Chama olímpica de Sôtchi cruza Tcheliábinsk sobre camelo

O “camelo olímpico” havia sido selecionado em um concurso na véspera Foto: RIA Nóvosti

O “camelo olímpico” havia sido selecionado em um concurso na véspera Foto: RIA Nóvosti

A cidade de Tcheliábinsk, que se tornou famosa em todo o mundo após a queda de um meteorito em fevereiro deste ano, decidiu receber a chama olímpica de uma maneira incomum. Na última terça-feira (17), a chama da Olimpíada de Sôtchi foi conduzida sobre um camelo pelo centro da cidade localizada dos Urais. A Gazeta Russa acompanhou.

Há mais de um mês, a chama olímpica viaja pelas cidades da Rússia. A tocha dos Jogos de Inverno de Sôtchi de 2014 já passou pelo Polo Norte, pelo fundo do Lago Baikal e até pela Estação Espacial Internacional. A cidade de Tcheliábinsk, que no dia 15 de fevereiro deste ano foi parar nos boletins das agências de informação do mundo inteiro em função da queda de um meteorito, também viu a chama passar. E de uma maneira bastante incomum: nesta cidade dos Urais, a tocha olímpica foi transportada em motocicletas, esquis, patins e até mesmo sobre um camelo.

Ao todo, 266 pessoas carregaram a tocha, entre elas atletas lendários, tais como Lídia Skóblikova, seis vezes campeã olímpica de patinação, e o biatleta com mais títulos no mundo, Aleksandr Tikhonov, quatro vezes campeão olímpico. Apesar do frio de -20ºC, e de se tratar de um dia útil, milhares de moradores de Tcheliábinsk saíram às ruas para saudar a tocha olímpica.

Ainda não eram 8h quando a chama olímpica iniciou o seu percurso pela cidade a partir da Praça da Estação. Um dos momentos mais extraordinários do revezamento aconteceu bem no coração da capital da região sul dos Urais, não muito longe do Museu Regional. Ali, o portador da tocha venceu 200 metros montado em um camelo chamado Barsiku, o símbolo vivo de Tcheliábinsk.

Qual é a relação da cidade russa com um camelo e por que ele é retratado no brasão da cidade? Inicialmente, a cidade, fundada em 1736, estava localizada no cruzamento de rotas comerciais lucrativas.  Pensava-se que esse fato iria se tornar o principal estímulo para o desenvolvimento de Tcheliábinsk. Dizia-se que a cidade era "rica em mercadorias". Então, um camelo carregado foi eleito para ser o símbolo dessa prosperidade.

Por muitos anos, Tcheliábinsk, localizada na fronteira da Europa com a Ásia, desenvolveu-se principalmente como um grande centro comercial.  Assim, ainda no início do século 20, a cidade era conhecida não pelos gigantes da indústria (como ocorre atualmente), mas por suas fábricas de embalagem de chá, e reivindicava o título de "capital do chá” do Império Russo. Com o início da industrialização, nos anos 30, a cidade trocou a sua especialização pela metalurgia e pela indústria pesada, mas o camelo acabou permanecendo no brasão.

É claro que o camelo chamou a atenção dos moradores imediatamente.

"Fugi do trabalho para ver a chama olímpica”, diz Tatiana, gerente de uma das agências de turismo de Tcheliábinsk. “Ainda bem que o escritório fica perto. Quando é que eu teria outra oportunidade de ver um portador de tocha montado em um camelo?”

Enquanto isso, a caravana prosseguiu até a Kírovka, principal rua para pedestres da cidade, onde concluiu a etapa sob aplausos e saudações dos que ali estavam reunidos.  

O “camelo olímpico” havia sido selecionado em um concurso na véspera. O vencedor da peculiar seleção foi o animal mais disciplinado e resistente. O teste foi realizado pela Comissão Organizadora do revezamento.

No entanto, os camelos "perdedores" –Gricha e Vássia–, seguindo a recomendação dos especialistas, receberam a honra de fazer o percurso junto com a escolta do revezamento, ao lado de Barsik. Dessa forma foi mais tranquilo para os animais, que estavam acostumados a andar juntos.

"Isso foi um pouco incomum, faltava um guidão”, sorriu o portador da tocha ao descer do camelo, o campeão europeu de MotoCross, Evguêni Zemskov. “Falando sério, a atmosfera é fantástica, fico muito satisfeito por tantos moradores terem vindo.”

Trezentos voluntários ajudaram a realizar o revezamento da tocha olímpica em Tcheliábinsk. 

"Ajudei os participantes que vieram de fora a se instalarem no hotel e a resolverem questões práticas”, disse a voluntária Iúlia Dolgikh, aluna do 3º ano da Universidade Pedagógica de Tcheliábinsk. “Foi a forma que encontrei de participar da Olimpíada.”

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