Universíada de Kazan antecipa desafios para Sôtchi-2014

Com capacidade para 45 mil espectadores, Kazan Arena sediou a cerimônia de abertura dos jogos Foto: RG

Com capacidade para 45 mil espectadores, Kazan Arena sediou a cerimônia de abertura dos jogos Foto: RG

Apesar do imenso sucesso dos atletas russos nos jogos, evento esportivo foi marcado por problemas com ingressos e condições de hospedagem inadequadas.

Os Jogos Universitários Internacionais em Kazan, na capital da república russa do Tatarstão, funcionaram como um ensaio antes das Olimpíadas de Inverno de 2014, em Sôtchi. Os organizadores da Universíada testaram na prática a operacionalidade de vários setores no âmbito da organização do torneio, como segurança e interação com a imprensa, torcedores e moradores locais. No entanto, ficou constatado que muitos desses aspectos estão longe do ideal.

O acesso da mídia aos atletas sofreu severas restrições, competições vazias e as condições de hospedagem dos atletas nem sempre correspondiam aos padrões internacionais. A ginasta russa Maria Paseka conquistou o ouro nas competições de equipes, mas ficou chateada porque o ginásio estava com apenas metade de sua lotação. “No mês passado disseram que todos os ingressos para as competições já tinham sido vendidos”, disse Paseka.

Os problemas começaram com o sistema de venda de ingressos da abertura do torneio. Muitos dos ingressos tinham sido adquiridos por cambistas, que os revendiam por um  preço dez vezes maior que o valor original  - em torno de 200 euros em vez de 20. Os espectadores de vários jogos permaneceram em filas durante horas, mas iam embora sem comprar ingressos, enquanto as arquibancadas continuavam semivazias.

“Tendo nascido em Kazan, fico contente de ver que essas competições estão sendo  realizadas aqui, mas por que fazer os espectadores passarem por tanto nervoso? É muito difícil comprar um ingresso”, reclamou o morador local Miasrur, apesar de estar feliz com o fato de o estádio  Kazan Arena se tornar o campo oficial do time local, o Rubin.

O Kazan Arena, que pode acomodar 45 mil espectadores, sediou a cerimônia de abertura dos jogos. Atualmente é o estádio com maior em capacidade na Rússia, já que o Lujniki de Moscou, que comporta 82 mil, está em reforma. Para a Universíada, Kazan também ganhou um novo centro de ginástica, que comporta mais de três mil espectadores, e uma academia de tênis para sete mil espectadores. Ao todo, a Universíada foi realizada em 31 instalações esportivas.

“Todas as arenas de esportes impressionaram pela infraestrutura. A impressão é que Kazan está pronta não só para a Universíada, mas também para as Olimpíadas”, disse Viktor Tchegin, treinador de Elena Lachmanova, campeã olímpica de marcha atlética que conquistou o ouro na Universíada 2013.

Porém, a vila olímpica deixou dúvidas. O campeão da Universíada na corrida de 1500 m, Valentin Smirnov, ficou extremamente insatisfeito com as condições de hospedagem. “Ficamos em três pessoas num quarto, o chuveiro muitas vezes ocupado. Tudo isso me lembrou uma república estudantil”, disparou Smirnov. O diretor do Comitê Organizador da Universíada, Vladímir Leonov, rebateu que esses problemas ocorrem em qualquer evento internacional. “Tivemos algumas pequenas falhas, mas típicas de qualquer evento esportivo”, disse Leonov.

Vitória em casa

Outro aspecto controverso da Universíada foi a composição da seleção russa, com muitas estrelas do esporte: a três vezes campeã olímpica em nado sincronizado Svetlana Romachin, o campeão olímpico de judô Arsen Galstyan e a campeã olímpica em corrida de 1500 m com barreiras Iúlia Zaripova, entre outros.

Os outros países trouxeram para Kazan sobretudo estudantes que, apesar de serem atletas profissionais, ainda  nem chegaram a pensar em medalhas olímpicas. No final, após os cinco dias de competição, a Rússia conquistou 72 medalhas de ouro (62% do total), deixando todos os concorrentes bem para trás.

Leonov explica que o sucesso não ocorreu unicamente graças à presença dos campeões olímpicos, mas pela forte motivação do grupo para os jogos. “Os russos querem vencer em casa. Eu não vejo nenhuma vergonha nisso. Algo semelhante nos observamos em 2011 na China”, disse.

-Para mim era importante vencer no meu próprio país, foi a minha primeira apresentação ao vivo na frente de meus pais”, contou a vitoriosa Svetlana Romachin à Gazeta Russa. “O apoio foi magnífico e após todos esses anos, entendi pela primeira vez o significado da expressão em casa”, acrescentou. Romachin terminou o MESI (Instituto de Economia, Estatística e Informática de Moscou) no ano passado, mas tinha o direito de participar da Universíada 2013.

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