“Torcedores prestam mais atenção ao jogo do que à cor da sua pele”, diz Francisco Wanderson

Foto:

Foto:

Em entrevista à Gazeta Russa, atacante brasileiro do Krasnodar falou sobre preconceito no futebol russo, perspectivas da equipe e Copa 2014.

O atacante do Krasnodar, Francisco Wanderson, 27 anos, é o jogador mais estável da primeira divisão do futebol russo entre os brasileiros contratados pelos clubes nacionais.

Enquanto Hulk está se recuperando das lesões e Adilson se acostuma ao novo treinador do Terek, Wanderson não deixa de satisfazer a torcida do Krasnodar com vários gols.

Na última temporada, o brasileiro foi consagrado artilheiro do campeonato russo, após marcar 14 gols no torneio. Na última rodada desta temporada, o gol do brasileiro permitiu ao Krasnodar empatar com o Dínamo de Moscou por 1 a 1.

Gazeta Russa: O Krasnodar conta com três brasileiros além de você: Joãozinho, Izael e Marcos Pizzelli. Agora terá mais um, o Ari. Você acha que o ex-Spartak vai reforçar a equipe?

Francisco Wanderson: Sua atuação no campeonato russo e na Liga dos Campeões provou que Ari é um jogador de categoria. Ele é bom para ajudar e finalizar os ataques. Muitos clubes grandes da Europa Ocidental mostraram interesse nele, mas Ari acabou escolhendo nosso clube. Ele é o tipo de jogador que pode influenciar sozinho o desfecho de um jogo.

G.R.: O Krasnodar pode certamente ser chamado do time mais brasileiro do campeonato russo. Você já está comunicando em russo também?

F.W: Estou estudando russo três vezes por semana com nosso tradutor e aos poucos aprendo as noções básicas da língua. Entendo bem, mas ainda não consigo falar. A língua russa não é muito difícil.

G.R.: Antes de chegar a Krasnodar, você jogou no clube sueco Gais. Onde é melhor viver: Gotemburgo ou Krasnodar?

F. W.: Eu adoro Krasnodar. Tem um clima quente e agradável. Quando quero, posso até ir ao mar. As pessoas daqui são muito simpáticas e abertas. Antes pensava que o Krasnodar era uma etapa intermediária da minha carreira, mas agora percebi que quero ficar por mais tempo. 

G.R.: O Krasnodar terminou a última temporada em 10º lugar. Vocês estão mais confiantes na temporada atual?

F.W: Temos condições de lutar pela possibilidade de disputar as copas europeias. Somos um forte time, temos uma equipe técnica experiente e excelentes condições para o treinamento. Por enquanto, nossos torcedores não são muito muitos, mas esse número vem crescendo a cada ano.

G.R.: Vários jogadores negros sofreram racismo em campo na Rússia. Você já passou por isso?

F.W.: Não aconteceu nada parecido comigo. Sei que Roberto Carlos e Christopher Samba tiveram essa experiência negativa; também ouvi os torcedores de Moscou assobiando quando um jogador negro tocava na bola. É triste, mas isso não me preocupa. Isso é coisa de pessoas mal educadas. Em sua maioria, os torcedores prestam mais atenção ao jogo do que à cor da sua pele.

G.R.: Com que frequência você volta ao Brasil?

F.W.: Passo minhas férias lá. Minha filha vive e estuda no Brasil. Portanto, assim que tenho mais de dois dias de folga, logo escapo um pouco. Minha mulher está comigo em Krasnodar, e isso é muito importante para mim. 

G.R.: Quem você acha que é o melhor jogador brasileiro do campeonato russo?

F.W: Gostava muito do Vágner Love. Ele é um jogador versátil. No ano passado, foi o protagonista da vitória do CSKA de Moscou no campeonato russo. É uma pena Vágner ter voltado para o Brasil. Hulk também é um excelente jogador.

G.R.: Aliás, tirando Hulk, qual dos jogadores brasileiros fora do país tem a chance de participar Copa do Mundo em 2014

F.W.: Qualquer jogador brasileiro tem essa chance. Scolari disse muitas vezes que está de olho em todos os brasileiros que atuam na Europa. A Rússia não é exceção, já que o campeonato local é muito forte.

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.