Cada vez mais popular no país, iatismo russo viverá seu melhor momento nas Olimpíadas de 2020

“Ultimamente, tenho notado mudanças positivas. Pode-se dizer que a vela está se tornando cada vez mais popular em nosso país", Gueórgi Shaiduko Foto: AP

“Ultimamente, tenho notado mudanças positivas. Pode-se dizer que a vela está se tornando cada vez mais popular em nosso país", Gueórgi Shaiduko Foto: AP

“Nas Olimpíadas de 2020, veremos o esporte à vela russo em seu melhor estilo”, diz Gueórgi Shaiduko, primeiro vice-presidente da Federação Russa do esporte

Gueórgi Shaiduko, primeiro vice-presidente da Federação Russa do Esporte à Vela,  medalha de prata olímpica nos Jogos de Atlanta (1996), falou, em uma entrevista exclusiva a Gazeta Russa, sobre a conjuntura do esporte na Rússia, as chances dos atletas olímpicos nos Jogos de 2016 e o desenvolvimento dessa modalidade esportiva nos países de Leste.

“Estou no esporte há cerca de 40 anos”, contou Shaiduko, que também é  membro do Comitê Executivo da Organização Internacional de Vela.

“Ultimamente, tenho notado mudanças positivas. Pode-se dizer que a vela está se tornando cada vez mais popular em nosso país. Começa a surgir um grande número de projetos que não estão vinculados apenas ao esporte olímpico: esporte infantil, turismo, corridas de cruzeiro, regatas de negócios.”
 
Gazeta Russa: O iatismo russo tem tradição?

Gueórgi Shaiduko - São Petersburgo tem primeiro iate clube da Europa, que, no próximo ano, vai comemorar 150 anos. É algo que a Rússia tem de se orgulhar.

Durante a era soviética, estávamos entre os líderes do movimento olímpico no esporte. A seleção da URSS tem sete medalhas de ouro e 28 medalhas de prata, mas a desagregação da União Soviética e os difíceis anos da década de 1990 prejudicaram duramente o esporte. Praticamente toda a infraestrutura entrou em colapso, e muitos atletas talentosos mudaram para o exterior. 
 
E essa tendência continua?

Nos últimos cinco anos, foi iniciada a revitalização da modalidade na Rússia. No ano passado, conseguimos a aprovação de emendas na lei que abrem nossas águas territoriais para velejadores de todo o mundo –devemos lembrar que elas estavam fechadas desde 1939.

Agora, continua o trabalho para uma maior liberalização das nossas vias navegáveis, o que irá permitir a realização de grandes regatas esportivas, desenvolver o turismo aquático no litoral e nas águas do interior e render dividendos significativos à economia do nosso país.

Na Rússia, existem muitas rotas de navegação promissoras: a de São Petersburgo, a de Moscou, em torno da Escandinávia, no rio Volga, na bacia do mar Negro, no mar Cáspio, em Vladivostok.

Como o sr. avalia o desempenho da equipe russa em Londres?

Confesso que nossas apresentações não foram satisfatórias. A equipe mostrou um nível médio. No entanto, não desistiremos.

O que podemos esperar para 2016?

A partir deste ano, mudamos completamente o processo de treinamento, convidando uma treinadora estrangeira, a campeã olímpica da Grécia Sofia Bekatore. Esperamos que isso traga frutos.

Na minha opinião, no Rio de Janeiro, temos chances nas seguintes modalidades: laser, laser radial, windsurfe RS:X , 470 e catamarã.

Uma ou duas medalhas já vão ser consideradas um sucesso no Rio, mas, já nas próximas Olimpíadas, certamente vamos conquistar mais. Em 2020, veremos o iatismo russo em seu melhor estilo.
 
A modalidade recebe apoio do governo?

Temos algum apoio, mas, evidentemente, não o suficiente. O esporte infantil foi transferido para as escolas de esportes infantis e para a responsabilidade dos pais. Muitas questões também são levantadas em função da situação dos iate clubes, das seções para as crianças, da construção de infraestrutura e dos baixos salários dos treinadores.

Infelizmente, a vela é avaliada pelo número de medalhas olímpicas e não pelo retorno que pode nos dar enquanto modalidade esportiva.
 
A vela é considerado elitista?

A vela é chamada de esporte dos reis. Um grande número de monarcas participa de regatas: as famílias reais de Grécia, Espanha, Dinamarca, dos Emirados Árabes.

No entanto, apesar de elitista, trata-se de uma modalidade que requer um condicionamento físico rigoroso. É necessário também conhecer muitas regras, ser capaz de calcular a força do vento.

Quanto aos países do Leste, a modalidade está se desenvolvendo muito rapidamente. 

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