Até o topo pelas melhores imagens

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

A Gazeta Russa conversou com Vadim Mahora, jovem de 23 anos que vivia subindo em diversos telhados, barragens e chaminés na Rússia para fotografar do alto, até chegar ao topo de uma pirâmide egípcia.

“Roofers”são pessoas apaixonadas por subir em telhados e fotografar o que veem lá de cima. Vadim Mahora e Vitáli Raskalov receberam a sua parcela de fama mundial em março, quando subiram no alto da pirâmide de Quéops, no Egito, e registraram o que viram lá de cima.

A Gazeta Russa conversou com Mahora,  jovem de 23 anos que vivia subindo em diversos telhados, barragens e chaminés na Rússia, para depois começou a viajar para além de suas fronteiras.

Na conversa, o jovem comentou sobre a façanha do Egito e dos planos para o futuro.

Gazeta Russa - Como foi que vocês tiveram a ideia de escalar uma pirâmide?

Vadim Mahora - Nós vimos na internet muitas informações e até fotografias do alto da pirâmide feitas em anos diferentes, por pessoas diferentes e resolvemos tentar fazer isso também.

GR.: Por que subir em um telhado, numa pirâmide ou numa chaminé de fábrica? O que isso significa para vocês?

VM.: Cada um tem o seu objetivo, alguns buscam sensações extremas, outros, ao contrário, sentem-se mais relaxados ao se encontrarem nas alturas. O meu objetivo é tirar fotografias bonitas.  Se bem que, se eu falar com sinceridade, todas essas estripulias são ações incríveis que permanecem na lembrança por toda a vida.

GR.: Vocês vieram ao Egito na qualidade de turistas?

VM.: Nós viemos ao Egito de Dubai e acampamos no centro de Cairo. Logo no primeiro dia, já subimos em uma série de construções, inclusive no edifício mais alto da cidade, olhamos para a cidade do alto e fizemos planos para os próximos dias.

A maior parte dos planos estava relacionada às pirâmides.

Tentávamos nos livrar de todos esses guias turísticos, nos esforçávamos para fazermos tudo sozinhos.

GR.: Como vocês chegaram até as pirâmides?

VM.: Primeiro tomamos o metrô, depois fomos com um ônibus local até o complexo. Enquanto passeávamos por lá, visitamos diversos túmulos. Depois escureceu. Nós não sabíamos ainda se realmente conseguiríamos subir, ficamos simplesmente olhando as pirâmides. Mas, pelo visto, as cartas foram lançadas de um jeito que era preciso tentar.

Nós ficamos sozinhos. Assistimos a um show de luzes nas pirâmides. Quando ele acabou, escalamos as pirâmides, fotografamos lá de cima e fomos embora do mesmo jeito, sem que alguém percebesse a nossa presença (bem, nós também não percebemos a presença de ninguém). Só mais tarde é que ficamos sabendo que estávamos infringindo a lei, peço desculpas por isso.

GR.: A escalada foi difícil?

VM.: Tínhamos que subir por blocos que praticamente atingiam a altura da cintura.

Subir e descer não é complicado se você controlar totalmente os seus movimentos. Mas com um passo em falso, a morte é inevitável. É nisso que consiste todo o perigo.

GR.: Essa é a principal ocupação de vocês?

VM.: A minha principal ocupação é a fotografia. A primeira coisa que eu comecei a fazer foi simplesmente tirar fotos de altitude e fotografar os telhados, o que continuo fazendo até hoje. Mas também fotografo produções, elaboro tours virtuais, entre outras coisas.

Anteriormente, Raskalov e eu viajávamos por várias cidades russas e subíamos nos telhados. Quando passamos por todas as cidades que apresentam interesse para as fotografias de altitude, fomos para o exterior.

Tudo ainda está começando. Queremos lançar um projeto que envolva esse tipo de viagens. Tirar muitas fotos e produzir vídeos, causar admiração.

GR.: Vocês já tiveram problemas com as autoridades?

VM.: Na Rússia não existe tanto rigor em relação a isso. No máximo você paga uma multa de 500 rublos (aproximadamente US$ 16). Nunca tivemos problemas nos outros países, por enquanto. Esperamos não ter.

É claro que já houve casos em que os seguranças nos retiravam dos telhados, mas quando nós explicávamos o que estávamos fazendo e mostrávamos as fotos, eles se tornavam mais compreensivos e nos liberavam.

GR.: Que viagem foi a mais incrível?

VM.: É difícil escolher a mais incrível, pois cada viagem consiste na tentativa de atingirmos uma meta, no fato de alcançarmos essa meta e no triunfo que experimentamos quando isso acontece.

Falando sinceramente, posso dizer que, por enquanto, as duas últimas viagens, primeiro à Berlim e logo depois à Dubai e ao Cairo, foram as que eu gostei mais. Provavelmente, porque elas nos obrigaram a começar a pensar de maneira correta e a ter ideias e objetivos. Passamos a ansiar por futuras viagens.

Surgiram novas ideias de exposições fotográficas fora da Rússia, de como e para onde ir, além da ideia de um projeto cooperativo sobre viagens.

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