Procura-se heróis do vôlei de praia

Jogadores russas Evguênia Ukolova (esq.) e Ekaterina Khomiakova (dir.) Foto: Reuters

Jogadores russas Evguênia Ukolova (esq.) e Ekaterina Khomiakova (dir.) Foto: Reuters

Os melhores jogadores de vôlei de praia da Rússia estão começando a mostrar a sua classe nas competições mais prestigiadas do mundo. No entanto, o interesse pelo esporte no país ainda é pequeno.

No dia 29 de maio, a arena montada no Parque do Taquaral, em Campinas (SP), sediará a edição inaugural da final da Copa do Mundo de vôlei de praia. No evento que vai até 2 de junho, estarão concorrendo dez duplas masculinas e outras dez femininas vindas de cada um dos cinco continentes. 

A atual melhor dupla russa, Evguênia Ukolova e Ekaterina Khomiakova, irá representar o país no campeonato que tem como favoritas as brasileiras Maria Elisa e Talita, bem como as norte-americanas Kessy e Ross.

O vôlei de praia na Rússia vem se desenvolvendo há mais de vinte anos, mas os primeiros sucessos realmente significativos alcançados pelos jogadores vieram somente depois de 2004, quando o ex-treinador da seleção masculina de voleibol clássico da Rússia, Guennádi Chipulin, foi designado como responsável por essa modalidade.

Ele convenceu o levantador reserva do time de vôlei Belogorie, Ígor Kolodinski, a mudar de quadra e formar uma dupla com Dmítri Barsuk, que naquela época era o melhor jogador russo na categoria. Quem começou a treiná-los foi o italiano Marco Solyustri, que atualmente trabalha com as duplas femininas da Rússia.

Kolodinski e Barsuk irromperam impetuosamente na elite mundial. Em 2007, tornaram-se vice-campeões do mundo e, em 2008, venceram o prestigiado torneio da série Grand Slam, na Áustria. Kolodinski chegou a ser apelidado de “Bazuca” por algum dos jogadores brasileiros por causa de seu saque forte. Durante quatro anos consecutivos, ele recebeu um prêmio especial pelo saque mais rápido e, até hoje, detém o recorde mundial de 114 km/h.

Porém, a remuneração do vôlei de praia ainda não é comparável à do vôlei clássico. Por isso, no auge de sua carreira, Kolodinski tomou a decisão de voltar às quadras como segundo levantador dos clubes russos Belogorie (Belgorod) e Zenit (Kazan), onde passou a ganhar muito mais do que na praia.

No vôlei de praia feminino russo, a evolução só foi possível graças ao mesmo italiano Marco Solyustri. No ano passado, a dupla feminina russa, Evguênia Ukolova e Ekaterina Khomiakova, ganhou pela primeira vez o torneio Grand Slam, na Áustria.  Apesar de as meninas não terem obtido muito sucesso nas Olimpíadas de Londres, em 2012, foram duas vezes vencedoras nas etapas do Circuito Mundial de Vôlei de Praia.

Ukolova, atualmente com 24 anos, iniciou a sua carreira no time Zarechie Odintsovo e, em paralelo, começou a experimentar as suas forças no vôlei de praia, onde conseguiu estabelecer-se como uma atleta profissional e jogadora da seleção. Khomiakova, por sua vez, entrou no vôlei de praia desde o princípio.

“Na Rússia, o voleibol de praia não é visto como um esporte muito sério”, reclama Ukolova. Apesar dos esforços físicos empregados e de entender as dificuldades climáticas no país, a atleta afirma não sentir o apoio necessário.

Apesar de serem realizadas anualmente em Moscou, as competições do Grand Slam não são muito populares. No geral, o baixo comparecimento da plateia é justificado pelas regras vigentes, como proibição de venda de bebidas alcoólicas durante os eventos esportivos. Somado a isso, as condições do tempo costumam ser adversas e os jogadores de vôlei de praia permanecem na sombra dos mestres do vôlei clássico.

“Mas quando vamos às praias no verão, encontramos todas as quadras de vôlei lotadas. Temos a esperança de que o vôlei de praia transforme-se gradualmente e isso depende  muito de nós, jogadores. Para atrair os torcedores e engajá-los, são necessários heróis e resultados”, afirma Ukolova.

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