“Na Fórmula 1 não fazemos amigos, apenas negócios”

Kosatchenko é diretora comercial da Caterham desde março Foto: ITAR-TASS

Kosatchenko é diretora comercial da Caterham desde março Foto: ITAR-TASS

Promotora de automobilismo da Rússia conta como funciona o universo do esporte mais rentável do mundo.

A Fórmula 1 segue diversos regulamentos oficiais, leis e prescrições, além de um conjunto de regras não escritas. Em entrevista ao “The Moscow News” às vésperas do Grande Prêmio de Mônaco, que aconteceu neste domingo (26), a famosa promotora de automobilismo na Rússia e diretora comercial da Caterham, Oksana Kosatchenko, explicou por que os pilotos e engenheiros não gostam do circuito de Monte Carlo e quais perguntas não devem ser feitas aos pilotos, entre outras coisas.

“O Grande Prêmio de Mônaco éo momento da verdade para um piloto”

 O Grande Prêmio de Mônaco é conhecido por seu espírito. Nos dias da corrida, toda a cidade, todo o país, todos os seus habitantes e visitantes vivem pensando só na corrida. A Fórmula 1 enche todo o espaço, enquanto ao redor reina um mundo de luxo, com iates e automóveis de alto padrão. Mas todo o mundo sabe também que o circuito de Mônaco não é ideal para as corridas da Fórmula 1. Qualquer erro ou descuido, por menor que seja, pode levar o piloto a bater seu carro contra a barreira de segurança. Esse circuito exige dos pilotos muita experiência e técnica. Por isso, nem todos os pilotos gostam do Grande Prêmio de Mônaco, encarando-o como momento da verdade.

“Em nenhum outro lugar do mundo as equipes têm um contato tão estreito com o público como em Monte Carlo”

 Para nós, gerentes, o Grande Prêmio de Mônaco também é muito difícil. Todos os outros circuitos têm vias reservadas de acesso ao paddock. Em Mônaco, você tem de andar a pé ou, na melhor das hipóteses, de motoneta. Aqui, o paddock e a garagem são separados. Para ir de um lugar para outro, é preciso passar pela multidão. Em nenhum outro lugar do mundo as equipes têm um contato tão estreito com o público como em Monte Carlo. A maioria das equipes não gosta desse circuito. Correr aqui é também difícil em termos de logística e organização.

Raio-X

Oksana Kosatchenko é a mais famosa promotora de corridas de automóveis da Rússia. Formada pela Faculdade de Letras da Universidade Lomonossov de Moscou, começou sua carreira na TV como narradora de automobilismo. “Inicialmente, não sabia nada sobre as corridas de automóveis, mas estava rodeada de entusiastas que me contagiaram com suas ideias”, conta Kosatchenko. Pouco tempo depois, ela se sentou ao volante de um carro de corrida para disputar provas de automobilismo. Em 2001, decidiu se dedicar à promoção de Vitáli Petrov que tinha, na época, 16 anos. Como resultado, entre 2010 e 2012, Vitáli Petrov correu na Fórmula 1, primeiro pela Renault, depois, em 2012, pela Caterham (onde Kosatchenko é diretora comercial desde março deste ano). “Trabalho 16 horas por dia, viajando pelo mundo todo. Meu ex-marido costumava dizer: ‘Temos de nos separar. Sou grande demais para caber em tua mala’.”

“Aqui ninguém comenta com outros sua vida particular

 A Fórmula 1 não tem por objetivo virar do avesso as pessoas que nela  trabalham. Aqui ninguém comenta com outros sua vida particular. Normalmente, os pilotos só se comunicam com jornalistas esportivos que se interessam pela corrida e outros assuntos específicos relacionados ao esporte. Os jornalistas de comportamento se comunicam normalmente com a diretoria da equipe ou engenheiros.

“Não relaxe, você está sendo vigiado”

 Todas as equipes fazem reconhecimento. O método mais simples é contemplar os carros no grid de largada. Essa é a única possibilidade de ver o carro de seu rival e tentar descobrir o que ele tem de novo. Ninguém faz visitas às garagens de outras equipes, pois é proibido. Tudo o que se encontra dentro da área ocupada por uma equipe é confidencial e não se destina a pessoas estranhas. Essa regra deve ser rigorosamente respeitada. Cada garagem tem um monte de câmaras de vídeo que registram todos os movimentos.

“Ecclestone criou a Fórmula 1 do nada”

 Na Fórmula 1, não fazemos amigos; fazemos apenas negócios. Se eu disser que tenho muitos amigos na Fórmula 1, isso será mentira. Mas tenho muitos parceiros de negócios com os quais gosto de me comunicar. Bernie Ecclestone é o principal deles. Ele é um cara duro, mas criou a Fórmula 1 do nada. Ele fez de um pequeno evento disputado por uma dezena de carros o esporte mais rentável do mundo.

“Colocar um logotipo em um carro não é o problema”

 A presença da Kaspersky Lab [desenvolvedora russa de softwares para proteção de computadores] na Fórmula 1 é o primeiro exemplo positivo da interação clássica entre o esporte e uma empresa russa. A Kaspersky Lab trabalha, inclusive, para o consórcio Fiat. Portanto, é lógico que o potencial publicitário da Ferrari seja utilizado como uma das formas de pagamento por seu serviços. No entanto, qualquer pessoa que tiver dinheiro pode colocar seu logotipo em um carro da Fórmula 1, mas nem todos podem tirar proveito disso.

 

Publicado originalmente pelo Moscow News

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