Hora de pendurar a vara

Campeã mundial pela sétima vez, a atleta encerrou sua carreira com chave de ouro Foto: PhotoXPress

Campeã mundial pela sétima vez, a atleta encerrou sua carreira com chave de ouro Foto: PhotoXPress

Bicampeã olímpica e 28 vezes recordista em saltos com vara, Elena Issinbáeva marca fim da carreira com ouro no Mundial de Moscou. Agora, russa quer ter tempo para constituir família e, talvez, voltar às provas apenas nas Olimpíadas do Rio 2016.

Na última terça-feira (13), tudo o que acontecia fora dos limites do setor de saltos com vara no estádio Lujniki, em Moscou, era apenas pano de fundo para o fim da era Issinbáeva.

Coincidentemente, ela começou ali mesmo, há 15 anos, quando Elena Issinbáeva, uma desconhecida menina proveniente da cidade de Volgogrado, conquistou sua primeira vitória nos Jogos Mundiais da Juventude.

Depois vieram dois ouros olímpicos, seis nos Campeonatos Mundiais de Verão e de Inverno, e 28 recordes mundiais.

Na noite de terça-feira, como em muitas outras datas, o público esperava pelo triunfo de Issinbáeva com o coração na mão, mesmo com sua última vitória tendo ocorrido já há alguns anos, em 2008, nas Olimpíadas de Pequim.

No último Campeonato Mundial, em Daegu, Coreia do Norte, a russa não subiu ao pódio e recebeu em Londres apenas o bronze.

Seu treinador, Evguêni Trofimov, assegurava, ainda na primavera, que ela conseguiria saltar facilmente os 5,11 metros - ou seja, superaria o próprio recorde mundial em cinco centímetros.

Mas, enquanto isso acontecia nos treinos, nas competições da temporada ela não conseguiu saltar acima dos 4,78 metros. Em compensação, suas duas principais rivais, a americana Jennifer Sur, campeã olímpica de 2012, e a cubana Yrisley Silva, a ultrapassavam.

E, como se não bastassem as fortes rivais, Issinbáeva tinha problemas de saúde. Nem a atleta, nem seu treinador sabiam se o pé machucado,  devido ao qual ela ficou fora dos treinamento por um mês e meio, permitiria que voltasse a ficar em forma.

Na final, Issinbáeva alcançou uma altura inicial de 4,65 metros e, assim, entrou na grande disputa. Sua primeira tentativa não foi bem-sucedida, mas a segunda foi perfeita, com uma folga enorme.

A russa pegou embalo e superou facilmente o limite seguinte, de 4,75 metros. Mas Jennifer Sur também o fez. E como a americana havia entrado na competição exatamente com essa marca, assumiu imediatamente a liderança.

Logo restaram apenas quatro competidoras no setor: a alemã Silke Spiegelburg, Issinbáeva, Sur e Silva. Mas todas começaram mal nos 4,82 metros.

Issinbáeva foi a primeira a vencer a barra, na segunda tentativa. Sur, embora com dificuldade, também. Silva usou todas as três tentativas, e a última lhe garantiu a medalha de bronze. Spiegelburg, porém, não conseguiu superar esse limite e terminou a competição em quarto lugar.  

Naquele momento, o destino do título de campeã estava nas mãos de Issinbáeva e de Sur. Superando com sucesso os 4,89 metros, a russa levou o público ao delírio. E os três fracassos consecutivos da americana só o inflamaram mais.

"Somente as pessoas mais próximas de mim sabem o preço que paguei pela conquista desse ouro. Provavelmente, foi o mais desejado e o que tem maior valor para mim", disse a russa ao final da prova. "Faz muito tempo que não vencia em competições oficiais. Foi um longo caminho desde as Olimpíadas de Pequim, de 2008, até o Mundial de Moscou."

Campeã mundial pela sétima vez, a atleta encerrou sua carreira com chave de ouro - embora, certamente, tentarão fazê-la mudar de ideia depois de mais essa vitória.

Ela mesma dá esperanças aos fãs. "Provavelmente ainda participarei de algumas competições comerciais nesta temporada. Mas, em termos de mundiais, acredito que este tenha sido o último. Agora, o que mais quero no mundo é começar uma família e ter um bebê. Depois, se quiser voltar, irei me preparar, mas somente para as Olimpíadas de 2016 no Rio", declarou. 

 

Publicado originalmente pelo Kommersant

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