“A final perfeita da Copa seria Brasil x Rússia”, diz Paradeda

Paradeda: "Já se passaram cinco anos desde que cheguei à Rússia e consegui tudo o que queria" Foto: Press Photo

Paradeda: "Já se passaram cinco anos desde que cheguei à Rússia e consegui tudo o que queria" Foto: Press Photo

A Fifa, em conjunto com o portal Futsal Planet, divulgou a lista dos melhores jogadores do mundo. O brasileiro naturalizado russo, Gustavo Lobo Paradeda, foi considerado o melhor goleiro do mundo em 2013 na categoria futsal. Em entrevista à Gazeta Russa, o jogador, que atua como goleiro na seleção nacional de futsal da Rússia, falou sobre o prêmio e o processo de adaptação no país.

Gazeta Russa: Como você reagiu à escolha da Fifa?

Gustavo Lobo Paradeda: Para mim é um prêmio muito importante. Fiquei sabendo disso às duas da madrugada, e não consegui dormir mais naquele dia. Sinceramente, até agora não acredito no que aconteceu. Acho que esse prêmio é o sonho de qualquer atleta. Muito obrigado ao Sibiriak por ter me aberto o caminho para o futebol russo, ao Dínamo Moscou por ter acreditado na minha capacidade e, é claro, à seleção nacional da Rússia. Jamais teria ganhado um prêmio assim se não estivesse jogando em uma seleção nacional. A propósito, você sabe quem foi o primeiro que me ligou? O Daniel Carvalho!

GR: O ex-jogador do CSKA?

GLP: Sim, somos bons amigos, da mesma cidade [Pelotas, N. E.]. Ele me escreveu: “orgulhe-se, você é o melhor goleiro do mundo, pelo menos por um ano”. Na infância, nós tínhamos bastante contato, depois nos encontramos em Moscou, quando ele estava jogando no CSKA. Agora ele está vivendo no Brasil novamente e, após encerrar a sua carreira nos campos, começou a jogar futsal e está indo muito bem.

GR: Você mantém contato com outros jogadores brasileiros que atuam no Campeonato Russo?

GLP: Agora não. Basicamente, tenho contato com os meus compatriotas do Dínamo. Para ser sincero, virei uma pessoa caseira. Tenho filhos pequenos e dedico praticamente todo o meu tempo livre a eles.

GR: Como você aprendeu a se comunicar tão bem em russo?

GLP: Graças à minha esposa. Nós nos conhecemos quando me mudei para o Cazaquistão, para jogar no Kairat. Ela é de lá. No início conversávamos em inglês, mas fomos mudando gradualmente para o russo. Olhando para os meus filhos, percebo que não domino tão bem assim, pois eles já falam melhor do que eu.

GR: Você se lembra do seu primeiro dia na Rússia?

GLP: Mais ou menos. Cheguei de avião em Novosibirsk e lá estava um frio de -35 ºC. Durante o primeiro ano, eu senti muito frio. Raramente saía na rua, e em casa andava com meias quentes. Mas fui me acostumando e passei a gostar de Novosibirsk. Cheguei a passear até com temperatura de -40 ºC. Desde então, já se passaram cinco anos e consegui tudo o que queria.

GR: Na semana que vem você irá à Bélgica com a seleção russa para o Campeonato Europeu. Quais são os objetivos do time?

GLP: Temos apenas um objetivo: ganhar. Em 2012, perdermos para a seleção da Espanha de maneira injuriosa. Já estava pensando que ganharíamos o jogo, mas deixei passar um gol 30 segundos antes do final da partida. Na prorrogação, eles marcaram mais dois gols contra nós e perdemos. Tenho muita vontade de vingar aquela derrota.

GR: Na sua opinião, quem é o melhor jogador brasileiro de futsal?

GLP: Creio que seja o Fernandinho. Ele está jogando magnificamente pela seleção e pelo clube. É um atacante que impressiona.

GR: Na metade do ano o Brasil sediará a Copa do Mundo...

GLP: Eu até já comprei ingresso para uma partida da Copa. Houve um sorteio e consegui entrada para o jogo Japão X Grécia. Não é o jogo mais impressionante considerando o dinheiro absurdo que paguei. (risos)

GR: Para quem você vai torcer?

GLP: Torcerei primeiro para os brasileiros, e depois para os russos. Para mim, a final perfeita da Copa seria Brasil-Rússia.

GR: E você pretende acompanhar de perto as competições da Olimpíada de Sôtchi?

GLP: Não acredito que conseguirei assistir a muitos eventos. Em fevereiro, tenho uma agenda lotada de jogos: Campeonato Europeu, Campeonato Russo etc. Vou tentar não perder o hóquei, e claro que torcerei pela Rússia. Na verdade, vou torcer por Aleksandr Ovechkin, pois ele é um atleta excepcional.

 

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