Curada de câncer, tenista russa recupera forma em torneio em Moscou

Pela primeira vez desde sua reabilitação, Alissa Kleibánova avançou às quartas de final de uma competição Foto: imago

Pela primeira vez desde sua reabilitação, Alissa Kleibánova avançou às quartas de final de uma competição Foto: imago

Alissa Kleibánova tornou-se atração do WTA de Moscou, encerrado no último domingo (20), ao avançar pela primeira vez para as quartas de final de um torneio desde que se curou de um linfoma de Hodgkin.

Diagnosticada com linfoma de Hodgkin (um tipo de câncer) há dois anos e curada recentemente, a tenista Alissa Kleibanova tornou-se atração do WTA de Moscou, encerrado no último domingo (20), ao avançar pela primeira vez para as quartas de final de um torneio desde que se curou da doença.

"Adoro estar entre os jogadores, no ambiente de um torneio. Sinto-me muito à vontade", diz Alissa. “Penso apenas nos próximos jogos e tento considerar o lado positivo em tudo o que acontece. Estou pronta tanto para ganhar, quanto para perder, mas lutarei para ter os meus resultados anteriores de volta. Estou treinando sem limitações, e a minha agenda voltou a ser completa", acrescenta ela.

No início do segundo semestre do ano, os planos da Alissa incluíam a participação em Wimbledon, mas a vaga foi conquistada por uma tenista inglesa, adiando a reestreia da jovem recém-reabilitada nos torneios do Grand Slam para o Aberto dos Estados Unidos. No entanto, o seu verdadeiro retorno às quadras foi em Moscou.

"Agradeço aos organizadores do evento pelo apoio, uma vez que a minha posição atual no ranking não permitiria a minha participação", diz Kleibánova. "Não estou ofendida por ter meu pedido negado pelo comitê organizador de Wimbledon, pois não foi a primeira vez que isso acontece durante este ano. Os acontecimentos do tipo não me surpreendem mais. Já entendi que preciso compensar o tempo perdido sem contar com nenhum incentivo, e isso me faz apreciar ainda mais o ‘wild card’ adquirido em casa", acrescenta a jovem.

O diagnóstico da Alissa foi revelado pela própria tenista no dia do seu 22o aniversário através de uma carta aberta publicada no site da WTA informando sobre o início do seu tratamento na cidade italiana de Perugia.

"Preferi segurar as notícias durante os torneios para não causar nenhum transtorno", lembra Alissa. "Tudo aconteceu de repente, eu mesma não estava pronta para falar sobre isso. Precisei de um tempo para resolver todos os problemas, pois, além de tudo, houve uma demora no diagnóstico. Queríamos evitar especulações relacionadas à minha ausência nos torneios de Roland-Garros e de Wimbledon e tentamos escolher o melhor momento para fazer a declaração", explica a tenista.

Julian Vespan, treinador da Alissa, lembra-se do choque ao saber da doença. No entanto, a própria esportista se manteve calma e fez apenas uma pergunta: "Como resolvemos isso?"

Naquele momento, Alissa já sofria de mal-estares e resfriados constantes. O diagnóstico não trouxe boas notícias, porém revelou o verdadeiro motivo dos seus problemas de saúde. A tenista decidiu iniciar o tratamento na Itália, numa das melhores clínicas oncológicas da Europa, que, por sorte, encontra-se na cidade de Perugia, perto da sua casa, e teve todas as despesas cobertas pelo seguro de saúde.

"Não houve nenhum esquema de tratamento especial, apenas uma sessão de quimioterapia uma vez a cada duas semanas. O tempo restante foi dedicado a repouso, remédios e outros exames. É um processo monótono e comum com efeitos colaterais que incomodam. Principalmente a queda do cabelo", recorda Alissa. "Precisei suspender os treinos por um ano devido à incompatibilidade do tratamento com esforços físicos e o consequente risco de defeitos cardíacos que descartariam qualquer possibilidade de eu voltar ao esporte", acrescenta a tenista.

Durante o período de reabilitação, Alissa deixou de participar da vida do mundo esportivo e evitava dar entrevistas, mas recebeu as visitas de suas colegas Ekaterina Makárova e Vera Zvonariova. Martina Navrátilová, outra sobrevivente de câncer, também prestou apoio. Além disso, a WTA lançou uma companha de apoio à Alissa.

Primeira tentativa

A tenista fez a primeira tentativa de retorno às quadras ainda no ano passado, porém teve que admitir que se precipitou: a vitória no primeiro jogo do torneio de Miami esgotou as suas forças. O fracasso na etapa classificatória do torneio de Roma obrigou Alissa a parar por um tempo e se dedicar mais à sua recuperação. Ela conseguiu voltar aos campos com todas as forças apenas nesta temporada, participando do torneio da pequena cidade americana de Landisville, com prêmio de US$ 10 mil.

"Há poucos meses eu estava na 900a posição, mas consegui subir para 250a. Não é o melhor resultado, porém ele me dá direito a participar de uma quantidade suficiente de torneios", explica Alissa. "O caminho de volta não será fácil, mas estou pronta para todos os desafios. É natural que um longo período de inatividade tenha me deixado nervosa, mas fiz a escolha certa de ter recomeçado com os pequenos torneios. Eles me permitiram ganhar confiança e testar a minha preparação física", acrescenta ela.

 

Publicado originalmente pelo Moskóvskie Nóvosti

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.