Dirigíveis renascem em sistema de defesa antimíssil

Novas tecnologias devem evitar explosões em novos dirigíveis, tão recorrentes no passado.

Novas tecnologias devem evitar explosões em novos dirigíveis, tão recorrentes no passado.

RosAeroSistemi
Os enormes balões que povoavam a imaginação das crianças no final do século passado pareciam obsoletos, mas serão retomados por Moscou. Com grande capacidade de carga, não necessitam de grandes aeroportos, mas têm problemas relativos à segurança.

Em maio, a imprensa russa divulgou que em 2021 as Forças Aeroespaciais da Rússia passarão a empregar um dirigível na defesa.

O modelo experimental "Atlant", desenvolvido por engenheiros da holding “Avgur-RosAerosistemi”, foi concebido de forma bastante ambiciosa.

Em sua versão mais pesada, ele carregará até 170 toneladas de peso útil - o peso aproximado de três tanques “Armata" com munição completa -, percorrendo uma distância de até 5.000 km.

O dirigível russo "Atlant" / Foto: RosAeroSistemiO dirigível russo "Atlant" / Foto: RosAeroSistemi

Apesar de parecerem coisa do passado, os dirigíveis apresentam algumas vantagens em relação à aviação de transporte. Por exemplo, eles consomem muito menos combustível e não necessitam de aeroportos com grande infraestrutura, o que possibilita sua utilização no norte da Rússia, região pouco desenvolvida do país.

Mas o transporte não será a única tarefa dos dirigíveis. Com tecnologias modernas, eles serão adequados às necessidades de defesa antimíssil.

Sua ampla superfície permite a disposição de diversas antenas e radares, que podem monitorar o espaço aéreo sobre uma área de milhares de quilômetros. Dessa forma, eles poderão registrar lançamentos de mísseis, sobretudo alinhados com satélites. A baixa velocidade dos dirigíveis, nesse contexto, não representará desvantagem.

A aeronave norte-americana "Aeroscraft"./ Foto: APA aeronave norte-americana "Aeroscraft"./ Foto: AP

Análogos estrangeiros

Os EUA também têm voltado seus olhares aos dirigíveis na atualidade. O “Aeroscraft”, por exemplo, em desenvolvimento no país, tem muitas semelhanças com o “Atlant”.

Com grande capacidade de carga (que superaria consideravelmente o homólogo russo), o “Aeroscraft” deverá ser utilizado para transporte militar em áreas de difícil acesso.

Para os Estados Unidos, a questão é relevante, já que suas unidades militares estão espalhadas pelo mundo afora, inclusive em áreas de difícil acesso onde é difícil construir pistas de decolagem e aterrissagem.

Outro fato notável é que a China obteve grandes avanços na utilização de dirigíveis militares. Em 2015, um verdadeiro gigante foi testado no país, com aeróstato de quase 20.000 metros cúbicos de hélio, subindo a altitudes de até 100 km, onde pode permanecer por até 2 dias.

Com o uso de baterias solares, os engenheiros chineses puderam aumentar a carga útil da aeronave. Seu objetivo mais provável é o controle das águas no leste do Oceano Pacífico, que nos últimos anos se transformaram em área de confronto entre o país e seus vizinhos apoiados pelos Estados Unidos.

O "Kretchet", construído na Rússia em 1910, com volume de 6,9 mil metros cúbicos, 70 metros de comprimento e 11 metros de diâmetro. / Foto: arquivoO "Kretchet", construído na Rússia em 1910, com volume de 6,9 mil metros cúbicos, 70 metros de comprimento e 11 metros de diâmetro. / Foto: arquivo

Base empírica

Houve tempos em que os dirigíveis dominavam os céus e eram amplamente utilizados no setor militar.

No início do século 20, os zepelins alemães se tornaram rapidamente os favoritos dos órgãos militares. Seus primeiros testes mostravam grande capacidade de combate e eles carregavam cargas de bombas que pesavam toneladas. Apenas em 1916, os dirigíveis alemães realizaram mais de 120 ataques contra cidades francesas.

Há cem anos, a Rússia figurava entre os líderes mundiais na construção de dirigíveis. Às vésperas da Primeira Guerra Mundial, somente a frota aérea alemã de dirigíveis podia se equiparar à da Rússia.

E o trabalho nesse setor continuou mesmo após a revolução de 1917. Mas, às vésperas da Grande Guerra Patriótica, ou seja, a participação russa na Segunda Guerra Mundial, a União Soviética optou pela construção de aviões - o país não podia gastar seus escassos recursos em duas direções distintas para desenvolver a frota aérea.

O fator técnico também desempenhou um papel importante. Após uma série de catástrofes na década de 1930, a produção de dirigíveis começou a decair no mundo todo.  A segurança então era realmente um problema, já que as explosões eram recorrentes.

Os construtores de dirigíveis modernos, porém, utilizam novas tecnologias de fornecimento de gás e estão confiantes de que conseguirão corrigir os erros do passado. Veremos.

Aleksandr Verchínin é doutor em História e pesquisador sênior do Centro de Análise de Problemas.

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