as previsões pessimistas para o desempenho da seleção russa Foto: flickr.com/sochi2014

Após o fracasso nos Jogos de Inverno de Vancouver, atletas russos conquistaram melhor resultado da sua história. Gazeta Russa apresenta um apanhado geral do evento, com destaques e declarações marcantes dos grandes vencedores.

Anna Kozina, Gazeta Russa 

Antes do início dos Jogos Olímpicos de Sôtchi, os dirigentes esportivos da Rússia, ainda com a memória fresca do 11º lugar obtido em Vancouver, em 2010, anunciaram que entrar para o top três por classificação de países já seria considerado um sucesso para a participação nacional em Sôtchi-2014.

Enquanto os pessimistas insistiam no quinto lugar para baixo, os otimistas sequer eram levados a sério. Mas, contrariando todas as expectativas, a seleção russa demonstrou sua força e venceu a competição em casa, tanto em número de ouros como em total de medalhas conquistadas.

A Rússia tornou-se, assim, a quarta equipe anfitriã a ganhar o maior número de medalhas de ouro, ao lado dos Estados Unidos (1932), Noruega (1952) e Canadá (2010). No total, foram 13 ouros, 11 pratas e 9 bronzes para a seleção russa, que repetiu o recorde nacional em número de medalhas de ouro obtido pela URSS em 1976.

Outra surpresa foi o fato de a equipe russa ter sido levada para a primeira linha das competições por biatletas e esquiadores, que até então tinham batido todos os “antirrecordes” – seja pela falta de sorte, quebra de equipamento durante a corrida, quedas nas distâncias e falhas nos disparos.

A vitória no revezamento 4x7 masculino de 5 km, sem a convocação do único medalhista na categoria, Evguêni Garanitchev, parecia impossível. Mas o quarteto russo subiu ao lugar mais alto do pódio.

Paralelamente, os esquiadores Aleksandr Legkov, Maksim Vilejanin e Iliá Tchernoussov ocuparam todo o pódio da maratona de esqui de 50 km. “Esse ouro não tem preço, é mais valioso do que a minha vida”, declarou Legkov, sem esconder as lágrimas. “Levei 15 anos da minha vida para chegar a este resultado.”

Patinação de ouro

Alguns comentaristas esportivos garantem, contudo, que a história das vitórias russas foi iniciada pelos patinadores, que estrearam no programa dos Jogos e ganharam o ouro no torneio de equipes.

Além da jovem Iúlia Lipnitskaia, que aos 15 anos se tornou a mais jovem campeão olímpico, os atletas Tatiana Volossojar e Maksim Trankov, que se apresentaram em dupla e individualmente, foram os primeiros patinadores bicampeões olímpicos em uma mesma Olimpíada. Para fechar literalmente com chave de ouro, Adelina Sotnikova, 17 anos, garantiu o primeiro ouro na história da patinação livre feminina soviética e russa.

Gringos, porém russos

Após uma lesão, o patinador Viktor Ahn, tricampeão de Turim, deixou a seleção da Coreia do Sul para integrar a equipe russa. O resultado da mudança chegou em forma de quatro medalhas: 3 de ouro (1.000, 500 e revezamento de 5.000 m) e o bronze nos 1.500 metros. Ahn foi o mais bem-sucedido atleta olímpico da equipe russa e o mais premiado na história da patinação de velocidade em pista curta.

A mesma gratidão pela Rússia foi manifestada pelo snowboarder norte-americano Vic Wilde, que nos EUA teria se tornado um estudante universitário comum. Do outro lado do Atlântico, porém, Vic encontrou não apenas o reconhecimento, mas também sua esposa, a snowboarder Aliôna Zavarzina. Ambos subiram ao pódio no slalom gigante paralelo: enquanto ele conquistou o ouro, ela, o bronze. “A Aliôna é a única pessoa com quem eu consigo passar tanto tempo junto. Ela me inspira para a vitória”, disse Vic.

Reconciliação vitoriosa

O último da lista de vitoriosos, mas nem por isso o menos importante, é Aleksandr Zubkov, o piloto de bobsled de dois e quatro. Sua história não é de amor, mas de amizade. Em nome da atuação nos Jogos Olímpicos, Zubkov e Aleksêi Voevoda, atletas anteriormente premiados em Turim e Vancouver, esqueceram as diferenças pessoais e voltaram a ser uma equipe. O resultado foram dois ouros.

“Algumas pessoas não acreditaram que conseguíssemos ser campeões olímpicos, tanto em pares como em quatro”, confessou Zubkov. “Mas a experiência que adquirimos a cada ano se tornou mais importante. Aqui se reuniram grandes atletas, e hoje fomos os melhores entre eles.”

Decepção no hóquei

Como nem tudo é festa, o desempenho do time russo de hóquei, que já pela terceira Olimpíada seguida fica de fora do pódio, foi a maior decepção do evento.

“Aos torcedores, podemos pedir apenas desculpas pelo nosso resultado”, disse o treinador Zinetula Bilialtedinov, após o jogo com os finlandeses, que não deixou os russos passarem para as quartas de final. “É difícil explicar por que razão marcamos tão pouco. Temos em nossa seleção jogadores que em seus clubes marcam muitos gols.”

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