“Temos que ser representados nos eventos internacionais”, diz patinadora brasileira

Isadora Williams é a primeira patinadora brasileira a participar dos Jogos Olímpicos de Inverno em toda a história da patinação artística Foto: Vladímir Pésnia/RIA Nóvosti

Isadora Williams é a primeira patinadora brasileira a participar dos Jogos Olímpicos de Inverno em toda a história da patinação artística Foto: Vladímir Pésnia/RIA Nóvosti

Estreante em Sôtchi-2014, Isadora Willians fala sobre a disseminação dos esportes de inverno no país do futebol. Apesar da 30ª e última posição ocupada com grande diferença de pontos, a garota de apenas 18 anos foi recebida com grande entusiasmo enquanto se apresentava ao ritmo da tradicional canção russa “Olhos Negros”.

Na sala de imprensa das Olimpíadas de Sôtchi, não faltam folhetos e livrinhos exibindo as equipes olímpicas que estão participando do evento. Como era de se esperar, o mais fino deles é o do Brasil, com apenas três folhas.

Depois de a brasileira Isabel Clark ter garantido o 9o lugar no snowboard nas Olimpíadas de Inverno de Turim, em 2006, agora foi a vez de apresentar a jovem Isadora Williams, a primeira patinadora brasileira a participar dos Jogos Olímpicos de Inverno em toda a história da patinação artística.

Rossiyskaya Gazeta: Como você começou a praticar patinação artística?

Isadora Williams: Eu tenho passaporte brasileiro, mas vivo com meus pais nos Estados Unidos. Quando tinha nove anos, entrei em um shopping bem grande que tinha uma pista de patinação. Desde então, não larguei mais. E para isso conto com o meu treinador russo, Andrêi Kriukov.

RG: Existem muitos patinadores profissionais no Brasil? 

IW: Agora eu estou sozinha. Tinha outro menino muito bom, mas ele saiu.

RG: Ele foi jogar futebol? (risos)

IW: Não sei (risos). Mas agora foi criada a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo. Essa organização tem me dado apoio, especialmente depois conseguir uma vaga para vir aos Jogos Olímpicos de Sôtchi. Não foi apenas o público russo que me aplaudiu. Nas arquibancadas, pude ver os tradicionais uniformes amarelos dos nossos atletas olímpicos.

RG: Quantos deles vieram para Sôtchi? Na cerimônia de abertura, a seleção brasileira desfilou com uma delegação considerável...

IW: Pois lá estavam também os chefes e organizadores dos Jogos Olímpicos no Rio. Atletas de verdade são apenas nove. Mas todos, exceto eu e o meu treinador, vivem em regiões montanhosas. E, em sua maioria, são esquiadores.

RG: De quem foi a ideia do programa ao som de “Olhos Negros”? 

IW: Do meu treinador, e eu concordei imediatamente. A melodia é a minha cara!

RG: Quantas horas por semana você treina?

IW: Antes da temporada, 28 horas. Porém, durante as competições, apenas 24.

RG: Mas isso não é pouco. Normalmente os atletas passam no gelo 22 ou 24 horas por semana... 

IW: Eu não sou uma dessas grandes atletas. Mas devo assumir que, depois do sucesso na [fase classificatória na] Alemanha, fui oficialmente reconhecida como a melhor representante dos esportes de inverno no Brasil. E os grandes querem ganhar muitas medalhas. 


Foto: Reuters

O meu treinador é russo e a minha escola também é russa. Por isso sou fã de Adelina Sotnikova e Iúlia Lipnítskaia, mas ainda não tive oportunidade de conhecê-las pessoalmente. Gosto da suavidade, feminilidade e saltos bem altos de Adelina. Quanto à Iúlia, é muito teimosa e corajosa.

RG: Por que você não se saiu tão bem aqui?

IW: Fiquei nervosa com um espaço tão grande. Mas mesmo depois das minhas falhas, ao público continuou torcendo por mim. Da próxima vez vou estar melhor.

RG: Você costuma ir ao Brasil com frequência? 

IW: Nos últimos anos, desde que comecei a participar dos mundiais juniores e em outros torneios, as viagens se tornaram bem mais frequentes. Eu até comecei seriamente a estudar português. E a perseverança, que ganhei da patinação artística, me ajudou nisso.

RG: E russo, você já tentou aprender? Poderia praticar sempre com o seu treinador...

IW: Eu falo um pouco de russo, mas a língua inglesa e portuguesa estão mais próximas de mim.

RG: Você acha que os seus esforços conseguirão aumentar a popularidade dos esportes de inverno no país do futebol?

IW: Nós, atletas brasileiros de esportes de inverno, temos que ser representados nos eventos internacionais. E estamos caminhando para isso, com a obtenção de novos patrocínios.

 

Publicado originalmente pela Rossiyskaya Gazeta 

 

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