Totchnost, das tradições a um novo fuzil de precisão

A new sniper complex designed for Russian special agencies is presented for Russian Deputy Prime Minister Rogozin's visit to the Central Research Institute for Precision Machine Building (TsNIITochMash) in Klimovsk.

A new sniper complex designed for Russian special agencies is presented for Russian Deputy Prime Minister Rogozin's visit to the Central Research Institute for Precision Machine Building (TsNIITochMash) in Klimovsk.

Sergey Mamontov/RIA Novosti
No final de 2016, o complexo militar-industrial russo anunciou que estaria pronto para iniciar a produção em série do mais novo fuzil de precisão nacional, o “Totchnost”. Após passar por uma série de atualizações e melhorias, este deverá ser a principal arma do tipo no Exército e nos serviços de segurança da Rússia.

Arma reinventa características já presentes em modelos dos anos 1920 (Foto: Serguêi Mamontov/RIA Nôvosti)Arma reinventa características já presentes em modelos dos anos 1920 (Foto: Serguêi Mamontov/RIA Nôvosti)

A mais nova arma destinada ao Exército russo, “Totchnost” (precisão, em russo), faz jus ao nome. Em muitos aspectos, esse fuzil de precisão representa para a indústria de defesa russa um novo padrão de armas portáteis.

O modelo foi originalmente criado como uma alternativa aos principais fuzis de precisão ocidentais. Por isso, seus protótipos deveriam superar os parâmetros de armas austríacas e finlandesas, tradicionalmente populares entre os combatentes das forças especiais.

O fuzil T-5000, apresentado ainda em 2011 e projetado para utilizar cartuchos de calibre 7,62x8,6 mm, atingia alvos a uma distância de 1.600 metros.

No ano seguinte, os membros dos serviços de segurança russos, munidos com o T-5000, obtiveram grande sucesso em competições internacionais entre os atiradores de elite.

T-5000 foi o primeiro modelo do projeto Totchnost (Foto: Vitáli V. Kuzmin)T-5000 foi o primeiro modelo do projeto Totchnost (Foto: Vitáli V. Kuzmin)

O Totchnost, porém, supera seu antecessor em todos os aspectos, sobretudo em alcance (superior a 2 km).  A precisão na hora de atingir o alvo é garantida pelo baixo recuo, gatilho confortável, mira especial e, mais importante, cano especial do fuzil.

Precursores de destaque

O novo fuzil está sendo criado por uma nova equipe de armeiros. No entanto, a arma foi concebida seguindo as tradições do complexo militar-industrial russo.

Em 1920, os engenheiros soviéticos já estavam pensando em adaptar uma mira de alta precisão aos fuzis. Inicialmente, tratava-se de fabricar modelos mais aperfeiçoados dos modelos Mosin e Tokarev, então produzidos em massa. Era precisamente com essas armas que estavam equipados os atiradores de elite soviéticos durante a 2ª Guerra Mundial.

Portando um desses fuzis Mosin aperfeiçoado (que na época costumava ser chamado de “Mossinka”), o famoso atirador Vassíli Zaitsev travou uma caçada aos alemães em meio às ruínas de Stalingrado, aniquilando mais de 200 soldados e oficiais inimigos em três meses.

Depois da guerra, os armeiros focaram na criação de fuzis especiais para realizar disparos de alta precisão. Em termos de reconhecimento e distribuição mundial, o Dragunov (SVD, na sigla em russo) pode ser comparado à famosa família Kalashnikov. Até hoje, integra o arsenal de exércitos de mais de 30 países ao redor do mundo.

Mosin provou eficácia nas mãos de atiradores de elite soviéticos durante a 2ª Guerra (Foto: Vladímir Pesnia/RIA Nôvosti)Mosin provou eficácia nas mãos de atiradores de elite soviéticos durante a 2ª Guerra (Foto: Vladímir Pesnia/RIA Nôvosti)

Ao assimilar uma série de elementos da famosa AK, o SVD tornou-se ainda mais eficaz, e suas qualidades foram potencializadas –fácil manuseio e alta potência de combate. Durante a guerra no Afeganistão, por exemplo, o fuzil foi uma arma insubstituível – em combates nas montanhas, permitia atingir o inimigo a uma distância de mais de 1 km.

Depois de 1991, fuzis de precisão especiais, de grande calibre, foram desenvolvidos e incorporados ao arsenal russo. O modelo OSV-96 “Vzlomschik” (Arrombador, em russo) permitia que até alvos levemente blindados fossem atingidos a uma distância de quase 2 km. No entanto, possuía uma grande desvantagem – o ruído altíssimo no disparo.

Problemas e perspectivas

O Totchnost tem uma genealogia sólida, mas também uma série de deficiências que precisam ser eliminadas para que a nova arma comece a ser fabricada em série. 

A modernização do fuzil de precisão russo foi realizada com o uso de recursos tecnológicos estrangeiros. A especificação técnica do fuzil surgiu antes da imposição de sanções pela UE e Estados Unidos, e, hoje, vários pontos dela precisam ser reelaborados.

Apesar das declarações feitas pelos desenvolvedores, os especialistas destacam que, antes mesmo de iniciar a produção em série do Totchnost, será necessário solucionar uma série de importantes questões técnicas, além de definir quem exatamente irá usar a nova arma.

Nova arma foi apresentada ao vice-premiê Dmítri Rogózin (Foto: Serguêi Mamontov/RIA Nôvosti)Nova arma foi apresentada ao vice-premiê Dmítri Rogózin (Foto: Serguêi Mamontov/RIA Nôvosti)

Acredita-se, por exemplo, que seus parâmetros de combate não sejam adequados para que seja usado por atiradores de elite do Exército, que costumam trabalhar em distâncias muito menores. O principal potencial comprador do Totchnost deve ser o serviço secreto.

A expectativa é que o novo fuzil também seja, futuramente, exportado.

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