Nos bastidores do Mundial de Atletismo

Foto: Mikhail Sinitsin / RG

Foto: Mikhail Sinitsin / RG

O Mundial de Atletismo em Moscou não contou apenas com 1974 atletas de 206 países. Havia também 3.500 mil voluntários, centenas de árbitros, cerca de 2 mil agentes policiais e muitas outras pessoas que estiveram nos bastidores das provas mantendo a ordem e segurança pública, bem como as transmissões de TV, rádio e internet. Acompanhe o relato de funcionários e voluntários que, mesmo sem concorrer a medalhas, contribuíram para o grande sucesso do evento.

Vladímir Berêzin, diretor do centro de voluntários do turismo

Os estrangeiros costumavam nos fazer três perguntas: onde podiam tirar a programação das provas, por que não podem beber cerveja no estádio e qual a razão dos russos nunca sorrirem. Mas também tínhamos uma pergunta: por que o número de torcedores chineses no torneio é tão pequeno? Pelas estatísticas, o maior número de turistas em Moscou é da China. Por isso, havíamos preparado muitos folhetos e livros em chinês, mas, no final do dia, percebíamos que a pilha de folhetos em chinês permanecia quase intacta. Os exemplares em japonês, por exemplo, se esgotavam rapidamente. Além dos japoneses, havia muitos torcedores de língua hispânica e africanos.

Aleksandr Mulik, árbitro-chefe dos postos de abastecimento da maratona

A principal missão do árbitro é velar para que ninguém passe aos atletas garrafas com bebidas e pílulas fora da área reservada. Outra missão é velar para que cada atleta possa receber uma refeição e gelo, pois nem todos os países conseguem colocar seus representantes ao longo da distância. Nesse caso, colocamos voluntários. Na verdade, as maratonas do Mundial de Moscou foram muito difíceis. Com a temperatura de 28ºC, muitos atletas saíram da pista. Nessas condições, é difícil bater recordes. Para isso, o melhor é que a temperatura fique entre 8ºC e 10ºC .

Aleksêi, vendedor de uma loja oficial do Mundial de Atletismo

O item mais cobiçado são as camisas da seleção jamaicana. Têm cores inusitadas, mas o principal motivo é que o mundo inteiro está torcendo por Usain Bolt. Se não compram a camisa, levam um boné com as cores da Jamaica. Portanto, sabemos bem quem é a estrela principal do torneio de Moscou.

Serguêi Gostev, voluntário da polícia

Incidentes graves raramente acontecem em eventos como o Mundial de Atletismo. As pessoas vêem a identificação de voluntário da polícia e entendem que há segurança por perto. Hoje estamos trabalhando na maratona. Como o percurso passa pela estrada ao longo do rio Moscou, nossa missão é velar para que os torcedores não pisem na pista e não atrapalhem a prova, e também que os moradores locais não resolvam ir à pesca durante a prova.

Ramil Sítdikov, fotógrafo especial da agência RIA Nóvosti

No atletismo, não há modalidades difíceis de fotografar. Existem disciplinas potencialmente perigosas para os fotógrafos. Quando você está no setor de arremesso e vê através do visor um dardo ou um peso voando  em sua direção, tem que ter sangue frio para não fugir.

Porém, a maior emoção que tive do mundial foi ver a recepção do estádio Lujniki em relação a Elena Issinbáeva. Em cada tentativa da atleta, a arquibancada se levantava, cantando e batendo palmas no ritmo de seus passos. No momento do salto, o estádio gritava tanto que aqueles de nós que estavam embaixo ficavam com os ouvidos tampados. Sentíamos uma grande energia sendo emanada da arquibancada.

Dmítri Iástrebov, vice-director da Direção de Programas Esportivos do canal Rossia

A coisa mais difícil é filmar uma maratona. Com câmaras modernas capazes de captar 1.800 cenas por segundo, podemos filmar tranquilamente Usain Bolt em todas as fases de uma corrida de cem metros. Mas, fora do estádio, precisamos de mais equipamentos e até mesmo helicópteros. Ainda assim, acho que cumprimos bem nossa missão. Apresentamos vistas maravilhosas de Moscou, com edifícios reconhecíveis.

 

Publicado originalmente pelo Moskovskie Nóvosti 

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